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Opinião: A vítima da vez é Eduardo Baptista

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Estudante de jornalismo. Apaixonado por esportes e pela vida.

Eduardo Baptista

Foto: Eduardo Baptista e o tempo no Palmeiras

Crédito: Credito: Levi Bianco/Getty Images

Bastou o primeiro tropeço do Alviverde em jogos oficiais para muitos torcedores começarem a pedir a saída de Eduardo Baptista. Mero ‘resultadismo’.

 

O torcedor brasileiro, em sua maioria, tem o típico mau costume da instantaneidade, do resultado imediato. O elenco, por ser bom, deve sempre ser capaz de ganhar um jogo frente uma equipe tecnicamente inferior. Grave engano.

Após a derrota do Palmeiras ontem (12) frente ao Ituano, por 1 a 0, diversos torcedores começaram a questionar fervorosamente o trabalho de Eduardo nas redes sociais. Alguns até pediam a saída do atual técnico e a volta de Cuca. Baptista está pouco mais de um mês no cargo e esse foi apenas a segunda partida oficial em seu comando.

Após ser campeão brasileiro, Cuca declarou à diretoria do Alviverde que não continuaria no comando da equipe em 2017. O Executivo do clube então começou a trabalhar em busca do novo comandante técnico. Eduardo Baptista, dentre as opções no mercado na época, era a melhor – já que Roger Machado havia acertado com o Atlético-MG. O jovem técnico com ideias modernas veio da Ponte Preta para o Palmeiras após excelente campanha no último Brasileirão.

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O novo treinador então começou a aplicar uma nova forma da equipe jogar. Adotou o esquema 4-1-4-1 com linhas bem compactas e muita organização nas transições. Uma ideia que demora certo tempo para os jogadores assimilarem. Diferentemente de Cuca, Baptista opta por uma marcação muitas vezes mista, com jogadores marcando individualmente, mas sem sair de sua zona de atuação no campo. Cobranças do nível que estamos vendo com tão pouco tempo só atrapalha o novo treinador. Talvez ele possa ficar acuado e não mostrar suas verdadeiras ideias, cedendo ao ‘resultadismo’ que boa parte da torcida tanto apoia. Cobrar um bom desempenho tão rápido frente a tudo isso soa como covardia.

Cuca, que é tão amado hoje pelos palmeirenses, com méritos, claro, foi vítima dessa mesma cultura decapitadora de treinadores quando chegou. Perdeu os quatro primeiros jogos, sendo três deles no Paulistão (Audax por 2 a 1, RB Brasil também por 2 a 1 e Água Santa, 4 a 1). Nas redes sociais muitos torcedores vociferaram, exigiram a saída imediata do comandante. Era hora de “honrar a camisa do clube”, esbravejaram. Se não fosse dado tempo necessário ao técnico, ficaria difícil imaginar o time campeão brasileiro e com perspectivas tão boas para 2017.

Mas é essa a cultura do resultado. Do jogar bem. De honrar a camisa. De ganhar sempre, mesmo desconsiderando inúmeros fatores do dia a dia que fazem um time conseguir boas vitórias, excelentes exibições e por consequência, o título. E mesmo aqueles que são ‘resultadistas’ estão sem razão. Não há como pedir ainda nem os resultados com apenas 2 jogos oficiais.

Só resta mesmo a Eduardo trabalhar.