Futebol Europeu

“Eu não penso que eu sou um herói” diz atacante que salvou a vida de goleiro em campo

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Colaborador do Torcedores

Francis Koné, atacante do time Slovacko, conseguiu realizar um procedimento médico padrão  que salvou a vida do goleiro do time adversário Bohemians 1950. Após um forte choque, o jogador entrou em convulsão e precisou de socorro até  os médicos chegarem.

Em entrevista realizada pelo telefone ao UOL Esporte, Francis contou mais sobre o que aconteceu e que não tinha conhecimento algum de medicina por estudo, apenas que já tinha visto acontecer outras vezes portanto conhecia o procedimento.

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Segundo o atacante, não foi a primeira vez que teve de prestar este tipo de socorro em campo, e que ocorreu outras três vezes: duas na África e uma na Tailândia. O goleiro Martin Berkovec sofreu um choque forte com o zagueiro do time e caiu inconsciente.

Ao perceber o que Berkovec caiu desacordado e estava sofrendo uma convulsão, colocou-o de lado, segurando seu corpo para que não se machucasse durante o ataque e puxou sua língua, impedindo que o goleiro se engasgasse.

Eu estava na jogada e quando teve o choque entre o goleiro e o zagueiro foi realmente muito forte. O barulho foi assustador. Todo mundo saiu correndo para ver se o goleiro estava bem. Eu já vi que ele estava inconsciente, sem nenhuma reação, com os olhos virando e a boca ficando dura. Eu fui imediatamente abrir a boca dele para ver como estava a língua.
Nestes momentos de convulsão, a pessoa fica muito forte. Então coloquei as mãos dele sobre o peito e sentei em cima para ele não me atingir. Coloquei ele de lado e comecei a puxar a língua. A boca que estava seca começou a ficar molhada com saliva. Os médicos chegaram e deram sequência ao tratamento.

 

Após receber agradecimento do pai do goleiro e de jogadores do time rival, Francis declarou que não se considera um herói, pois para ele, apenas agiu como um ser humano, que pensa em ajudar o próximo, além de demonstrar respeito e praticar o fair play.

A mãe do jogador pensa diferente, que talvez Deus tenha reservado isto para seu filho e que não foi a primeira e também não será a última vez que virá a acontecer.

Mas eu não penso que eu sou um herói. Faz parte do meu trabalho isso. Para mim, como um ser humano é normal ajudar ao outro.
Sempre que eu entro em campo, a primeira coisa que penso é no respeito ao próximo, à camisa que você veste, ao seu oponente e ao fair play. Os três pontos, a bola são apenas coisas materiais. A vida é muito mais importante.

O Francis também revelou que já sofreu racismo no futebol e citou o Brasil e xingamentos que já ocorreram aqui. Porém, declarou que para ele, racismo não existe e que vê o ato como ignorância das pessoas.

“Não é fácil para jogadores negros do Brasil, da África. Estas coisas acontecem mesmo. Gritam macaco, xingam e fazem de tudo para te desestabilizar. Ouvia cada coisa em Portugal. mas para mim racismo não existe. Isso é uma coisa de pessoas ignorantes”

Ao ser entrevistado por um repórter brasileiro do UOL Esporte, o atacante revelou que tem carinho pelo país pois Ronaldo é seu ídolo e que até cortou o cabelo como o dele na Copa de 2002.

“Tinha muitos fotos dele, meus amigos na África só me chamavam assim. Meu sonho é conhecer ele um dia.”