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Parapan de Jovens: o que esperar do futuro paralímpico brasileiro?

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Mais de 800 atletas de 19 países disputaram 12 modalidades esportivas no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro, localizado na Rodovia dos Imigrantes, em São Paulo, entre os dias 20 e 25 de março. Os Jogos Parapan-Americanos de Jovens 2017 terminou com o Brasil no topo do quadro de medalhas: 66 de ouro, 41 de prata e 32 de bronze.

Mas o que a liderança no evento representa efetivamente para o País? “Balanço bastante positivo. Mais do que o número de medalhas, que também é importante, o que é mais gratificante é ver a revelação de novos esportistas, que poderão ser medalhistas no Parapan de 2019 no Peru, na Paralimpíada de Tóquio em 2020 e também nos Jogos de 2024”, afirmou o presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), Andrew Parsons, que está prestes a deixar o cargo.

Como exemplo da evolução do Parapan de Jovens, Parsons citou a final do Futebol de 5, disputada entre Brasil e Argentina, na sexta, 24/03. “Um confronto de alto nível, bem jogado e de alta tensão ao mesmo tempo”, disse.

A partida acabou 1 a 0 para o Brasil. A quadra estava lotada de torcedores de ambos os países. Os argentinos, inclusive, até levaram faixas, dando aspecto de estádio ao local.

Mas se no Futebol de 5, o Brasil levou a melhor, a Argentina deu o troco no Futebol de 7, vencendo a seleção por 2 a 1 no sábado, 25/03. .

Tensão também teve na decisão feminina do vôlei sentado. Brasil e Estados Unidos travaram um jogo duríssimo, que terminou com a vitória brasileira por 2 sets a 1.

“Tem aquela sensação boa de ganhar dos EUA. O jogo começou complicado porque demos muita bobeira, mas conseguimos dar a volta por cima e ganhamos. É lógico que a Paralimpíada é uma coisa bem maior, porém quem está aqui vai jogar a competição lá na frente”, disse Eduarda de Oliveira Dias, a Duda, de 17 anos, oriunda da cidade de Pinhão (PR) e um dos destaques da seleção feminina de vôlei sentado. “Saio daqui com o ouro e pensando em futuras conquistas”, completou.

Além da alta competitividade, que, segundo Parsons, serve para baratear os custos do paradesporto, já que os “atletas, em breve, não vão mais precisar viajar para a Europa somente para disputar provas de alto nível”, o presidente do CPB também destacou a mudança de mentalidade do público em geral.

“Vimos todos torcendo e apoiando os esportistas. A gente sabe os efeitos que os Jogos do Rio tiveram na mentalidade das pessoas. Aqui não foi diferente, ainda mais por ser uma competição entre jovens. O futuro da nação está aqui. Não só na política, como no setor de serviços e nas empresas. O empreendedor vai montar um restaurante, pensará em instalar uma rampa e disponibilizar um cardápio em braile, por exemplo”, avaliou o dirigente.

Parsons também ressaltou que o evento serve para estreitar laços entre os países americanos, sobretudo, da América do Sul. “Esta troca de informações e bagagem só faz com que o paradesporto cresça no continente. Um exemplo é a Colômbia, que saiu do quinto lugar do penúltimo Parapan de Jovens para o segundo em 2017. Antes, o Brasil ensinava aos colombianos. Hoje, eles ensinam a nós e a outras nações”.