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PAPO TÁTICO ESPECIAL: Pep Guardiola, do estrondoso sucesso no Barcelona à crise no Manchester City

Difícil encontrar outro treinador que tenha conseguido dividir as opiniões dos torcedores de uma maneira tão forte. De um lado, seus detratores dizem Barcelona e Bayern de Munique sobravam porque jogavam contra equipes bem mais fracas e que o Campeonato Inglês é muito mais equilibrado do que o Espanhol e o Alemão. Do outro lado, seus defensores (e fãs incondicionais) argumentam dizendo que ele ainda teve muito pouco tempo para implantar a sua filosofia no Manchester City. De qualquer maneira, seja falando bem ou falando mal, Josep Guardiola i Sala, o nosso Pep Guardiola, já entrou para a história do futebol como um dos grandes treinadores dos últimos anos. E no seu aniversário de 46 anos, vamos fazer aqui um apanhado do seu legado tático, desde os seus tempos no Barcelona até o atual momento no comando do Manchester City.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Facebook / Manchester City

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O início da carreira futebolística de Pep Guardiola está diretamente ligado ao Barcelona e à filosofia de jogo implementada pela lenda holandesa Johan Cruyff. Utilizando os postulados de Rinus Michels (o chamado “futebol-total”), Cruyff montou um verdadeiro timaço com estrelas como Zubizarreta, Ronald Koeman, Michael Laudrup, Stoichkov e Romário. O que time conquistou a Liga dos Campeões da UEFA de 1991/92 superando o bom time da Sampdoria na decisão já jogava no 3-1-3-3 que fez história na Catalunha. O ápice daquela equipe aconteceu no dia 8 de janeiro de 1994, quando o Barça aplicou cinco a zero em cima do poderoso Real Madrid no Santiago Bernabéu. O então jovem Pep Guardiola (tinha apenas 22 anos) organizava a saída de bola e fazia as vezes de zagueiro quando o líbero Ronald Koeman partia para o ataque. Tudo com muita organização e muita qualidade no passe a partir do setor defensivo. Não é à toa que essa equipe ficou conhecida como “Dream Team”.

O ápice do Barcelona de Johan Cruyff aconteceu no dia 8 de janeiro de 1994, quando Romário, Stoichkov e companhia massacraram o Real Madrid por cinco a zero. E era Guardiola quem organizava as coisas lá atrás e qualificava a saída de bola como um autêntico “centro-médio”.

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Depois de ganhar tudo com o Barcelona, Guardiola passou pelo futebol italiano e até mesmo pelo futebol mexicano antes de encerrar a carreira em 2006. Depois de passar pela equipe B (tudo dentro da filosofia do clube), Pep assumiu a equipe principal em 2008 e foi o grande responsável por uma das maiores revoluções do futebol mundial nos últimos tempos. Utilizando os postulados do seu “mentor”, Johan Cruyff, o agora treinador armou um verdadeiro timaço que priorizava a posse de bola e o passe curto, encantando os torcedores ao redor do globo. Seja com três atacantes, seja com três zagueiros ou com um losango no meio-campo, o Barcelona de Guardiola aniquilou seus adversários e conquistou tudo o que disputou. Vale aqui destacar a final do Mundial de Clubes da FIFA de 2011, quando a equipe catalã aplicou quatro a zero no Santos de Neymar, Ganso e Muricy Ramalho e abusou da movimentação do 3-3-1-3 usado na decisão. Messi jogou como “falso nove” e bagunçou Edu Dracena, Bruno Rodrigo e Durval.

Guardiola mostrava um pouco da qualidade do seu Barcelona na final do Mundial de Clubes da FIFA de 2011. O seu 3-3-1-3 acabou com as esperanças de um Santos perdido e desarrumado em campo.

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Pep Guardiola assumiu o Bayern de Munique em 2013 (logo depois do time comandado por Jupp Heynckes ter se sagrado campeão europeu) prometendo manter a equipe no topo do mundo e trouxe a filosofia de jogo do Barcelona para cumprir essa missão. No entanto, muitos profissionais do futebol e muitos jornalistas apontam que o declínio do treinador teria começado na Alemanha. Dentro da Alemanha a equipe bávara sobrou na Bundesliga, mas acabou falhando na briga pelo título da Liga dos Campeões da UEFA, grande sonho da diretoria bávara. Mesmo não tendo sido feliz a nível continental, O Bayern de Guardiola também deixou a sua marca na história do futebol. No dia 12 de março de 2016, pela Bundesliga, a equipe bávara aplicou cinco a zero no Werden Bremen jogando no 2-3-5. Sim, é isso mesmo que você leu: cinco atacantes. O “jogo de posição” de Guardiola chegava ao seu auge com uma equipe que retornava aos primórdios do futebol com uma equipe altamente ofensiva e com grandes atuações dentro e fora da Alemanha.

No dia 12 de março de 2016, Pep Guardiola “invertia a pirâmide” no Bayern de Munique na goleada por cinco a zero sobre o Werden Bremen. Só faltou mesmo o título da Liga dos Campeões da UEFA.

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O ano de 2016 trouxe um novo desafio para Pep Guardiola. O treinador espanhol acertou com o Manchester City e foi tentar a sorte na Terra da Rainha. Com um elenco composto por estrelas como Kun Agüero, Kevin De Bruyne, David Silva e Yaya Touré, seu desafeto nos tempos de Barcelona. O técnico espanhol trouxe o chileno Claudio Bravo do Barcelona e o alemão Gundogan do Borussia Dortmund e também brigou com alguns ídolos dos Citzens, caso do goleiro Joe Hart. A expectativa por bons resultados, no entanto, acabou ficando pelo caminho. Com pouco tempo para acertar a equipe e encontrando muitas dificuldades para se adaptar ao ritmo do futebol da Premier League, o Manchester City alternou bons e maus momentos. Uma das boas atuações aconteceu na Liga dos Campeões da UEFA, justamente contra o Barcelona. O alemão Gundogan foi o grande nome do jogo com dois gols e muita movimentação dentro do 4-2-3-1 utilizado pelo treinador espanhol.

Talvez a melhor atuação do Manchester City de Guardiola tenha acontecido contra o próprio Barcelona. Tirando os lances polêmicos, o time executou os postulados do seu treinador com bastante eficiência e conseguiu uma bela virada jogando em casa.

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A goleada sofrida diante do Everton, a lesão sofrida pelo ótimo volante Gundogan (válvula de escape do time) e a dificuldade em encontrar o time ideal são outros problemas encontrados pelo treinador. Mesmo “tendo feito as pazes” com o volante Yaya Touré, o time ainda não conseguiu se adaptar à filosofia de jogo de Guardiola que, por sua vez, também encontra dificuldades para se adaptar na Inglaterra. As críticas da imprensa e dos torcedores transformaram a discussão em torno do espanhol num verdadeiro Fla-Flu. Guardiola é um grande treinador em má fase ou ele não passa de um enganador? Fato é que a sequência da Premier League e os dois jogos contra o Monaco pelas oitavas de final da Liga dos Campeões da UEFA serão determinantes para o futuro de Guardiola no Manchester City. Não que o treinador vá ser demitido, mas a pressão deve aumentar consideravelmente caso as derrotas e as atuações ruins continuem.

Mesmo em má fase e já cogitando uma aposentadoria do futebol, Pep Guardiola já escreveu seu nome na sua história do futebol mundial. Como jogador foi um bom volante. Atuava de maneira discreta, mas sempre com bastante eficiência no passe e na saída de bola. Como treinador, teve a ousadia suficiente para apostar em esquemas que priorizavam o ataque e conquistou tudo o que um profissional de futebol pode conquistar. É verdade que Guardiola precisa de tempo para se adaptar à Premier League. Mas também é preciso abrir mão de certos conceitos e buscar novas alternativas táticas e técnicas. Guardiola já é um dos grandes treinadores da história. E essa história ninguém apaga.