Oscar na NBA: O reconhecimento tarda, mas não falha

A NBA homenageará Oscar Shmidt no final de semana das estrelas (All Star Weekend). O evento acontece nos dias 17, 18 e 19 deste mês de fevereiro.

Redação Torcedores
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As reverências começaram na segunda-feira, dia 13, quando o brasileiro recebeu do Brooklyn Nets a camisa com seu nome e número. Na sexta-feira (dia 17) ele participa do jogo das celebridades onde se apresentam artistas, ex atletas e, como o próprio nome diz, celebridades convidadas.

Oscar foi draftado pelo então time do New Jersey (ao qual pertencia a franquia Nets) em 1984, mas recusou a oferta para poder continuar defendendo a seleção brasileira. Até 1989 a FIBA (Federação Internacional de Basquete) não permitia que jogadores da liga norte-americana atuassem pelos seus países em competições internacionais.

Com essa importante decisão o Mão Santa foi seguindo e fazendo história. É o maior de todos os tempos em pontos, com 49.737, e conquistas extraordinárias como a dos jogos Panamericanos de 1987. Na final desse torneio o Brasil chegou a estar perdendo por uma diferença superior a 20 e foi para o segundo tempo com um placar desfavorável de 68 a 54. Com Shmidt marcando 46 tentos e a pontaria certeira da linha de três pontos, o time verde e amarelo venceu os EUA por 120 a 115 numa virada inesquecível. Tudo isso com a seleção do tio Sam jogando dentro de casa, em Indianápolis.

Listado entre os 50 maiores jogadores do mundo, o ala brasileiro foi incluído no Hall da Fama da FIBA em 2010 e, em 2013, passou a pertencer ao também Hall da Fama do basquete dos Estados Unidos.

Podemos nos perguntar se o maior mérito de Oscar estaria em ter recusado a liga americana há 33 anos. Será que se ele tivesse jogado por lá teria se tornado a lenda que se tornou? Seria apenas mais um?

Por todo o currículo apresentado poderíamos dizer, com quase toda a certeza, que nosso cestinha também teria se tornado um ícone pelos ginásios da América do Norte.

Oscar Shmdit é um obstinado. Venceu não só nas quadras como fora delas, quando teve de derrotar por mais de uma vez um câncer. Sempre foi conhecido por trabalhar duro, jogar com uma dedicação raramente encontrada, chegar primeiro aos treinos e sair por último.

Seu jogo mais eficiente e menos plástico teria feito muita diferença na NBA dos anos 80 e 90. Os chutes de três pontos, que hoje são frequentes, teriam aparecido de maneira brilhante através das suas mãos. Quem sabe ele até rivalizasse com seu ídolo Larry Bird nesse quesito.

Podemos conjecturar e exercitar a imaginação para projetar como teria sido esse fenômeno na NBA. O que não podemos, de maneira alguma, é pensar nos jogos de Indianápolis, em 1987, sem ele. Se aquela proposta dos Nets três anos antes fosse aceita, a história teria sido bem diferente.

A homenagem prestada ao ex jogador brasileiro é mais do que justa, por tudo que ele já nos deu durante o tempo em que atuou.

Já que nosso eterno número 14 nunca nos deixou faltar nada, não seria justo que para ele faltasse. Se a lacuna estava em nunca ter jogado na NBA, pronto Oscar: NÃO FALTA MAIS NADA.