Torcedores | Notícias sobre Futebol, Games e outros esportes

PAPO TÁTICO: Lisca Doido e o “milagre das três partidas” no Internacional

A situação do Internacional em 2016 deve acabar se transformando em objeto de estudo nas principais faculdades do Brasil e do mundo nos próximos anos. Depois de demitir o contestado Celso Roth, a diretoria colorada apostou em Luiz Carlos Cirne Lima de Lorenzi, o popular Lisca Doido, para tentar salvar o time de um inédito rebaixamento para a segunda divisão. E isso a apenas TRÊS RODADAS para o fim do Campeonato Brasileiro. O quarto treinador do Inter no ano tem a dura missão de tentar transformar o elenco (caro e sem confiança) à sua disposição num time que consiga mostrar um mínimo de jogo coletivo contra Corinthians (em São Paulo), Cruzeiro (em Porto Alegre) e Fluminense (no Rio de Janeiro). De campeão gaúcho e favorito ao título no início do ano, o Internacional briga contra o tempo e contra as lambanças de uma diretoria que fez de tudo para afundar o clube. O que resta ao Colorado Gaúcho é confiar no chamado “Milagre das Três Partidas”.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Ricardo Duarte / SC Internacional

Leia mais ~> Prêmio TORCEDORES.COM terá a sua 2ª edição em 2016 – E com novidades!

Logo no seu primeiro treino como técnico do Internacional, Lisca deu a entender que não deve mexer no time que empatou com a Ponte Preta na última quinta-feira. O grande “senão” dessa atitude não está no esquema tático e no voto de confiança dado aos jogadores que entraram em campo. Está na maneira como as coisas são executadas. Naquele jogo, Celso Roth apostou num 4-2-3-1 que liberava Anderson para armar o jogo e soltava Eduardo Sasha e Valdívia pelos lados do campo. A equipe até se comportou bem nos primeiros minutos, mas acabou cedendo o empate (e quase perdeu o jogo) por dois motivos. O primeiro deles é a falta de movimentação e o espaço enorme entre os setores. No único momento em que um jogador resolveu se movimentar, Valdívia recebeu de Anderson e abriu o placar no Beira-Rio. Mas ficou nisso. O segundo (e talvez o mais importante) é a falta de confiança. O semblante dos jogadores colorados após o empate da Ponte Preta era o retrato de uma equipe que já havia perdido o jogo para ela mesma.

Contra o Corinthians, nesta segunda-feira, Lisca Doido deve repetir o time que empatou com a Ponte Preta. Se utilizar o mesmo 4-2-3-1 de Celso Roth, o novo técnico do Internacional terá que fazer com que sua equipe fique menos estática e seja mais vibrante em campo.

Leia mais ~> Lisca não deve fazer mudanças no time titular do Internacional

Diante do curtíssimo espaço de tempo para se implantar ou se modificar alguma coisa na equipe e nos jogadores, é preciso reconhecer que a missão de Lisca é quase impossível. Ainda mais quando se vê um elenco como vários nomes que poderiam reforçar qualquer time do país (como Vitinho, Seijas, Eduardo Sasha, Rodrigo Dourado, Nico López, Danilo Fernandes, dentre outros) jogando do jeito que estão jogando. O caso do Internacional extrapola qualquer questão técnica e tática. E isso precisa ficar muito claro. É quase um modus operandi do futebol brasileiro. Muitos dirigentes falam em “planejamento”, mas jogam tudo pela janela quando percebem que as coisas não estão funcionando dentro de campo. E quem é o primeiro a pagar o pato? O treinador. É a tentativa do “fato novo”, da “injeção de ânimo” no time. Os dirigentes colorados contrataram quatro treinadores no ano (sendo todos eles bastante questionáveis) buscando esse “elemento novo” para recolocar o time nos eixos. Não há planejamento que sustente uma situação dessas.

Fato é que Lisca tem apenas três partidas para manter o Internacional na primeira divisão. E para se tentar esse “milagre”, o treinador vai precisar de todo o elenco que tem à sua disposição. Diante disso, pelo menos na opinião deste que vos escreve, não há mais desculpa para não utilizar a experiência do meia Seijas e do atacante Nico López. Com os dois em campo, Lisca poderia reorganizar o Internacional num 4-1-4-1 forte na defesa com Anselmo protegendo a zaga, Vitinho e Eduardo Sasha acelerando pelos lados e fechando a linha de quatro no meio-campo quando o time for atacado. A organização das jogadas ficaria a cargo do venezuelano Seijas, que jogaria como uma espécie de “volante/meia” pela esquerda e até mesmo abrindo por aquele lado numa variação do esquema para um 4-4-2 em duas linhas tendo em Vitinho o companheiro de Nico López no ataque. Não é o momento de testes ou de experiências no time. Esse é o momento de se utilizar toda a força do plantel colorado para realizar o tal “Milagre das Três Partidas”.

Lisca Doido poderia mesclar a experiência de Seijas e Nico López com a polivalência de Vitinho e Eduardo Sasha num 4-1-4-1 de bastante movimentação ofensiva e força na defesa. O tempo curtíssimo para implantar qualquer filosofia tática na equipe do Internacional é o principal adversário do novo treinador colorado.

Leia mais ~> Confira as frases mais marcantes da chegada de Lisca ao Internacional

Nomes como Valdívia, Aylon, Andrigo, Ceará, Anderson, Gustavo Ferrareis, Fabinho, Fernando Bob, Alex e Ariel Nahuelpán também podem ser muito úteis nessa reta final de Campeonato Brasileiro. No entanto, como dissemos anteriormente, o grande adversário de Lisca é o tempo. E é por isso que a tendência é vermos um Internacional jogando muito mais na base do grito do que uma equipe jogando com um padrão tático mais eficiente do que o utilizado por Argel Fucks, Falcão e Celso Roth nos meses anteriores. Que os torcedores colorados me perdoem pelo pessimismo, mas não vejo muita saída para o Internacional no Brasileirão. E se o rebaixamento realmente acontecer, Lisca será o menos culpado (mesmo aceitando comandar o time por míseras três partidas e sem qualquer garantia de continuidade no clube). Se conseguir realizar o “Milagre das Três Partidas”, ele será transformado no “Salvador da Pátria”. Se falhar em sua missão, ele deixará o Inter no final do ano e tentará comandar outra equipe. E vida que segue.

Nenhum esquema tático, nenhuma estratégia de jogo e nenhum planejamento consegue sobreviver quando a diretoria de um clube resolve “brincar de administrar um time”. Na prática, foi isso que aconteceu ao Internacional. As escolhas equivocadas dos dirigentes (baseadas no “achismo” e na tentativa de se reviver os “bons tempos do passado”) acabaram afundando a equipe nesse ano. Não é exagero nenhum dizer que nem mesmo eles acreditavam nas suas palavras. Provas disse foram as demissões de Falcão e Celso Roth que, pelos seus históricos recentes como treinadores, jamais deveriam ter sido contratados. Faltou pensar mais profissionalmente e menos como torcedor. Ou você realmente acha que esses mesmos dirigentes não vão se vangloriar de terem livrado o Internacional do rebaixamento caso o “Milagre das Três Partidas” realmente aconteça? Amigo, esse é o nosso futebol…