Opinião: Clubes brasileiros foram oportunistas no caso Chapecoense

Após praticamente um mês do acidente aéreo que vitimou 71 pessoas e envolveu a delegação da Chapecoense e jornalistas brasileiros, é possível realizar alguns balanços.

Bruno Barbato
Colaborador do Torcedores

Crédito: Divulgação/Chapecoense

O principal é que muitos clubes do Brasil vieram a público para dizer que ajudariam a Chape, e quase todos citando empréstimo de jogadores para a equipe catarinense.

No entanto, recentemente, dirigentes do clube de Chapecó e o próprio treinador, Vagner Mancini, demonstraram a decepção com as “ofertas” recebidas.

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Bom, o que muitos clubes parecem ter feito? Fizeram suas próprias divulgações e não mediram esforços para montar uma lista adequada de reforços para os catarinenses. Ou seja, me parece muito mais oportunismo da parte de alguns clubes do que propriamente a solidariedade.
A Chapecoense vem reclamando, afinal, o time que ela quer montar tem de estar próximo ao que encantou no fim de 2016, com padrão de jogo, forte sistema defensivo e muita determinação, com o apoio do torcedor na Arena Condá.
Devemos lembrar que em 2017, a Chape vai disputar a Libertadores da América, o Brasileirão, o Catarinense, a Recopa, a Copa Suruga, e por ai vai. Não bastam “refugos” dos clubes brasileiros, pois são jogadores encostados para um dos melhores times do Brasil em 2016.

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João Carlos Maringá, diretor de futebol da Chape, falou sobre essas ajudas, e revelou que apenas o Palmeiras fez uma proposta boa.
“O Palmeiras foi o único que abriu uma lista de jogadores e nos falou: ‘Escolham os que lhes agradam e nós veremos a disponibilidade’”, ele disse.
Uma pena, pois não foi o que se desenhou há 1 mês, quando aconteceu o acidente trágico. E uma pena maior ainda se analisarmos propostas de clubes do exterior, como do próprio Atlético Nacional, que simplesmente abriu mão da competição no mesmo dia.
Estamos falando de um time que vinha pra ganhar tudo na temporada e era favorito. Nem dividiu, ele cedeu para a Chapecoense, abriu mão dos valores em dinheiro do prêmio e abraçou os catarinenses. A homenagem no estádio em Medellín foi um dos momentos marcantes de 2016.
Deve ficar essa reflexão. Ainda está em tempo de colaborar. Os clubes precisam se unir.