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PAPO TÁTICO: A vitória mais fácil da “Era Tite” na Seleção Brasileira

O título desta análise tática não é fruto de nenhum exagero de percepção deste que vos escreve, caros amigos. A expectativa levantada aqui mesmo neste espaço era a de que Tite faria o seu maior teste na noite desta quinta-feira, contra a sempre temida Argentina, no Mineirão (palco do famigerado 7 x 1 contra a Alemanha). No entanto, conforme as coisas iam se desenrolando, ficou claro que o Brasil tinha o controle da partida. Os três a zero ficaram barato demais para Messi, Higuaín e Edgardo Bauza. Não seria nada injusto se o placar apontasse sete a um para o Brasil tamanha a facilidade que Philippe Coutinho, Neymar e companhia encontraram para jogar. É por isso que eu vou repetir: a vitória diante da Argentina foi a mais fácil da “Era Tite”. Mais até do que a Bolívia.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Reprodução / Twitter / FIFA World Cup

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Não tivemos nenhuma surpresa quando a bola rolou no Mineirão. Tanto Brasil como Argentina entraram em campo armados nos esquemas táticos já anunciados pelos seus treinadores. O escrete canarinho usava e abusava das movimentações e variações do 4-1-4-1 preferido de Tite e a Albiceleste buscava compactar os seus setores num 4-4-2 mais ortodoxo de Edgardo Bauza. A grande diferença entre as duas equipes, no entanto, estava na execução dos dois desenhos táticos. Enquanto o Brasil se mostrava muito mais envolvente na transição para o ataque, a única jogada da Argentina era a bola nos pés de Messi. E só. Com a já conhecida dinâmica do time comandado por Tite, os gols não demoraram a sair: Philippe Coutinho abriu o placar numa arrancada pela esquerda e Neymar faria o segundo após belo passe de Gabriel Jesus. Fácil.

O Brasil engoliu a Argentina na primeira etapa usando e abusando das variações do 4-1-4-1 de Tite. Do outro lado, o 4-4-2 ortodoxo e pragmático de Edgardo Bauza não funcionou como o esperado.

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O gol marcado por Philippe Coutinho merece um destaque maior e uma explicação mais detalhada. Em alguns momentos do jogo na primeira etapa, não era raro ver o camisa 11 jogando mais por dentro e buscando se movimentar às costas de Mascherano e Biglia (os volantes do 4-4-2 de Bauza) e buscando a troca de posições com Gabriel Jesus e Neymar. Foi numa dessas incursões que saiu o primeiro gol brasileiro no Mineirão. E essa disposição tática não parou nem quando o Brasil era atacado: Coutinho fechava o meio e Renato Augusto abria pela direita, abrindo o corredor para as subidas de Daniel Alves. Quando Bauza percebeu a mudança no posicionamento brasileiro já era tarde demais. Ponto para Tite e méritos também para Paulinho e Fernandinho, que não deixaram a peteca cair na marcação a Messi e Higuaín.

Philippe Coutinho saiu da direita e veio jogar por dentro, às costas de Mascherano e Biglia. Com Renato Augusto fechando o lado direito, o camisa 11 teve liberdade para chegar ao ataque e ainda marcou um belo gol.

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Logo depois do intervalo, Bauza mandou Kun Agüero pro jogo e sacou o perdido Enzo Pérez, rearrumando a Argentina numa espécie de 4-2-4 “torto”, com o camisa 7 e Higuaín embolando pelo meio e Messi um pouco mais atrás tentando a bola longa para Di María. O Brasil não se intimidou com o ímpeto inicial da Albiceleste (e nem com os pontapés dos adversários) e se fechou na defesa para aproveitar os contra-ataques. O terceiro gol quase saiu com Paulinho, em bola rebatida dentro da área e tirada por Zabaleta em cima da linha. Quatro minutos depois, o mesmo Paulinho aproveitava cruzamento de Renato Augusto e fazia o terceiro do Brasil. E ficou barato. A Seleção Brasileira ainda perderia boas chances de ampliar com Neymar, Gabriel Jesus e Firmino. Enquanto tudo dava certo para o Brasil, a Argentina caía pelas tabelas.

Bauza tentou mandar a Argentina ao ataque com as entradas de Correa e Agüero nos lugares de Enzo Pérez e Di María. Só que o 4-2-4 “torto” não foi páreo para a boa atuação do Brasil.

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O jogo desta quinta-feira consolidou a ascensão da Seleção Brasileira no continente sul-americano. O discurso que dizia que “a geração é mimada e fraca” e que “o Brasil não vai pra Copa do Mundo” deu lugar à euforia e ao velho discurso ufanista que eu e você conhecemos. O que aconteceu nestas cinco últimas partidas foi apenas a implementação de uma estratégia de jogo eficiente por um grande técnico. E só. Tite entendeu que a Seleção precisava de organização tática e que os jogadores precisavam de um afago. Com menos pressão e com mais foco nos treinamentos, o Brasil “voltou a ser o Brasil que eu e você conhecemos”. Há espaço para a improvisação, para o drible e para a jogada individual. Mas tudo isso e feito dentro de uma proposta de jogo sólida e bem desenvolvida junto aos atletas. Isso é tática, meus amigos.

A vitória dá uma injeção de moral imensa em jogadores e comissão técnica. A grande atuação do escrete canarinho (e a noite tenebrosa de Messi e companhia) transformou o “compromisso dificílimo” em partida fácil. Sem exageros. Apesar de toda a crise por que passa a Albiceleste (dentro e fora de campo), nem o mais otimista dos torcedores esperava um placar tão elástico e uma facilidade tão grande para se chegar à área adversária. E fica até difícil tentar entender por que a Argentina anda jogando tão mal assim. O elenco (apesar de ser mais fraco do que o da Copa de 2014) tem jogadores de muita qualidade como Mascherano, Di María, Biglia, dentre outros. Pelo que se viu no Mineirão, a estratégia mais pragmática e conservadora de Bauza acabou esbarrando nos pés e na péssima fase dos jogadores portenhos.

Em tempo: o momento da Argentina pode ser resumida pela fala de Messi ao final da partida: “Tenemos que cambiar esta situación de mierda que estamos viviendo”. Que fase…