PAPO TÁTICO: Veja os méritos e trunfos do Palmeiras campeão brasileiro de 2016

Difícil falar algo do Palmeiras que já não tenha sido mencionado por algum jornalista ou algum torcedores extasiado com a conquista do título brasileiro de 2016. E não é pra menos. Foram dezenove rodadas na liderança, o segundo melhor ataque e a melhor defesa da competição. Cuca conseguiu realizar a mistura perfeita entre a experiência de nomes mais calejados como Zé Roberto, Jean e Edu Dracena (que nem titular vinha sendo) com a juventude de Gabriel Jesus e Roger Guedes. E isso sem mencionar as “descobertas” e “apostas” do treinador alviverde, como Jailson, Fabiano, Tchê Tchê e Moisés. Na vitória sobre a Chapecoense, vimos o Palmeiras fazer exatamente aquilo que fez durante todo o Campeonato Brasileiro: intensidade nas tramas ofensivas, encaixes individuais, velocidade e boa compactação defensiva. O título de 2016 está em ótimas mãos.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Site oficial do Palmeiras

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Certa vez, quando Cuca ainda comandava o Fluminense, ouvi o treinador afirmar que um time que desejava jogar um futebol de alto nível precisava de volantes de ótima qualidade no passe. O Palmeiras de 2016 tem essa característica. Tchê Tchê, Jean e Moisés defendem e atacam com muita qualidade. Aliás, todas as jogadas do Verdão tinham o carimbo de um desses três na vitória sobre a Chapecoense. Vale destacar aqui a grande atuação do volante/meia Moisés. O camisa 28 começou a partida jogando mais alinhado a Tchê Tchê, no 4-3-3 preferido de Cuca. Diante do bom volume de jogo do adversário (e do nervosismo do time), o jogador passou a atuar mais próximo de Dudu e Roger Guedes, redesenhando a equipe num 4-2-3-1 em alguns momentos. A Chape de Caio Júnior até que levava perigo armada num 4-1-4-1, mas o (belíssimo) gol de Fabiano tratou de acalmar os ânimos dos jogadores do Palmeiras.

O volante Moisés foi o nome do jogo na Allianz Parque com muita movimentação e ótimos passes para o trio ofensivo palmeirense. A Chapecoense até tinha bom volume de jogo no 4-1-4-1 de Caio Júnior, mas o belo gold e Fabiano tratou de acalmar os ânimos e colocar as coisas em ordem.

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Com a vantagem no placar, Cuca tratou apenas de corrigir alguns problemas no posicionamento da equipe e mandar seus jogadores administrarem o resultado, já que o Flamengo vencia o Santos no Maracanã. A Chapecoense tentou adiantar as suas linhas e reforçar a marcação com a entrada do voluntarioso Gil no lugar de Cléber Santana (talvez já guardando fôlego para a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional na Colômbia). A posse de bola, o passe em profundidade e a marcação encaixada continuaram sendo as marcas registradas do Palmeiras, mas sem a mesma intensidade da primeira etapa. O técnico Caio Júnior percebeu isso e mandou Ailton Canela e Kempes nos lugares de Tiaguinho (mais um poupado) e Bruno Rangel. Cuca, por sua vez, respondeu com Thiago Santos e Gabriel mais presos na frente da zaga e Moisés mais centralizado num 4-2-3-1. Com calma e acompanhando o relógio, o Verdão segurou o placar até o apito final e pôde, finalmente, soltar o grito de “campeão”. E com toda a justiça.

Caio Júnior manteve o 4-1-4-1, mas deu sangue novo ao time e adiantou as suas linhas em busca do gol de empate. Cuca percebeu o relaxamento natural do Palmeiras e respondeu com Gabriel e Thiago Santos protegendo a zaga e soltando Moisés num 4-2-3-1 mais nítido.

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O Palmeiras campeão brasileiro de 2016 pode ser classificado como uma equipe séria, disciplinada e compenetrada. O time de Cuca tem grandes jogadores, alguns candidatos a craques (como o jovem Gabriel Jesus), joga um futebol vibrante e ofensivo. Mas não tem nenhum receio de jogar “pro gasto” e “pra ganhar”, sem pensar em dar espetáculo, como aconteceu nessas últimas rodadas desse Campeonato Brasileiro. Por isso este que vos escreve falou em seriedade e disciplina. Você pode não gostar o jeito com que a equipe atua (com a marcação encaixada e chegando ao ataque numa “bagunça organizada”), mas não pode negar que a estratégia deu certo nesse segundo semestre. Junte-se a isso as boas contratações feitas pela diretoria alviverde e a qualidade de Cuca para “descobrir” e “recuperar” jogadores. Com todos esses ingredientes, não havia como dar errado. As dezenove rodadas na liderança do Brasileirão provam essa teoria.

Talvez o retrato da coesão e da união dessa equipe tenha sido a entrada do goleiro Fernando Prass no final da partida depois de um longo tempo no departamento médico se recuperando de uma lesão. E o melhor time do Brasil é também o de melhor média de público. A participação da torcida na Allianz Parque foi incrível e será muito importante na Copa Libertadores da América de 2017, grande sonho da diretoria alviverde. Resta saber se Gabriel Jesus, de saída para o Manchester City de Guardiola, terá um substituto a altura, e se Cuca continuará sendo o técnico da equipe no ano que vem. Mas, ainda falando do título, como não aplaudir a perseverança de Jailson, goleiro que fez a sua primeira partida na primeira divisão aos 35 anos e não perdeu um jogo sequer defendendo o gol do Palmeiras?

Amigos, o título brasileiro de 2016 não poderia ser mais imponente. Parabéns, Palmeiras!