PAPO TÁTICO: O que o futebol brasileiro pode (e deve) aprender com o chocolate do PSG sobre o Barcelona

Crédito da foto: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

Existem partidas de futebol que ensinam muito mais do que uma vitória suada, um empate sem graça ou uma goleada histórica. O chocolate aplicado pelo Paris Saint-Germain sobre o Barcelona nesta terça-feira, no jogo de ida das oitavas de final da Liga dos Campeões da Europa é uma dessas partidas. Esqueça aquela velha (e surrada) máxima de que basta juntar os talentos em campo para que uma equipe saia vencedora. Os comandados de Unai Emery mostraram que um time aplicado, bem organizado taticamente e com um jogo coletivo bem definido e bem executado pode sim superar qualquer adversário. Até mesmo o temido Trio MSN. O PSG deu uma aula de tática pra cima do Barcelona de Luís Enrique, lembrando em alguns momentos, a atuação do Bayern de Munique de Jupp Heynckes sobre o mesmo Barça em 2013. Os quatro a zero em Paris são a prova de que futebol é muito mais do que distribuir camisas.

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É bem verdade que o Barcelona já vinha sofrendo com a escassez de ideias da sua equipe há algum tempo. Extremamente dependente do Trio MSN, os comandados de Luís Enrique apresentavam um futebol previsível e ainda tinham contra si a atenção dos adversários que estudaram e descobriram como “travar” a equipe catalã. No jogo desta terça-feira, O Barça foi mais do mesmo. A variação do 4-3-3 para o 4-4-2 em duas linhas (que sacrifica Neymar no lado esquerdo do meio-campo) já não tem a mesma intensidade e contundência dos últimos anos. Do outro lado, o PSG negava espaços e forçava o erro do seu adversário no 4-2-3-1 bem armado por Unai Emery. Com Di María (o melhor em campo) e Draxler abertos servindo Cavani e contanto com a aproximação de Matuidi e Rabiot e o passe qualificado do italiano Verratti, o time francês, mesmo sem grande estrelas, foi muito superior ao Barcelona. Técnica e taticamente.

O PSG fez tudo aquilo que se espera de um time competitivo: se movimentou, negou espaços ao adversário e manteve a filosofia do jogo coletivo. O Barcelona, extremamente dependente do Trio MSN, foi sendo dominado pouco a pouco. Méritos para Unai Emery pelo 4-2-3-1 bem armado e executado.
O PSG fez tudo aquilo que se espera de um time competitivo: se movimentou, negou espaços ao adversário e manteve a filosofia do jogo coletivo. O Barcelona, extremamente dependente do Trio MSN, foi sendo dominado pouco a pouco. Méritos para o técnico Unai Emery pelo 4-2-3-1 bem armado e executado ao longo de toda a partida em Paris.

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O segundo tempo foi uma repetição do primeiro. O Barcelona seguia esperando um lampejo, algum coelho tirado da cartola ou qualquer outra mágica do Trio MSN enquanto o Paris Saint-Germain mandava e desmandava no jogo. O terceiro gol da equipe francesa foi uma bela demonstração do jogo coletivo proposto por Unai Emery. Mesmo pressionada e com os atacantes do Barça “fungando no cangote”, os jogadores trocaram passe de um campo a outro até encontrar Di María saindo da direita para o meio para bater forte, com estilo, no ângulo de Ter Stegen. O quarto gol (marcado por Cavani) fecharia a conta dos comandados de Luís Enrique. Difícil encontrar algo que não tenha funcionado ou algum jogador abaixo da média no PSG no jogo desta terça-feira. Mais difícil ainda será para o Barcelona reverter essa vantagem. Mesmo jogando em casa. Mesmo com Messi, Suárez e Neymar em campo. Não que a equipe catalã tenha desaprendido a jogar futebol. Mas a necessidade de se reinventar ficou evidente com essa derrota em Paris.

As duas equipes não mudaram o desenho tático e nem a postura na segunda etapa. O PSG seguiu intenso e móvel e o Barcelona seguiu inerte e sem confiança. Melhor para  a equipe francesa.
As duas equipes não mudaram o desenho tático e nem a postura na segunda etapa. O PSG seguiu intenso e móvel e o Barcelona seguiu inerte e sem confiança. Melhor para a equipe francesa que está bem próxima da classificação para as quartas de final.

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Ao Barcelona resta juntar os cacos da derrota, encontrar novas filosofias de jogo, outras possibilidades de acionar o seu trio ofensivo e tentar o impossível no Camp Nou. As ausências de Mascherano, Arda Turan, Aleix Vidal e a fase inconstante de Rakitic são outros problemas para Luís Enrique, que se vê dependente dos questionáveis Sergi Roberto e André Gomes para montar o time. Do outro lado, o resultado desta terça-feira provou que existe vida no Paris Saint-Germain sem Ibrahimovic. Aliás, é possível dizer que a saída do sueco permitiu que Unai Emery implementasse a sua filosofia de jogo sem jogar em função de um único jogador. Além disso, as atuações sempre seguras de Draxler e Di María deram o toque de criatividade que faltou em muitas partidas decisivas do PSG nos últimos anos. Se mantiver o nível das atuações e do jogo coletivo, a equipe francesa pode até sonhar com vôos mais altos nessa temporada. Além do mais, uma goleada sobre um gigante como o Barcelona anima qualquer time do mundo.

Vimos aqui que uma equipe bem armada e estruturada pode sim superar um time formado por talentos individuais. E essa é a grande lição que a vitória do Paris Saint-Germain sobre o Barcelona deixa para o futebol brasileiro. Num cenário sempre se ouve que “basta juntar os craques que eles resolvem”, o resultado desta terça-feira é, de certa forma, mais uma maneira do futebol nos lembrar que ele é um esporte COLETIVO. E como já dissemos em outras postagens aqui no TORCEDORES.COM, todas as engrenagens precisam funcionar bem para que o relógio marque a hora com precisão. E no futebol as coisas funcionam da mesma maneira. Que nós consigamos aprender alguma coisa com o PSG.



Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.