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Opinião: Brasil, o país do ódio permanente e da comoção temporária

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Vocação jornalística e esportiva desde a infância. Colaborador desde 2015 com matérias/artigos, principalmente nas coberturas do automobilismo, futebol americano e esportes eletrônicos.

Crédito: Reprodução: Youtube

Galvão Bueno tinha a confiança de que seríamos pessoas melhores há alguns meses. Apesar de sonhar, Galvão não verá um Brasil melhor.

A afirmação acima realmente não surpreende, pois esta constatação está presente há algum tempo dentre as pessoas minimamente lúcidas na sociedade brasileira. Mas soa inacreditável o nível tão baixo alcançado por todas as partes envolvidas no incidente da última noite de domingo (12) pelo clássico Botafogo x Flamengo, que deveria ser uma rivalidade e não uma segregação social.

Com a maioria da torcida visitante (Flamengo) adentrando e enchendo o estádio do mandante (Botafogo), no estádio Nilton Santos, era previsível que ocorresse alguns contratempos, mas longe do nível da guerra, no sentido literal da palavra, ocorrida. Foi um longo festival de tiros, confrontos, correrias entre organizadas dos dois times, sim. Além dos policiais, despreparados ao tentar controlar uma situação que já havia saído do controle.

Aliás, não haviam condições mínimas de segurança para o clássico, com tão pouco efeito policial disponível por conta dos bloqueios realizados pelas “manifestações” que ocorriam em batalhões perto do estádio. Por isso, um jogo de alto risco deveria ser adiado, mas acreditou-se que nada de mais grave fosse ocorrer.

Enquanto os times chegavam, os bandidos (trajados de “torcedores”) se matavam no lado exterior do estádio, literalmente. Após uma hora de tanta guerra, a Ferj manteve a realização do jogo, mesmo com pessoas feridas sendo levadas ao hospital e com alguns tiros sendo disparados. A anulação seria totalmente viável (como desejou o Botafogo), mas 30 mil torcedores do Flamengo no lado interior do estádio poderiam piorar a situação, caso a anulação fosse anunciada.

Enquanto o jogo acontecia, os feridos estavam sendo atendidos no hospital, sendo um deles em estado grave, um torcedor do Botafogo. Quando o jogo acabou, veio o anuncio oficial do falecimento deste torcedor. No pós-jogo, festa da torcida do Flamengo, que não tinha nada haver com os acontecimentos externos, e talvez nem sabiam da gravidade da situação, não eram obrigados a isso.

Todavia, o ponto alto da humilhação e falência da sociedade foi atingido após o apito final. Pela internet, uma infeliz postagem do social media oficial do Flamengo, com os dizeres “não adianta correr, não adianta fugir”, foi o suficiente para alimentar um ódio incontrolável dentre os torcedores na internet, sem contar as respostas oficiais das social medias do Botafogo e do Vasco, apoiando a postagem do time alvinegro.

Com o final da noite, chega-se a uma conclusão. Tudo isso foi desnecessário, tudo mesmo. Desde a realização do jogo até as declarações oficiais dos clubes. Os times poderiam ter se juntado, desassociando as imagens dos clubes com os bandidos que foram à guerra na tarde de domingo, mas preferiram alimentar os sentimentos mais baixos de ódio possíveis, justamente o sentimento que move esses bandidos.

A conclusão final é de que o Brasil é mesmo o país da solidariedade temporária. Todas as tragédias são esquecidas em, no máximo, 15 dias. O #ForçaChape sumiu, as ajudas para a Chapecoense também sumiram. A união entre os clubes, já está desfeita. A promessa de uma sociedade melhor, feita por muitos, já foi quebrada. Tudo pelo simples motivo do atual estado da sociedade brasileira. Falência total. E não será algo que poderá ser recuperado em 2, 5 anos, mas talvez em 30, 50, com bastante trabalho sério. A geração atual, falhou, é irrecuperável.

PS: Não adianta sonhar, Galvão Bueno, no Brasil não tem mais jeito.