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PAPO TÁTICO: O Santos de Dorival Júnior e a linha de cinco defensores (sim, pode dar certo)

Não é nenhuma novidade. Costa Rica, Holanda, Itália, Chelsea, Borussia Dortmund, Sevilla, Manchester City. Todas essas equipes já utilizaram a famosa “linha de cinco defensores” nos últimos meses. E no ano que vem pode ser a vez do Santos. O técnico Dorival Júnior já avisou que vai testar o 5-3-2 (ou 5-4-1 dependendo da movimentação dos jogadores) na pré-temporada do Peixe, a partir do dia 11 de janeiro. A tal linha de cinco vem sendo utilizada com frequência desde a Copa do Mundo de 2014 e quase sempre com bons resultados. Mas esse desenho tático daria certo no Brasil? Times leves e de bom toque de bola como o próprio Santos não seriam prejudicados? Não seria o “anti-futebol” tomando conta do cenário brasileiro? A verdade, meus caros amigos, é que tudo passa pela EXECUÇÃO CORRETA da proposta de jogo. E sim, o 5-3-2 pode dar certo no Peixe.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Ivan Storti / Santos FC

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Como falamos acima, o 5-3-2 não é nenhuma novidade. O sistema deu o ar da graça na Copa do Mundo de 1990, quando o técnico Franz Beckenbauer fez a Alemanha Ocidental “inverter a pirâmide” e armou sua equipe com os laterais mais próximos dos três jogadores de defesa. Vinte e quatro anos depois, aqui no Brasil, a Holanda de Louis Van Gaal goleou a Espanha (então campeã mundial) jogando um futebol pragmático, porém bastante eficiente. Mas quem surpreendeu mesmo foi a Costa Rica comandada pelo técnico Jorge Luís Pinto. A linha de cinco defensores dava a solidez defensiva necessária contra adversários mais fortes e os velozes Bryan Ruiz, Bolaños e Campbell eram a garantia de um contra-ataque quase mortal. As vitórias sobre Uruguai e Itália não foram obras do acaso, e sim resultado de um trabalho tático eficiente e bem compreendido pelos jogadores costarriquenhos.

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A Costa Rica se transformou na sensação da Copa do Mundo de 2014 ao vencer Uruguai e Itália utilizando o 5-3-2. Além de solidez defensiva, o time de Jorge Luís Pinto contava com um contra-ataque mortal. Uma das equipes mais organizadas do Mundial do Brasil.

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Dois anos depois, com a chegada do italiano Antonio Conte ao futebol inglês, foi a vez do Chelsea utilizar o sistema tático. Jogando quase como um relógio, mas sempre dando espaço para as “improvisações” dos seus talentosos jogadores, os Blues chegaram à liderança da Premier League e dão pinta de que vão chegar longe na temporada. O zagueiro David Luiz se encaixou como uma luva no esquema tático utilizado pela equipe de Stanford Bridge. Assim como Azpilicueta, Cahill, Moses, Alonso (os “alas” do 5-3-2), Hazard e Diego Costa. As vitórias sobre o Manchester City de Pep Guardiola (que também utiliza o esquema) e a sequência de bons resultados no campeonato mais importante da Inglaterra mostram que a linha de cinco defensores é tudo, menos resultado de uma proposta mais defensiva como querem colocar alguns colegas de imprensa. De novo: é preciso executar bem o sistema tático antes de qualquer coisa.

O Chelsea de Antonio Conte lidera a Premier League com 14 vitórias em 17 partidas utilizando a linha de cinco defensores com perfeição. Até mesmo o criticado David Luiz se encaixou como uma luva no esquema tático.

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O técnico Dorival Júnior sabe que essa formação pode dar mais solidez defensiva sem destruir aquilo que a equipe do Santos tem de melhor: a mobilidade e a velocidade. A ideia de Dorival é aproveitar apenas um zagueiro de área (David Braz ou o recém-chegado Cléber) e dois volantes na linha de cinco defensores, justamente para melhorar a saída de bola e qualificar o primeiro passe. Mais à frente, Thiago Maia e Lucas Lima (este jogando um pouco mais recuado do que o que estamos acostumados a ver) organizariam as jogadas de ataque sempre com a companhia dos alas Victor Ferraz e Zeca, dos velozes Copete e Victor Bueno e do sempre competente Ricardo Oliveira no ataque. É possível sim implantar o 5-3-2 (ou 5-4-1) no Peixe. Mas é preciso treinar e se dedicar. E pelo que eu e você temos visto por aí, a linha de cinco defensores não é sinônimo de equipe pragmática. É apenas mais um sistema de jogo.

Uma formação possível do Santos no 5-3-2 teria Renato e Yuri jogando na linha de cinco defensores, Thiago Maia e Lucas Lima armando o jogo e Copete e Victor Bueno encostando em Ricardo Oliveira. Pelo elenco que Dorival Júnior tem à disposição, o sistema pode sim ser implantado no Peixe.

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Qual é a semelhança entre Holanda, Costa Rica e Chelsea, além de Sevilla, Manchester City, Juventus e Borussia Dortmund? Todos eles utilizam (ou utilizaram) o esquema tático em algum momento nos últimos meses e souberam tirar o melhor dele. A linha de cinco defensores permite ter superioridade numérica na pressão sobre o adversário. Se uma equipe pressiona com dois ou três jogadores, o sistema permite ter uma cobertura de quatro jogadores se o adversário escapa dessa pressão e um zagueiro persegue esse jogador. Já no ataque, o grande trunfo desse desenho tático (lembramos: se bem executado) é a mobilidade e a força ofensiva. Os alas viram pontas à moda antiga, os meias viram atacantes e os volantes se transformam em armadores. É daí que vem a necessidade de se ter jogadores versáteis no elenco, principalmente com bom passe e ótima visão de jogo para executar bem essa proposta tática. E o Santos possui esses atletas.

Ainda se encontra muita resistência a ideias novas aqui no futebol brasileiro, seja ela vinda de jogadores, treinadores, torcedores ou jornalistas. Para alguns, a linha de cinco defensores representa um “retrocesso”, a volta do “anti-futebol”. Mas o que se vê na prática é exatamente o contrário. Os times ganham solidez na defesa sem perder o poderio ofensivo, chegando ao ataque com até sete jogadores em alguns momentos. É preciso treinar, testar jogadores e encontrar a melhor maneira de jogar. E pelo que se viu do Santos e de Dorival Júnior em 2016, a ideia tem tudo para dar certo.