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XV de Piracicaba, do inferno ao céu: veja como foi o 2016 do Nhô Quim

Muitos torcedores baseiam como o seu time se portará durante a temporada pelo que jogou em sua competição regional. Isso não acontece apenas com times que disputam as grandes competições nacionais, como a Série A ou a Série B, mas também em competições de menor porte. Se ainda há torcedor que se preocupa, além da conta, quando seu time de coração não vence o torneio estadual, imagina para o torcedor do XV de Piracicaba que viu seu time ser rebaixado no Campeonato Paulista, mas que mesmo com todas adversidades, o time se portou bem, soube reagir e acabou o ano como campeão da Copa Paulista.

Redação Torcedores
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Crédito: Foto: Divulgação/ Alexandre Battibugli/FPF

O XV de Piracicaba é um time muito antigo e tradicional do interior de São Paulo. Apelidado de Nhô Quim, tem como mascote o caipira que simboliza o torcedor piracicabano em sua descendência italiana. Fundado em 1913, o mais que centenário XV tem em sua galeria de troféus – como principal título conquistado em sua história-, o Campeonato Brasileiro da Série C, conquistado em 1995. Depois de de 21 anos, o Nhô voltou a ter um título de grande importância, mas veio depois de um início de temporada de decepções para o torcedor.

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2016 tinha tudo para ser desastroso para o torcedor piracicabano. Após 5 temporadas disputando a primeira divisão da principal competição de São Paulo, o XV de Piracicaba sofreu o rebaixamento após terminar em quarto-lugar no grupo C. A equipe ficou a dois pontos da Ferroviária, time que viria a se encontrar mais a frente, todavia em outra competição.

No Campeonato Paulista, o XV conquistou apenas 15 pontos em 15 partidas disputadas. Um péssimo desempenho. O time conquistou somente 3 vitórias. Nos outros 12 jogos, foram 6 derrotas e 6 empates. Que não foram suficientes e fez com que a equipe ficasse a dois pontos da Ferroviária, que conseguiu escapar na última rodada ao empatar com o Linense.

O rebaixamento veio na partida contra o Oeste. O XV precisava vencer e ainda torcia por um resultado negativo na partida da Ferroviária. Mas tudo já parecia desandar ainda no primeiro tempo, quando Mazinho abriu o placar para o Oeste. O empate até veio, porém tarde demais, quando o zagueiro Oswaldo empatou nos acréscimos.

Foto: Divulgação/ Site Oficial do XV de Piracicaba


XV DE PIRACICABA NO CAMPEONATO PAULISTA

  • 15 JOGOS: 3 VITÓRIAS, 6 EMPATES, 6 DERROTAS
  • 12 GOLS MARCADOS, 19 GOLS SOFRIDOS
  • MAIOR VITÓRIA: 2 X 1 SÃO BERNARDO
  • MAIOR DERROTA: 1 X 4 PALMEIRAS, ITUANO

 

Parecia ser o fim para o torcedor piracicabano, que protestou muito nas redes sociais, mas que mesmo com esta grande adversidade não abandonou o time. O rebaixamento também causou problemas para a diretoria, sendo que o presidente Rodrigo Boaventura e seu vice Renato Bonfíglio pediram demissão do cargo. Em seus lugares entraram os empresários Celso Christofoletti e Ricardo Moura assumiram o comando do XV de Piracicaba e iniciaram a reformulação.

Mas as mudanças não pararam por aí. Além das mudanças ocorridas no departamento executivo do Nhô, foi preciso uma reformulação também no comando técnico da equipe. No lugar do treinador Luiz Carlos deu lugar a Cleber Gaúcho, que retornava para a equipe para melhorar o desempenho na disputa da Copa Paulista.

Dentro de campo, a nova diretoria também fez alterações e trouxe um atacante que foi de grande importância para a competição que disputaria e mais tarde conquistaria. Vindo do São Bento, o atacante Rafael Gomes chegou com a missão de fazer gols e se recuperar do complicado início de ano que teve no São Bento, onde não conseguiu render o esperado.

“Quando cheguei ao XV de Piracicaba, a autoestima estava um pouco baixa devido ao meu primeiro semestre em que não consegui demonstrar o que eu queria, no São Bento. Eu não conseguia dar continuidade aos jogos”, disse Rafael em entrevista exclusiva ao Torcedores.com.

Rafael Gomes estreou na vitória do XV de Piracicaba contra o Bragantino, por 2 a 0, saindo do banco de reservas. Entretanto, o primeiro gol veio duas rodadas mais tarde, quando saiu do banco para marcar e decretar a vitória contra o Paulista. Contra o mesmo clube que marcou seu primeiro gol, na 10ª rodada Rafael disputou sua primeira partida como titular, só que dessa vez com derrota do Nhô Quim. Dessa forma, o atacante voltou pro banco na partida contra o São Paulo e quando entrou, foi para confirmar de vez sua vaga dentro de campo, ao marcar um hat-trick. Com 9 gols, Rafael terminou a competição como artilheiro do time na Copa Paulista.

O atacante falou também sobre a esperança do XV depositada na Copa Paulista, pelo fato do rebaixamento sofrido no Campeonato regional: “Quando eu cheguei eu sabia que os torcedores estariam desconfiados, não é por menos. Eu via isso porque andava na cidade, via as redes sociais, e este título da Copa Paulista resgatou o orgulho do torcedor (…) resgatou também a esperança, o título trouxe novas esperanças, traz tudo novo, então viramos a página do rebaixamento e criamos uma nova esperança e se Deus quiser dará tudo certo para que este trabalho continue dando frutos positivos“.

Depois de tanto sofrimento, enfim veio o título em uma vitória sofrida nos pênaltis contra aquela mesma Ferroviária. Se no primeiro jogo a situação parecia que seria bem tranquila, o segundo foi tudo diferente. Na partida de ida da final, com dois gols de Rafael Gomes, o Nhô Quim abriu a vantagem por 2 a 0. Já no jogo de volta, a Ferroviária rapidamente abriu o placar, mas não parou por aí logo depois fez o segundo. Com a partida finalizada, os jogadores piracicabanos voltaram do intervalo com mais ânimo, entretanto rapidamente veio mais um baque, a equipe tomava o terceiro gol que dava o título ao dono da casa.

Por mais que a gente tinha feito uma boa vantagem em casa, a gente sabia que a Ferroviária era uma excelente equipe, que viria para nos encurralar, mas não esperávamos tomar dois gols tão rápidos como a gente tomou. Tomamos um susto, torcemos para o primeiro tempo acabar rápido para poder voltar e corrigir e foi o que aconteceu. Ao chegar no vestiário, o Cléber Gaúcho deu um choque de realidade na gente, que era uma final e que a Ferroviária entrou pra jogar uma final e era como se entrássemos para jogar mais um jogo“, disse Rafael.

Só que nada estava decidido, o zagueiro Rodrigo fez um gol para o XV de Piracicaba, levou as partidas para os pênaltis e lá o Nhô Quim teve a sensação de ir do inferno ao céu. O que era um ano de agonia e amargura se terminou em alta, e a torcida, que tanto compareceu e apoiou o clube foram para as ruas de Piracicaba receber os jogadores de braços abertos. Era o futebol mostrando que não há nada de concreto e da mesma forma que tudo pode desandar, como quase aconteceu, tudo pode dar certo, pois futebol é uma caixinha de surpresas.