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PAPO TÁTICO: A atuação definitiva da Seleção Brasileira na “Era Tite”

Jogar contra o Uruguai no Estádio Centenário sempre foi muito complicado. Mas parece que a grande função de Tite na Seleção Brasileira é descomplicar a vida e mostrar que o futebol é algo muito mais simples do que eu e você pensamos. A goleada sobre a Celeste Olímpica do agora recordista mundial Oscar Tabárez é um resultado que deve ser comemorado e lembrado por muito tempo. Sem exageros. Embora alguns jogadores não tenham mantido o bom nível das partidas anteriores, a atuação coletiva sólida e o controle dos nervos depois do gol de Cavani (resultado de uma bobeira de Marcelo) e das botinadas dos uruguaios é o resultado de um trabalho sensacional feito por Tite e sua comissão técnica. E além disso tudo, vale também destacar a noite de gala do volante Paulinho, peça-chave do esquema tático do treinador brasileiro e autor de três gols. Realmente, essa é uma noite que deve ser lembrada por bastante tempo.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Twitter oficial da CBF

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Um dos grandes trunfos da Seleção Brasileira de Tite é a maneira como a sua equipe executa os movimentos do seu conhecido e usual 4-1-4-1. Mesmo depois do gol uruguaio, o Brasil não se assustou com a desvantagem no placar (coisa que nunca tinha acontecido na “Era Tite”) e continuou tocando a bola, se movimentando e criando espaços. Espaços esses que surgiram quando Neymar chamou a marcação uruguaia e serviu Paulinho, que mandou um pombo sem asa no ângulo do goleiro Martín Silva. A essa altura, o técnico Oscar Tabárez já havia desmontado o seu tradicional 4-4-2 e espelhado o desenho tático da Seleção Brasileira, de modo a explorar os contra-ataques com Rolan e Cristian Rodríguez pelos lados do campo. No entanto, mesmo com a torcida a favor, o escrete canarinho era mais perigoso e insinuante nas tramas ofensivas e colocando a bola no chão para buscar o passe curto e furar a defesa celeste.

O Uruguai espelhou o 4-1-4-1 brasileiro após abrir o placar com Cavani. A nossa Seleção não se abalou e manteve a filosofia de jogo proposta por Tite: linhas próximas, passes curtos e troca de posições. O belo gol de Paulinho nasceu de uma dessas jogadas.

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Na volta do intervalo (e com Roberto Firmino melhor posicionado no comando do ataque), o Brasil chegou à virada novamente com o volante Paulinho, desta vez aproveitando rebote de Martín Silva. O técnico Oscar Tabárez respondeu com a entrada de Stuani no lugar de Rolan e partindo de vez para o ataque num ofensivo 4-3-3, mas apenas levando perigo ao gol brasileiro em falta cobrada por Cavani e em cabeçada do já citado Stuani, todas elas bem defendidas por Alisson. Com mais espaço para atacar, o Brasil marcou o terceiro numa jogada que começou com um chutão de Miranda. Neymar recebeu na esquerda, se livrou de Coates na velocidade e tocou por cobertura. Primeiro gol do camisa dez sobre o Uruguai e quinto dele em seis partidas sob o comando de Tite. A evolução técnica e tática do atacante do Barcelona é visível. Seja abrindo espaços no ataque, marcando gols decisivos ou chamando a falta perto da área adversária.

Mas o grande nome da noite foi o volante Paulinho. O camisa 15 passou de jogador contestado, de atleta “escondido no futebol chinês” a peça-chave no esquema tático de Tite e elogiado por toda a imprensa esportiva pela atuação de gala no Estádio Centenário. Até mesmo este que vos escreve criticou algumas das atuações de Paulinho com a camisa da Seleção Brasileira e agiu com um certo preconceito por se tratar de alguém que atua no futebol chinês. Ele e Renato Augusto mostraram a todos que é possível se manter em alto nível mesmo jogando numa liga mais fraca. Os dois marcam e iniciam a saída de bola com a mesma qualidade, ocupam os espaços e aparecem no ataque com extrema eficiência. O quarto gol da Seleção (o terceiro de Paulinho) nasceu de uma dessas jogadas. Os jogadores de frente abrem os espaços e os volantes aparecem para concluir.

A virada brasileira fez com que Oscar Tabárez apelasse para um 4-2-4 e abrisse ainda mais espaços na sua defesa. Já o Brasil administrou a vantagem e fez mais dois gols. Um (belíssimo) com Neymar e outro com Paulinho em jogada característica do 4-1-4-1 de Tite.

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Vencer o Uruguai no Estádio Centenário lotado não é tarefa para qualquer um. Vencer de goleada é privilégio de pouquíssimos. Não é exagero nenhum afirmar que Seleção Brasileira teve a sua atuação definitiva dessa “Era Tite”. E o melhor de tudo é que a tendência é melhorar ainda mais. Com a classificação para a Copa do Mundo da Rússia bem próxima, o treinador do escrete canarinho terá tempo para observar mais jogadores e novas opções no seu esquema tático (tal como fez no “Jogo da Amizade”, no Engenhão). No entanto, a seriedade e o foco não podem dar lugar ao “oba-oba” e ao clima de “já ganhou”. Mesmo com essa vitória histórica em Montevidéu, a nossa Seleção apresentou alguns problemas no sistema defensivo (causados em grande parte pela atuação abaixo da média de Marcelo). Além disso, o meio-campo deu espaços demais ao adversário em algumas ocasiões. E Tite sabe que precisa corrigir esses problemas.

A atuação da Seleção Brasileira diante do Uruguai, mesmo com as falhas apontadas aqui, merece servir de modelo para muitos times daqui do nosso país. Principalmente os que disputam a Copa Libertadores da América. Ficou mais do que provado que é possível jogar bem na casa do adversário com pressão de torcida em cima, catimba, botinadas e todos esses elementos que a gente já conhece. Que nossas equipes saibam aproveitar as valiosas lições dessa noite de gala no Estádio Centenário.