PAPO TÁTICO: Como encaixar Walter Montillo no time do Botafogo

Crédito da foto: Ricardo Saibun / Divulgação / Santos FC

Não é nenhum exagero afirmar que a contratação do argentino Walter Montillo pelo Botafogo é, sem dúvida, a notícia mais impactante desse finalzinho de 2016. Nenhum outro clube do Brasil anunciou (pelo menos até agora) a chegada de um atleta da qualidade do ex-jogador de Universidad de Chile, Cruzeiro e Santos. Com o camisa 7 em campo, o Botafogo ganha ainda mais qualidade e criatividade na criação das jogadas, mais poderio ofensivo (um dos pontos fracos da equipe na reta final do Campeonato Brasileiro) e mais uma peça importante para encarar os jogos da extensa Copa Libertadores da América de 2017. Seja quase como um segundo atacante ou como um ponta de lança à moda antiga, Montillo tem tudo para dar certo em General Severiano. E o argentino se encaixa como uma luva no esquema do técnico Jair Ventura.

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A grande missão do técnico alvinegro é fazer com que Montillo e Camilo joguem juntos, visto que os dois ocupam mais ou menos a mesma faixa do campo e possuem características semelhantes. A inspiração para resolver essa questão pode estar num passado nem tão distante assim, mais precisamente no Milan de Carlo Ancelotti. O técnico campeão da Liga dos Campeões da Europa de 2006/07 conseguiu encaixar Kaká, Pirlo, Seedorf e Inzaghi no mesmo time utilizando o 4-3-2-1, esquema que ficou conhecido como “árvore de Natal”. Enquanto o brasileiro chegava ao ataque quase como um segundo atacante (com as famosas arrancadas que o tornaram o melhor do mundo naquele ano), o ex-botafoguense Seedorf equilibrava as ações pelo lado oposto dando o suporte para que o grande Pirlo qualificasse a saída de bola. Tudo era feito com muita disciplina tática e bastante movimentação.

O Milan de Carlo Ancelotti marcou época atuando no 4-3-2-1 (a “árvore de Natal”) com Kaká arrancando pela direita, Seedorf armando o jogo e Pirlo organizado a saída de bola. O título da Liga dos Campeões de 2006/07 veio depois do time rossonero superar gigantes como o Manchester United, o Bayern de Munique e o Liverpool.

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Guardadas as devidas proporções com a época e com os atletas mencionados, há como o técnico Jair Ventura repetir o esquema tático para encaixar Camilo e Montillo na mesma equipe. É preciso deixar claro, no entanto, que tanto um como o outro terão que participar da recomposição defensiva, seja perseguindo os volantes adversários ou fechando a linha de quatro jogadores no meio-campo. Nesse cenário, vale a pena apostar atletas recém-contratados pela diretoria alvinegra, como o atacante Roger e o meio João Paulo. A trinca de volantes de Jair Ventura seria mantida com Airton organizando a saída de bola e Bruno Silva saindo mais pela direita e fechando o meio-campo por ali. Mais à frente, Montillo seria o “ponta de lança à moda antiga”. Tal como Camilo pelo lado oposto. A tendência é termos um time vertical, mas de passes curtos, jogadas fortes pelas laterais e com a mesma qualidade no setor defensivo.

Jair Ventura pode utilizar o mesmo 4-3-2-1 de Ancelotti para encaixar Montillo e Camilo no time. Com os dois se movimentando atrás de Roger, volantes e laterais teriam espaço para chegar no ataque e dar mais opções ofensivas ao time. Pode dar certo.

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Também é possível armar o Botafogo no conhecido 4-2-3-1 que ainda vai demorar muito para sair “de moda” na opinião deste que vos escreve. Nesse desenho tático, João Paulo daria lugar a Rodrigo Pimpão (ou qualquer outro jogador de velocidade). O argentino Montillo seria o principal articulador das jogadas se movimentando por todo o campo e abrindo espaços para a entrada de Camilo (que seria muito mais um “meia pela esquerda”) e Pimpão em diagonal para a tabela com Roger ou o arremate a gol. O volante Bruno Silva também teria papel importante nesse esquema, encostando no ataque como um “quarto meia”. A proposta tática, embora bastante ofensiva (quase um 4-2-4) exigiria que os jogadores de frente participassem ainda mais da recomposição defensiva. Mesmo assim, é uma formação que pode ser testada nos jogos do Campeonato Carioca e nas partidas menos complicadas da Libertadores da América.

Há como se pensar no Botafogo jogando no conhecido 4-2-3-1 com Rodrigo Pimpão Camilo atuando mais abertos e Montillo centralizado. O esquema, embora ofensivo, exigiria bastante do trio de meias na recomposição defensiva.

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Nem é preciso dizer que todas as formações apresentadas acima requerem treinamento, repetição e muito trabalho. Além disso, o argentino Montillo (mesmo aos 32 anos de idade e vindo do fraco futebol chinês) cairia muito bem em qualquer grande time do Brasil. Agora, cabe à diretoria do Botafogo a tarefa de dar as condições necessárias para que Jair Ventura deixe o time ainda mais forte, seja com a manutenção da base de 2016 (incluindo a renovação dos contratos de jogadores como Alemão e Victor Luís e o retorno de Jefferson aos gramados) e a chegada de mais reforços para encarar o duro o Campeonato Carioca (que pode ser utilizado como “laboratório” para testes na equipe) e para o duelo contra o tradicional Colo-Colo pela Libertadores da América. Diante de tudo o que foi falado aqui, não é exagero nenhum afirmar que o Glorioso tem tudo para repetir esse ano e surpreender seus adversários mais uma vez.

A coluna PAPO TÁTICO aproveita para desejar a todos um ótimo Natal. Paz e prosperidade para todos!



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.