Primeiro brasileiro a jogar na NBA revela chateação por seleção ser lembrada como “time do Oscar”

É consenso no mundo esportivo de que o maior ídolo do basquete brasileiro se chama Oscar Schmidt. Mas é fato, também, que o ex-camisa 14 da seleção brasileira não fazia chover em quadra sozinho. Afinal, se o basquete é um jogo coletivo, outros quatro jogadores estavam ao lado de Oscar. Um deles, aliás, foi o precursor dos brasileiros na NBA, a maior liga de basquete do planeta. Trata-se do ex-pivô Rolando Ferreira, que, embora admita o protagonismo do “Mão Santa”, fica chateado a ver o time resumido ao ex-ala.

Matheus Adami
Jornalista, editor do Torcedores. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.

Crédito: Acervo pessoal/Rolando Ferreira

“É difícil… Não é só o Oscar. É aquela coisa, ‘jogou com o Oscar’. E isso chateia um pouco. Eu fazia parte do grupo. Fico pensando no Marcel, um cara tão ou mais talentoso que o Oscar e não é lembrado. Eu reverencio todos os jogadores daquela geração. Cada um entendeu o seu papel. O Oscar e o Marcel tocavam o time e o resto carregava. A gente pegava rebote para eles pontuarem”, contou Rolando em entrevista ao Torcedores.com.

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Aos 52 anos, Rolando dividiu inúmeros convocações com Oscar e Marcel. Juntos, os três participaram das campanhas vitoriosas do Campeonato Sul-Americano de 1985 e do Pan-Americano de 1987. E o primeiro brasileiro a atuar na NBA admite que o camisa 14 fazia, sim, a diferença para a equipe.

“É um cara que merece, é conhecido internacionalmente, merece todas as homenagens. Ele foi grande sem a gente na Europa. O Oscar é um cara que, onde jogou, era um ‘franchise player’. O jogo era ao redor dele, jogávamos para ele. E falta um como ele assim hoje”, analisou.

Dos brasileiros que hoje atuam na NBA, o primeiro brasileiro a atuar na NBA gosta de Nenê. Segundo ele, porque ele não se intimida com os rivais. “Nenê é um cara que não está nem aí com quem está marcando e vai para cima.”

“Mas tem vários jogadores nossos lá com potencial, que podem ser estrelas. E espero que um desses seja o ‘franchise player’. Acho que falta um cara que chega o dono da bola. E falta isso também na seleção. Temos vários bons jogadores, mas nenhum com esse perfil.¨