RETROSPECTIVA: Chapecoense, campeã da Copa Sul-Americana

Reprodução/Flickr Chapecoense

Os trágicos acontecimentos de 29 de novembro ainda estão vivos em nossa memória, mas nessa retrospectiva do Torcedores.com vamos relembrar apenas os bons momentos da brilhante campanha da Chapecoense na Copa Sul-Americana, que culminou com a conquista da taça, a qual não veio da maneira como desejávamos, mas sim em um nobre gesto do Atlético Nacional, aquele que seria o adversário na decisão.

As coisas começaram ruins para a Chape, que na primeira partida, foi derrotada por 1×0 diante do Cuiabá, na Arena Pantanal. No entanto, na volta, os comandados de Caio Júnior conseguiram reverter a desvantagem, mesmo saindo atrás do marcador, e triunfaram por 3×1, em noite de grande atuação do artilheiro Bruno Rangel, autor de dois gols, um deles aproveitando sobra de bola e outro emendando belo chute. O outro tento foi anotado pelo jovem Lucas Gomes, pegando rebote de cobrança de falta.

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Classificada, a Chapecoense teria um time poderoso pela frente, o Independiente, famoso Rey de Copas, maior ganhador da Copa Libertadores da América. No primeiro jogo na Argentina, os catarinenses seguraram a pressão dos donos da casa e saíram com o empate sem gols. A volta foi eletrizante na Arena Condá, com uma atuação espetacular do goleiro Danilo. Depois do 0x0, a vaga foi decidida nas penalidades máximas e o paredão brasileiro defendeu quatro cobranças, de Benítez, Rigoni, Sánchez Miño e Tagliafico, levando o Verdão do Oeste às quartas de final.

Veio a fase seguinte e com ela o Junior Barranquilla, da Colômbia. O jogo de ida foi na casa do adversário e terminou com derrota por 1×0, em duelo marcado por incrível gol perdido por Ananias e mais uma boa atuação do goleiro Danilo, que evitou o pior. Na partida de volta em Chapecó, os comandados de Caio Júnior não deram qualquer chance aos colombianos e venceram por 3×0. Ananias abriu o placar ao completar cruzamento da esquerda vindo de Bruno Rangel. O segundo foi de Gil, pegando rebote do goleiro. A cada gol, o ídolo Danilo deslizava pelo gramado encharcado devido à chuva e Caio Júnior agradecia com o sinal da cruz. E coube ao zagueiro Willian Thiego fechar a conta, 3×0.

Quem diria que aquele time do interior de Santa Catarina, até então desconhecido no cenário sul-americano, estaria na semifinal da Copa Sul-Americana em sua segunda participação na história? A Chapecoense teria pela frente mais um campeão da América, o San Lorenzo, time do Papa Francisco, e foi à Argentina para sair com um bom resultado, 1×1. Saiu atrás do marcador, mas Dener escapou pela esquerda e cruzou na medida para Ananias dominar e bater sem chances para o goleiro, empatando o confronto. A volta, na Arena Condá foi histórica! Os 90 minutos foram bastante equilibrados, sem muitas chances, mas a melhor delas foi do time argentino. E a cena que será descrita merece até um parágrafo só dela.m

Eram 48 minutos do segundo tempo, falta pela direita para o San Lorenzo jogar bola na área. O técnico da Chapecoense, Caio Júnior, andava de um lado para o outro no banco de reservas, onde os jogadores do Verdão do Oeste rezavam. Cauteruccio alçou a redonda, que ficou viva e Angeleri chegou batendo. Danilo, de maneira espetacular, esticou a perna direita e defendeu para, em seguida, a defesa afastar. No banco, o comandante dos catarinenses pulou de alegria ao apito afinal e o camisa 1, herói, ajoelhou-se e agradeceu aos céus. A Chape estava na decisão! (Relembre no vídeo abaixo com narração eternizada de Deva Pascovicci).

Infelizmente, a final nunca foi disputada em virtude do trágico acidente que vitimou 19 jogadores, membros da comissão técnica e dirigentes. Ela aconteceria contra outro poderoso da América do Sul, o Atlético Nacional da Colômbia, atual campeão da Copa Libertadores. Mesmo sem a disputa da decisão, em um gesto nobre dos colombianos, que abdicaram da taça, o título foi dado à Chapecoense.

Reprodução/Flickr Chapecoense
Da esquerda para direita – Em pé: Danilo, Caramelo, Cléber Santana, Willian Thiego, Neto e Josimar. Agachados: Kempes, Gil, Thiaguinho, Ananias e Dener. (Reprodução/Flickr Chapecoense)