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Marcos Assunção relembra trairagem de dirigentes do Palmeiras em 2012

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Jornalista. Como todo torcedor também gosto de dar meus pitacos. Fã da seleção italiana, do Milan e do Arsenal.

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Crédito: Crédito de imagem: Divulgação/Palmeiras

Na história de Santos, Roma, Bétis e Palmeiras, Marcos Assunção foi o convidado do Resenha ESPN, deste domingo (26), e relembrou alguns causos da sua carreira de jogador. Uma delas foi de sua conturbada saída do Verdão, onde os presidentes da época não cumpriram com o acordo que haviam proposto seis meses antes.

Marcos Assunção não escondeu nada e contou na atração dominical como tudo aconteceu na sua saída do Palmeiras após o rebaixamento da equipe para a Segunda Divisão nacional. Acompanhe abaixo:

– Relação com a torcida do Palmeiras pós-Série B

“A relação (com os torcedores) foi boa, a relação eu digo, porque não o momento não foi legal. A gente tinha acabado de ganhar a Copa do Brasil e caímos para a Série B. Mas os torcedores viam que eu tomava infiltração no joelho quase todo jogo para jogar.”

– Não renovação para operar o joelho e falta de palavra de Tirone e Frizzo

“Quando ganhamos a Copa do Brasil, o Tirone (presidente do Palmeiras) e o Frizzo (vice), uma semana depois falaram ‘Marcos, queremos renovar seu contrato’. O meu vínculo acabava em dezembro. Eu cheguei no Tirone e falei ‘presidente, quero operar meu joelho, não quero renovar meu contrato e daqui a cinco dias ter que operar meu joelho e ficar na maca recebendo salário sem jogar. Se eu melhorar do meu joelho aí renovamos o contrato'”, relembrou. ‘Mas você vai assinar com outra equipe’, disse o Tirone. Aí eu falei ‘Presidente, do jeito que eu estou aqui, feliz, bem, você acha que assinarei com outro clube? Me identifiquei com o clube e torcida, quero terminar minha carreira aqui’.

“Aí operei, era para voltar em 45 dias. Com 25 dias o Felipão caiu. Aí me entra na sala o Tirone, Narciso, auxiliar técnico, e o doutor do Palmeiras. Aí o Tirone me fez a pergunta: ‘Marcos, precisamos de você. Você pode nos ajudar?’. Era para eu ficar 45 dias, eram 25 só até o momento e não tinha feito nada de campo (exercícios). Olhei para o doutor e disse ‘E aí?’. E ele respondeu ‘A cirurgia foi um sucesso, tá tranquilo’. Isso foi numa sexta, para jogar o Dérbi contra o Corinthians no domingo.” 

“No domingo, 16h um sol, clássico contra o Corinthians perdemos de 2 a 1, joguei 70 minutos. Aí depois continuei jogando, voltamos contra a Ponte Preta, jogamos contra o Botafogo e o joelho começou a inchar. E quando inchava muitas vezes tiravam (o líquido), doía. Então foram assim cinco meses. Então muitas vezes os bons torcedores falavam ‘muito obrigado pelo que você fez, sabemos que você jogou machucado. Mas tem outros ignorantes… e eu ainda saí como mercenário.” 

“Chega no final do ano, vem o presidente ‘Marcos, é que vai vim alguns jogadores melhores que você, a gente acha que não vai renovar e tal’. ‘Pô, presidente. Lá atrás você me ofereceu um caminhão de dinheiro (mas muito dinheiro, muito dinheiro – reforçou Assunção) e eu, homem, falei que queria operar meu joelho e se ficasse bom renovaríamos, e não quis aceitar (de início). ‘Não, Marcos. Mas é uma outra filosofia, está vindo novos jogadores. Falei ‘tá bom, não tem problema, não'”. 

– Foi impedido de treinar no Palmeiras: “Dia mais triste da minha vida no futebol”

“Aí certo domingo estava almoçando com meus dois filhos, esse foi o dia mais triste da minha vida no futebol, e me toca o telefone, é meu empresário. Nessa eu já estava sem contrato e indo há uma semana no clube fazendo fortalecimento para ficar bom. Aí (meu empresário) ‘Marcos, o César Sampaio (então diretor de futebol) ligou aqui e como você está sem contrato, ele pediu a mando da diretoria que você não fosse mais no Palmeiras. É para você ir no clube e pegar suas coisas’. Na hora eu comecei a chorar no restaurante e meus filhos perguntaram o que estava acontecendo.”

“Aí fui para o Santos. Muitos acham que fui para o Santos ganhando mais. Eu até falo o valor, fui para o Santos ganhando R$ 60 mil a menos, mas depois que eu assinei o contrato com o Santos, era uma e meia da manhã o telefone toca ‘Você sabe que as portas do Palmeiras estão sempre abertas para você’ (contou sem revelar o nome). Depois que eu dei minha palavra ao Santos já não adiantava mais.”