Opinião: Vitória e a saga de Mário Sérgio, o Marinho

Giuliano Gomes / PR Press

Principal peça do Vitória em 2016, Mário Sergio, o irreverente Marinho, é o o jogador que mais tem causado burburinho no mercado da bola nesse fim de temporada.

Marinho chegou ao Vitória em janeiro por empréstimo junto ao Cruzeiro. Em junho, o contrato que era válido até dezembro desse ano foi (inteligentemente) estendido para o fim de 2018 com 50% dos direitos econômicos do atleta garantidos ao Vitória. As boas atuações do atacante já no início da temporada agradaram os dirigentes e, principalmente, a torcida rubro-negra que, desde então, já considerava Marinho o nome mais forte da equipe ao lado de Kieza, que não teve o rendimento esperado durante o ano.

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Passado o título baiano, o Vitória iniciou o Campeonato Brasileiro com uma vergonhosa derrota para o Santa Cruz, em Recife. Desde então, o time foi uma verdadeira caixinha de surpresas: venceu partidas desacreditadas, perdeu (muitos) pênaltis, goleou e levou goleada. E nesses altos e baixos, um protagonista: Marinho.

O grande nome do time tem razão de ser. Fez gol, deu assistência, driblou, marcou. Foi o jogador que mais sofreu faltas no campeonato, o que indica o força e a ousadia de jogo de Marinho. Corria o campo inteiro, ajudava no que podia, voltava pra marcar. Foi a estrela do time a temporada inteira, mas o destaque veio mesmo nas últimas rodadas. Foi o protagonista do fim do campeonato.

Lutando pelo rebaixamento, o Vitória precisava conquistar bons resultados. E foi aí que a estrela, que já brilhava, chamou ainda mais atenção. Foi decisivo nas partidas, marcou gols incríveis e acredito que, principalmente, deu fôlego ao Vitória num momento em que os olhos do Brasil estavam voltados para o Leão por dois motivos: porque o desfecho do caso do zagueiro Victor Ramos no STJD poderia resultar no primeiro rebaixamento do Internacional de Porto Alegre e, não menos importante, porque todo mundo ainda queria saber o que poderia sair dos pés de Marinho. E não se arrependeram.

Fim de campeonato, rebaixamento do Internacional, arquivamento do caso Victor Ramos, confirmada a permanência do rubro-negro baiano na série A e mudança administrativa.

O Vitória encerrou o ano de forma com mudança no conselho deliberativo e a nova dirigência já chegou com um desafio diante a torcida: manter Marinho no elenco. Difícil, mas não impossível. Os clubes do Nordeste costumam ter receita largamente inferior aos grandes times do eixo sul-sudeste.

Competir com Botafogo, Flamengo e Santos, por exemplo, que demonstraram interesse no atleta, parece uma missão praticamente perdida. No entanto, o preço a ser pago é proporcional ao estrelismo de Marinho nas negociações de fim de ano.

Sinval Vieira, novo diretor de futebol do Leão, afirmou que o camisa 7 só deixa o clube com o pagamento da multa rescisória, que é algo em torno de 18 milhões de reais. Sinval disse ainda que a dirigência não pretende envolver pagamento parcial e troca de jogadores na negociação. O preço elevado tem “facilitado” a permanência do atleta no clube, para alegria da torcida.

O desenrolar dos fatos agora fica nas mãos dos pagadores, que devem escolher pagar ou não o valor da multa rescisória e acreditar que o bom desempenho de Marinho se repetirá na temporada que vem. Resta apostar, pagar e esperar pra ver. Não há como esperar pouco de uma estrela que alcançou grandes números no Campeonato Brasileiro, foi artilheiro da Copa do Brasil, marcou golaços, livrou um time do rebaixamento, mitou nas entrevistas pós-jogo e caiu nas graças dos amantes de futebol.

Para felicidade do futebol baiano, que ele fique. A torcida rubro-negra agradece.