Repórter da Fox Sports tirava de colega o medo de avião: “Isso não cai”

O Brasil e o mundo ainda choram a tragédia que envolveu a delegação da Chapecoense na última segunda-feira. Acompanhado de jornalistas e convidados, o clube de Santa Catarina viajava à Medellín quando o voo da empresa Lamia se chocou contra montanhas por falta de combustível antes de chegar ao aeroporto. Ao todo, 71 pessoas perderam a vida, dentre elas o repórter Victorino Chermont, repórter da Fox Sports.

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Reprodução/Facebook - Milton Leite

Para Chermont, esta seria apenas mais uma dentre as tantas viagens que fazia ao longo de sua carreira. Um dos principais repórteres da Fox Sports, ele se preparava para cobrir o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana entre Atlético Nacional e Chapecoense. Victorino, que nunca demonstrou medo de avião, esteve no voo que nunca chegou.

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A serenidade e a tranquilidade habitual do repórter da Fox servia até como incentivo para outros colegas que temiam andar de avião. Esse era o caso de Rogério Siciliano, cinegrafista do canal e amigo pessoal de Victorino. Em entrevista publicada pelo UOL, ele relembra como o companheiro o tranquilizava.

“Eu não consigo acreditar, não pode ser. O cara que mais deu força nessa luta contra os aviões perdeu a vida justamente em um voo. É muito difícil”, contou Rogério, muito abalado com a tragédia. Além de Victorino Chermont, a Fox perdeu outros três ilustres profissionais conhecidos do grande público: Mário Sérgio, Deva Pascovicci e Paulo Júlio Clement.

Com o costumeiro bom humor, Victorino Chermont tranquilizava Rogério e garantia que “essa p… não cai”, em referência aos voos.

“A memória fica viva na minha cabeça. Ele sempre falava: ‘Rogério, você mora em Madureira [subúrbio do Rio de Janeiro], está acostumado com tiro e um monte de coisa pesada. Vai ter medo de avião? Não pode. Essa p… não cai, isso não cai. Confia em mim’. Ele dizia para voar com ele, para acompanha-lo nas pautas”, acrescentou Siciliano.

O cinegrafista, que garante que nunca mais vai andar de avião, relembra a única viagem que fez ao lado do repórter. Em 2013, eles foram juntos para São Paulo cobrir os desdobramentos do caso dos corintianos envolvidos na tragédia de Oruro, na Bolívia, quando um sinalizador lançado pela torcida paulista matou um jovem torcedor boliviano.