“Vocês enlouqueceram”, disse Abel sobre pedido de atacantes pré-final contra o Barcelona

No último sábado, o Inter comemorou de forma discreta os 10 anos de sua maior conquista. O pesadelo vivido no Brasileirão, com a confirmação do primeiro rebaixamento da história do clube, impediu uma celebração com mais ênfase diante do aniversário do título mundial sobre o Barcelona, em Yokohama, em 2006. Com o passar dos anos, histórias de bastidores foram sendo reveladas pelos protagonistas do título. E o comandante da conquista conta uma das mais curiosas.

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Divulgação/Inter

Dias antes da partida tão aguardada pelos colorados, conta Abel que Fernandão, Iarley e Alexandre Pato – os três atacantes escalados para atuarem contra o Barcelona – foram ao seu quarto no hotel da delegação no Japão pedir para que o time marcasse os espanhóis sob pressão, com marcação alta na saída de bola. “Vocês enlouqueceram de vez”, disse o treinador, que relembrou o fato em entrevista ao Globoesporte.com.

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“Dois dias antes do jogo, o treinamento da maneira como jogaríamos contra o Barcelona correu muito mal. E na véspera da partida, foram no meu quarto o Fernandão, o Iarley e o Pato. “Professor, o treino foi muito mal… queremos marcar o Barcelona em cima”. E eu falei: “Vocês enlouqueceram de vez”. O que fizemos foi uma rotação de meio excelente com o Edinho, o Wellington Monteiro e o Alex. Na véspera do jogo, no reconhecimento mostrei a eles o que tínhamos feito de errado no treino. E no jogo foi impecável”, relembrou Abel.

Para Abelão, a função tática cumprida por Fernandão contra o Barcelona foi determinante para a vitória dos gaúchos. O treinador liberou o capitão para atuar normalmente quando a equipe tivesse a bola, mas, sem ela, o camisa 9 seria uma sombra do volante Thiago Motta, que, na análise da comissão técnica colorada, iniciava todas as jogadas do clube catalão.

“Estabelecemos essa função para o Fernando. Com a bola, poderia jogar. Se estivéssemos no fundo, era para ele estar na área para tentar a finalização, tudo normal. Só sem a bola é que ele precisaria vigiar o Thiago Motta, que iniciava todas as jogadas. E ele fez esse papel muito bem. Tanto que teve o desgaste no final e precisou ser substituído”, avaliou o ex-treinador colorado.

E quis o destino que justamente no lugar de Fernandão, o maior ídolo da torcida colorada, entrasse Adriano Gabiru, contestado e criticado durante praticamente toda a temporada de 2006. Mas foi do camisa 16, após uma assistência incrível de Iarley, o gol histórico que permitiu o Inter cravar pela primeira vez a sua bandeira no topo do mundo.