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PAPO TÁTICO: Mais uma aula de jogo coletivo da Seleção Brasileira (a Rússia é logo ali)

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Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Lucas Figueiredo / CBF

Eu sei que a empolgação do torcedor está lá nas alturas. E não é pra menos. Mesmo apresentando alguns problemas no começo da partida, a Seleção Brasileira se impôs e venceu o Paraguai por três a zero nesta quarta-feira na Arena Corinthians, com belos gols de Philippe Coutinho, Neymar e Marcelo. Além de mais uma grande atuação coletiva, o resultado carimbou o passaporte para a Copa do Mundo de 2018, já que o Peru venceu o Uruguai em Lima. A tal empolgação do torcedor (que voltou a sorrir com o escrete canarinho) é o resultado da transformação que Tite conseguiu fazer na equipe. São oito vitórias em oito partidas (somando o “Jogo da Amizade” contra a Colômbia), vinte e dois gols marcados e apenas dois sofridos. Uma campanha de fazer inveja a muita gente. Há poucos meses, discutia-se sobre o momento ruim da Seleção e sobre a possibilidade dela não se classificar para a Copa. Hoje, já se pensa na passagem para a Rússia. Uma mudança e tanto.

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Falamos que a Seleção encontrou alguns problemas no início da partida. Eles eram decorrentes da falta de intensidade dos comandados de Tite e da boa marcação do Paraguai, que se armou num 4-2-3-1 com a clara intenção de arrancar um pontinho fora de casa ou, quem sabe, uma vitória magra num contra-ataque. A partir do momento em que o Brasil começou a tocar a bola e usar mais os lados do campo, os espaços começaram a aparecer. Mesmo com os pontapés e botinadas dos jogadores paraguaios. Neymar e Philippe Coutinho armavam o jogo e se apresentavam na frente, Paulinho chegava na frente e Renato Augusto iniciava a saída de bola com Casemiro. Tudo com a costumeira qualidade no passe e buscando as triangulações. Vale destacar aqui o trabalho de Roberto Firmino no comando do ataque, como “falso nove”. Foi ele quem abriu o espaço para Philippe Coutinho aparecer na entrada da área para abrir o placar.

O Brasil conseguiu impôr seu ritmo no conhecido 4-1-4-1 de Tite mesmo depois de um início de partida abaixo da média. Faltava intensidade e movimentação ofensiva para furar o 4-2-3-1 paraguaio. O primeiro gol só veio quando Firmino arrastou a zaga para o lado e deixou o campo livre para Philippe Coutinho chutar no canto esquerdo de Anthony Silva.

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A Seleção Brasileira voltou do intervalo mais relaxada e mais concentrada na sua proposta de jogo com a vantagem obtida na primeira etapa (afinal, a porteira já estava aberta). A única mudança foi a entrada de Thiago Silva no lugar de Marquinhos. Explorando bem o lado esquerdo de ataque (onde Neymar levava Bruno Valdez, Paulo da Silva e Hernán Pérez à loucura), mantendo a posse de bola e espremendo o Paraguai no seu campo, o escrete canarinho nos proporcionava mais uma bela aula de jogo coletivo na Arena Corinthians. Nem mesmo o pênalti desperdiçado por Neymar atrapalhou a atuação da Seleção Brasileira. O próprio camisa 10 aumentou em bela jogada individual e o lateral Marcelo fechou o caixão paraguaio no final da partida. E tudo isso mantendo aquele padrão de jogo que eu e você já conhecemos: volantes marcando e atacando (destaque para mais uma atuação excelente de Paulinho), laterais aparecendo para fazer as triangulações e “pontas” com qualidade para criar e aparecer para o chute a gol. Não é exagero dizer que ficou bem barato para o Paraguai de Francisco Arce.

Mais concentrada e mais intensa com a vantagem no placar, o Brasil executou o 4-1-4-1 de Tite com eficiência e conquistou mais uma bela vitória nas Eliminatórias. E nem mesmo a entrada dos “Irmãos Romero” conseguiram fazer com que o Paraguai de Francisco Arce criasse algo de útil na partida. Resultado justo e festa na Arena Corinthians.

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Talvez a grande mudança na Seleção Brasileira tenha sido a chegada de Tite no comando técnico da equipe. Não é preciso falar da sua qualidade na beira do gramado e da maneira com a qual lida com os jogadores e como faz com que eles comprem as suas ideias. Há uma mudança de postura visível em alguns atletas. O próprio Neymar, criticado várias vezes por este que vos escreve, parece mais focado e mais ciente da sua responsabilidade como grande nome do escrete canarinho. Ainda falta, no entanto, o teste contra uma equipe do alto escalão do futebol mundial. As partidas contra Argentina e Uruguai mostraram que o Brasil estava no caminho certo, mas as campanhas irregulares dos nossos tradicionais rivais nas Eliminatórias (e o momento pelo qual essas duas seleções passam) não permitiram que o time brasileiro fosse testado de verdade, principalmente nos problemas identificados aqui na coluna PAPO TÁTICO.

Apesar da empolgação dos torcedores, é possível dizer sim que essa Seleção Brasileira é MUITO DIFERENTE daquela comandada por Dunga no ano passado. Primeiro porque finalmente vemos um sistema de jogo bem planejado e bem executado. E segundo porque a transformação no semblante dos atletas e de quem acompanha o escrete canarinho é visível. Tite não é responsável apenas pela transformação dentro de campo. É também responsável pela recuperação do prestígio da Seleção Brasileira.