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Do segurança ao motorista: como é o Gre-Nal de quem não pode ver o jogo

Imagine você acordar cedo e se arrumar para ir a um estádio de futebol. É Gre-Nal. Tudo bem que você está indo a trabalho, mas já pensou não poder assistir a nenhum lance da partida, muitas vezes estar até de costas, mesmo com o campo separado por poucos metros? Não é nada incomum. Com porte de estádio de Copa do Mundo, a Arena do Grêmio opera com diversos seguranças, orientadores e funcionários, que são obrigados a saberem o placar pelos gritos da torcida.

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Torcedores.com.

É o caso de Alexandre, simpático segurança que trabalha no portão 2 do estádio, que dá acesso ao credenciamento da imprensa. Apesar de se dizer gremista, garante que não é daqueles fanáticos ou viciados em futebol. Por via das dúvidas, está sempre com o celular na mão para, quando der vontade, acionar o radinho e descobrir o placar.

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Venho aqui focado para fazer o meu trabalho de segurança. A gente não sai desse lugar em minuto algum, até porque mesmo durante o jogo tem movimentação e não podemos dar bobeira. Ainda mais em um Gre-Nal. Não tem sentido dar esse vacilo de ir ali olhar, ver como tá e deixar vago o portão aqui. Depois dá algum problema e somos cobrados”, revela o segurança, que complementa.

Trabalhar aqui na Arena tem sido muito bom, assim como no Beira-Rio também. Tem vezes que a gente dá uma cobrada mais forte em vocês para poderem entrar, mas é nosso papel. Não dá para vacilar. Sobre o jogo, eu tenho o radinho aqui no celular, então acompanho por aqui. Mas fico bem focado no trabalho, não ligo muito”, garante.

Como se fosse o andar de um shopping, o setor da cabine leste do estádio do Grêmio, que abriga as salas de imprensa, tem sempre um orientador aparentemente à paisana, mas sempre pronto para fornecer informações precisas. Neste sábado, antes do Gre-Nal, a orientadora presente brincou:

“Não, não fico vendo o jogo não! Tenho que ficar aqui no andar cumprindo meu trabalho. Só às vezes dá para dar uma espiadinha rápida, mas fico sabendo dos gols pela torcida mesmo”.

Sustento antes do amor ao Grêmio

A bordo do seu carro, Luiz Eduardo é motorista do Uber, aplicativo de caronas pagas que tem dado o que falar pelo Brasil. Assim como Alexandre, também se diz gremistas, mas sequer sabia o resultado do placar do Gre-Nal 412 quando a reportagem entrou no seu veículo.

“Quanto deu o jogo, velho?”, pergunta Luiz ao repórter. Ao ser informado, se diverte: “Pois é, cara, nem sabia. Trabalhei aqui perto da Arena fazendo corridas hoje durante o jogo, não liguei nem o rádio. Acabei deixando nas minhas músicas mesmo”, relata.

“Sou gremista, mas não sou daqueles chatos, não. Levo tudo na boa, nem sei direito a escalação. E é aquilo: o Grêmio não paga as minhas contas, o Uber ajuda um pouco”, se diverte.

Um total de 45.903 torcedores estiveram in loco na Arena para acompanhar o eletrizante Grêmio 2×2 Inter. E acreditem: outras tantas pessoas estiveram na Arena, mas sequer olharam para o gramado.

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