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PAPO TÁTICO: Como a vitória no “Jogo da Amizade” pode ajudar Tite na Seleção Brasileira

A partida entre Brasil e Colômbia no Estádio Nilton Santos tinha um objetivo especial: arrecadar dinheiro para as famílias das vítimas da quedado avião que levava a delegação da Chapecoense para Medellín. No entanto, a vitória brasileira por um a zero (gol de Dudu) no “Jogo da Amizade” deixou o técnico Tite com aquilo que costuma se chamar “dor de cabeça boa”. As atuações de jogadores como Pedro Geromel, Rodrigo Caio, Wallace, Dudu, Diego e Camilo e a maneira como a Seleção se comportou hoje diante da bem armada Colômbia de José Pékerman, mostraram que o treinador do escrete canarinho tem ótimas opções para montar o time para a sequência das Eliminatórias da Copa do Mundo e para o Mundial da Rússia, em 2018. Além disso, mais uma vez ficou provado que a atual geração ainda pode gerar bons frutos antes de ser taxada de “ruim” ou de “mimada”.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Twitter oficial da CBF

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Assim que a bola rolou no Estádio Nilton Santos, logo após às belas homenagens aos jogadores da Chapecoense, já ficou claro que a partida não tinha quase nada de amistosa. Afinal, quem estava em campo queria mostrar serviço para Tite e José Pékerman. O Brasil jogava armado no 4-1-4-1 usual, com Diego Souza avançado como centroavante, Dudu e Robinho jogando pelos lados e Lucas Lima e Willian Arão chegando pelo meio. Já a Colômbia se armava numa espécie de 4-3-1-2 que variava para um 4-1-3-2 conforme os avanços de Uribe e Copete, e que tinha Macnelly Torres armando as jogadas de ataque para Téo Gutiérrez e Miguel Borja. As duas equipes conseguiram criar algumas chances de gol e deixaram a partida bem interessante. Claro que o desentrosamento falou mais alto, mas ainda assim, jogos os 22 atletas encararam o jogo como mais uma chance de mostrar que poderiam ser lembrados pelos seus treinadores.

Tite manteve o 4-1-4-1 na Seleção com Diego Souza atuando como centroavante e Lucas Lima e Willian Arão armando o jogo. A Colômbia levou perigo com Borja e Macnelly Torres e tentou explorar os erros da Seleção Brasileira.

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O único gol da partida saiu em bela jogada pelo lado direito. Rodriguinho passou para Fagner (tal como fazem no Corinthians) e estefez o cruzamento para a pequena área. Diego Souza perdeu na primeira, mas Dudu não desperidçou a chance. Aliás, jogadas como essa (triangulações, troca rápida de passes e velocidade) são algumas das características das equipes comandadas por Tite. Mesmo com as seis mudanças, a Seleção Brasileira manteve o padrão tático e só não fez mais gols porque o desentrosamento falou mais alto. Camilo e Diego entraram muito bem e incendiaram a partida. Wallace manteve a sobriedade na proteção da zaga e Luan manteve o nível de Diego Souza. Do outro lado, José Pékerman mexeu nas peças e no esquema tático, adotando um 4-2-3-1 mais definido com Berrío, Montoya e Hernández atrás de Michael Rangel. Mas pouca coisa mudou. O Brasil seguiu melhor em campo e só esperou o apito final.

José Pékerman mexeu no time e no esquema tático, mas as entradas de Berrío, Montoya e Hernández não conseguiram furar o 4-1-4-1 de Tite. Destaque para as atuações de Camilo e Diego no segundo tempo.

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Um dos momentos altos da partida foi quando o botafoguense Camilo aplicou uma caneta no camisa 17 Orlando Berrío (jogador pretendido pelo Flamengo). Aliás, vale aqui destacar as boas atuações de Wallace, Jorge, Rodrigo Caio, Pedro Geromel, Diego Souza, Willian Arão, Diego e do próprio Camilo. Todos eles mostraram que querem estar na Seleção Brasileira e que vão brigar de igual para igual com alguns nomes contestados das últimas listas de Tite. Mais uma vez ficou provado que a atual gerações de jogadores ainda pode nos dar muitas alegrias. Basta que o trabalho com ela seja bem feito. Todos os nomes mencionados se adaptaram muito bem ao esquema tático do treinador canarinho e podem pintar em uma ou outra lista de convocados para as próximas partidas da Seleção Brasileira. Camilo e Diego, inclusive, mostraram que podem dar um toque de experiência bem interessante ao meio-campo canarinho.

A partida no Engenhão foi muito proveitosa para Tite organizar seu trabalho e abrir seu leque de opções técnicas e táticas para convocações futuras. No entanto, assim como o próprio treinador mencionou na entrevista, o resultado era o que menos importava. Os depoimentos de Jackson Follmann, de Rafael Henzel e dos demais sobreviventes da tragédia deram o tom na noite dessa quarta-feira. Em que pese o público ruim na partida (pouco mais de 18 mil pessoas), a renda deve ser muito útil para as famílias dos envolvidos no acidente. Que a CBF faça chegar esse dinheiro a eles o mais rápido possível.