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A evolução da seleção com Tite: oito jogos, 23 gols

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Estudante de Biblioteconomia na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e colaborador pleno do Torcedores.com desde fevereiro de 2017.

seleção brasileira

Crédito: Foto: Lucas Figueiredo / Divulgação CBF

Depois da demissão de Dunga no ano passado, a seleção brasileira passou por momentos de desconfiança e dúvida. Será que algum dia teríamos o prestígio que alcançamos após cinco títulos mundiais? O Brasil então, sob o comando de Tite, voltou aos trilhos e em uma campanha espetacular, conquistou a vaga na Copa do Mundo de 2018, com oito vitórias em oito jogos. Veja uma análise da campanha dos dois treinadores nas Eliminatórias e da evolução da seleção Brasileira com Tite.

As Eliminatórias sul-americanas para a Copa do Mundo de 2018 começaram em outubro de 2015. De lá pra cá, foram disputadas 14 rodadas, e com quatro rodadas de antecedência, a seleção brasileira garantiu matematicamente a vaga pro Mundial. Assim, a Seleção Brasileira é a primeira seleção do mundo a conquistar a vaga, com exceção da Rússia, que é o país-sede e por isso já tem vaga garantida. Olhando de relance, parece que a campanha do Brasil foi fácil e tranquila: o Brasil tem 33 pontos, nove de diferença para a segunda colocada, a Colômbia, e um impressionante saldo de gols de 25 gols a favor. 10 vitórias, 3 empates e apenas uma derrota. A questão é que no início, a campanha não foi nada tranquila e sob o comando de Dunga, a seleção viu muito ameaçada a classificação para a Copa.

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Depois da Copa de 2014, com o massacre sofrido pela seleção na semi-final e a famosa derrota para a Alemanha por 7 a 1, a CBF colocou como homem forte do futebol brasileiro uma figura já conhecida: Dunga, que teve uma boa passagem pela seleção de 2007 a 2010, onde o treinador ganhou praticamente tudo o que disputou, exceto a Copa do Mundo. O treinador nunca foi unanimidade, mas lhe foi dado um voto de confiança. Dunga, a partir de então, comandou o Brasil em seis partidas nas Eliminatórias: vitórias sobre Venezuela e Peru, empates com Argentina, Uruguai e Paraguai e derrota para o Chile, na estreia nas Eliminatórias. A derrota para o Chile foi a primeira derrota do Brasil em uma estreia de eliminatória, e a última partida de Dunga como técnico nas Eliminatórias, foi marcada por um Brasil apático.

Jogadores que foram titulares com Dunga:

Goleiros: Jefferson (1), Alisson (5),

Laterais: Daniel Alves (6), Marcelo (1), Filipe Luís (5)

Zagueiros: Miranda (6), David Luiz (3), Marquinhos (1), Gil (2)

Meias: Luiz Gustavo (6), Elias (4), Oscar (2), Willian (6), Douglas Costa (5), Lucas Lima (1), Fernandinho (2), Renato Augusto (2)

Atacantes: Ricardo Oliveira (5), Hulk (1), Neymar (3), Jonas (1)

Sob o comando de Dunga, o ataque brasileiro marcou 11 gols e sofreu oito gols. Uma média de quase um gol marcado para cada gol sofrido (1,37 gol marcado para cada 1 sofrido).

As Eliminatórias entraram em pausa para a disputa da Copa América Centenário, onde o Brasil foi eliminado no grupo B, que disputou com Peru, Equador e Haiti. Apesar de uma vitória por 7 a 1 sobre o Haiti, Dunga não resistiu à eliminação e foi demitido. Surgia então novamente a oportunidade de renovação na seleção, e Tite foi contratado em junho de 2016. Tite, até então, comandou o Brasil em oito partidas, com oito vitórias. O estilo de jogo trazido pelo treinador, com compactação e aproximação dos três setores do campo (defesa, meio de campo e ataque) fez com que o Brasil começasse a jogar de maneira mais rápida e mais inteligente. Ter uma opção rápida para o passe é importante, e o esquema tático de Tite favorece isso. Além da mudança tática, mudaram também os homens de confiança na seleção: isso se reflete nos titulares de Tite. Paulinho voltou à seleção, Philippe Coutinho e Gabriel Jesus foram as novidades trazidas e a seleção mudou de cara.

Jogadores que foram titulares com Tite, até a 14ª rodada das Eliminatórias:

Goleiros: Alisson (8)

Laterais: Daniel Alves (7), Marcelo (5), Filipe Luís (6), Fagner (1)

Zagueiros: Marquinhos (8), Miranda (8)

Meias: Paulinho (7), Casemiro (4), Renato Augusto (8), Philippe Coutinho (7), Willian (2), Fernandinho (4), Giuliano (1)

Atacantes: Neymar (7), Gabriel Jesus (6), Roberto Firmino (2)

Sob o comando de Tite, o ataque brasileiro marcou 23 gols e sofreu apenas dois gols. A média sobe e comprova a evolução da equipe. O Brasil fez aproximadamente 12 gols (11,5 exatamente) para cada gol sofrido. A equipe ficou mais entrosada, o que favorece o esquema tático compactado desenvolvido por Tite. A rotatividade na equipe diminuiu, e posições foram consolidadas: Marquinhos e Miranda são a dupla de zaga titular, Neymar e Gabriel Jesus, embora Jesus esteja machucado, são a dupla de ataque. E o esquema de Tite no meio de campo sempre mantém peças fixas: Paulinho, Renato Augusto e Philippe Coutinho são os que mais aparecem. Tite, apesar de não escalar em seu time titular, convocou peças que faziam parte do esquema de Dunga, mostrando que todos podem ter chance na nova seleção brasileira.