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OPINIÃO: TREINADOR DE FUTEBOL, QUAL TEMPO IDEAL DE TRABALHO?

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Imagem: Site Oficial (CBF)

Uma das profissões mais instáveis no cenário esportivo é o cargo de treinador/técnico de futebol, pois quando ganham são nomeados como “experts” da bola, mas quando o desfecho não é o esperado, são “crucificados” e apontados como os únicos culpados do resultado pelos torcida, e principalmente pela diretoria do clube.


Culpar treinador de futebol por uma indicação de contratação que não gerou bons resultados, seja ele dentro ou fora (financeiramente) de campo em casos mais específicos, ou mesmo em uma substituição que não gerou bom rendimento na partida, ou até mesmo em uma escalação que não lhe agradou e ainda mais que não deu certo é normal, mas, apenas para as arquibancadas, ou seja, para torcedores que não estão inseridos dentro de um cenário profissional do clube. O problema é quando esse tipo de ação começa a se confundir ou ser usado como “válvula de escape” para dirigentes incompetentes no mudo da bola.

Pensando nisso, qual deve ser o tempo ideal para que o trabalho desse treinador seja desenvolvido e comece a dar resultado? Essa é uma pergunta que depende do ponto de vista de quem está analisando, e claro que também deve se levar em consideração variáveis que podem determinar o desempenho como por exemplo a qualidade do elenco, infraestrutura, orçamento para contratações, divisões de base e por ai vai. Bom, de um modo geral, ter tempo para trabalhar é muitas vezes o que um treinador precisa para fazer com que o time jogue da maneira que ele julga ser a melhor e analisando por esse ponto, muitos treinadores não fizeram bons trabalhos. Então não seria essa a formula infalível para que o desempenho seja o melhor. Talvez a pré-temporada, juntamente com a montagem do elenco seja o fator determinante para o sucesso da equipe, mas e quanto ao entrosamento?

Pode-se dizer que a resposta completa para a pergunta seja uma junção equilibrada de tudo o que foi citado acima (qualidade do elenco, infraestrutura, orçamento para contratações e assim para a montagem do elenco, divisões de base, pré-temporada, etc.), mas o que temos visto no futebol, principalmente o brasileiro não é bem isso que acontece, clubes endividados (e isso não é de hoje), divisões de base ainda sendo tratadas de maneira irresponsável, e claro, o tema dessa resenha, troca incessante do comando técnico da equipe. Isso tudo se deve às más administrações que temos nos clubes, em sua grande maioria, onde o planejamento feito é muitas das vezes alterado significativamente durante a temporada e que prejudica o andamento do time nas competições, fazendo com que os treinadores e jogadores paguem o “pato”.

Coloco toda a culpa ou 90% dela nos dirigentes, os famosos cartolas do futebol são culpados pelos desempenhos ruins dos times nas competições, a final de contas, os escolhidos para comandar e até jogar pelo clube, são colocados lá por eles

Um caso recente que deve ter chocado parte dos amantes desse esporte foi a demissão da comissão técnica do Atual campeão inglês, o italiano Claudio Ranieri foi demitido do Leicester City nove meses após conseguir feito inimaginável, ser campeão inglês com um elenco mediano, mas que deixou para trás equipes como Manchester United, Arsenal, Liverpool, Chelsea, Manchester City, Tottenham, que são considerados os melhores dos país na atualidade. É bem verdade que a atual temporada do Leicester não é boa, com chance clara de rebaixamento para a segunda divisão da Premier League o time ainda luta por uma vaga na próxima fase da liga dos campeões contra o Sevilla.

Futebol é momento: ouvimos muito essa frase principalmente quando se pretende justificar a convocação de algum jogador para seleção, por exemplo.

Impecável, é a palavra que gosto de usar ao falar do feito de Ranieri na temporada passada pelo Leicester, mas que já foi esquecida, pois em “alguns momentos”, ou melhor, em momentos que não são os convenientes, futebol é realmente tratado como momento. O que não deixa de ser fato é que o time do Leicester se esforça muito, mas é péssimo, e a diretoria crê que o problema era Ranieri.

Indo na contra mão da maioria do que foi dito aqui, temos o lustre treinador francês Arsene Wenger do Arsenal, também da Liga inglesa, cujo tempo no clube é impressionante, pouco mais de 20 anos como treinador da equipe londrina. Ao longo desse período alguns títulos foram conquistados, dentre eles o feito mais extraordinário foi o campeonato da temporada 2003-2004 e que foi o ultimo também, onde a equipe comandada pelo goleador Thierry Henry levantou a taça de campeão invicto. Em comparação ao Leicester, o Arsenal ocupa um lugar de maior expressão no cenário do futebol, seja ele pelo elenco atual, e principalmente poderio financeiro e participação em competições estrangeiras, mas que mantém um treinador que ainda não ganhou nada de expressivo a 13 anos. Acredito que nesse caso o treinador sim seja um problema, mas volto a bater na tecla de que os dirigentes também são culpados por insistir tanto tempo em algo que não vem dando tão certo.

Temos dois extremos acima, e podemos dizer que nos dois casos decisões foram tomadas de maneira equivocadas. O fato é que treinadores como Josep Guardiola (1 ano a frente do Manchester City), Diego Simeone (6 anos a frente do Atlético de Madrid), Jurgen Klopp (2 anos a frente do Liverpool), Massimiliano Allegri (3 anos a frente da Juventus), Unai Emery (1 ano a frente do Paris Saint Germain) fazem trabalhos espetaculares, e não só por ganharem títulos atrás de títulos, mas equipes que jogam bom futebol, com revelações para o cenário mundial, trazendo a tona jogadores que não vinham bem e que hoje são grandes destaques de seus clubes e que assim provam serem dignos de ficaram tempo em suas equipes. Por outro lado, é incrível como clubes insistem em manter treinadores como Wenger, Rafa Benítez, Laurent Blanc, e em clubes brasileiros técnicos como Renato Gaúcho, Cristóvão Borges, Joel Santana, que estão ultrapassados e não fazem bons trabalhos a tempo, deveriam repensar o modo como lidam com o futebol, pois evoluiu.

Bem como fez o Real Madrid com Zinédine Zidane, o Atlético Mineiro com Roger, Botafogo com Jair Ventura, e também São Paulo com Rogério Ceni, acredito que os clubes deveriam rever os conceitos na hora de escolher um comandante a beira do campo, afinal, dizem que jogador é quem ganha jogo, treinador ganha campeonato, correto?

E você o que acha sobre esse tema tão polêmico no mundo da bola?