Futebol

7 dias para o El Clásico: A Rivalidade

Publicado às

Vocação jornalística e esportiva desde a infância. Colaborador desde 2015 com matérias/artigos, principalmente nas coberturas do automobilismo, futebol americano e esportes eletrônicos.

Crédito: Reprodução: Youtube

No aquecimento para o El Clásico que poderá mudar os rumos da Liga 16/17, artigos serão publicados até o Real Madrid x Barcelona do próximo domingo (23).

O maior clássico do futebol mundial está para acontecer novamente. Real Madrid e Barcelona voltarão a se enfrentar pelo Campeonato Espanhol (La Liga) no próximo domingo (23) em confronto da 33a rodada da liga. O jogo é considerado, de forma quase unânime, a decisão da temporada 2016/2017.

No turno, o jogo foi disputado num sábado, dia 3 de dezembro. Foi numa data no qual o clássico no Camp Nou ficou em segundo plano, pois o mundo acompanhava o velório coletivo as vítimas da tragédia com o avião da Lamia, que transportava jornalistas e a delegação da Chapecoense. Houveram muitas homenagens durante o confronto.

No campo, o jogo terminou em 1-1, com muitos lances de perigo, principalmente na etapa inicial. No jogo do returno, o Santiago Bernabéu será o palco do confronto que pode mudar os rumos da reta final do Espanhol. Aliada a tabela, está em jogo toda a histórica rivalidade entre as duas equipes. Mas, quando foi o momento em que “El Clåsico” (O Clássico) se tornou o principal do mundo futebolístico?

A história da rivalidade transcende o futebol e começa por volta de 1930. Num momento de acirramento político e cultural, surgiu um clube na Espanha que tinha desde em seu escudo os ideais da independência catalã do país espanhol, opondo-se as tendências de Madrid. Em 1936, a rivalidade acentuou-se quando o presidente do Barcelona (Josep Sunyol) foi preso e executado pelas tropas de Francisco Franco, que era contrário a Segunda República Espanhola.

Durante a ditadura de Franco, o Barcelona foi uma das organizações mais perseguidas, junto a anarquistas, comunistas e pessoas que lutavam contra a independência. Na ditadura de Miguel Primo de Rivera, houve a instauração oficial do espanhol como língua oficial da Espanha, e deste acontecimento surgiu o slogan do FC Barcelona, “més que un club”, por conta dos ideais nacionalistas alinhados a Catalunha.

Os catalães acumulam um desgosto há décadas por causa do alinhamento do representantes do Real Madrid com as autoridades de Franco. Nos anos 80, a rivalidade ficou ainda mais intensa com a criação das torcidas organizadas por hooligans.

No ano de 1980, foi fundada o Ultra Sur, por torcedores radicais do Real Madrid. Um ano depois, surgiu o Boixos Nois, grupo de radicais ultras do Barcelona. Mais uma vez, a rivalidade transcendia o futebol e ambos os grupos foram marcados por atos extremamente violentos. Um outro grupo radical ligado ao Barcelona, os Casuals, foram considerados oficialmente como uma organização criminosa.

Segundo pesquisas do Centro de Investigações Sociológicas da Espanha (CIS), muitas pessoas consideram o Barcelona como o “time rebelde”, e o Real Madrid como “time conservador”. A mesma pesquisa aponta que o Real é o time com mais torcedores/fãs na Espanha, seguido pelo Barcelona.

Dentro de campo, a rivalidade também era intensa. Uma das maiores polêmicas ocorreu nas semifinais da Copa del Generalísmo de 1943 (atual Copa del Rey), quando o Real Madrid venceu o Barcelona por sonoros 11-1 no jogo de volta, no Bernabéu. Após perder o jogo de ida por 3-0, o Real alegou que a arbitragem e o campo favoreceram a equipe catalã.

Para o jogo de volta, o Real proibiu que torcedores catalães viajassem a Madrid. A equipe do Barcelona foi insultada na chegada do estádio e várias pedras foram jogadas no ônibus da delegação. Dentro do estádio, objetos seguiram sendo arremessados para os jogadores do Barcelona. Um policial chegou na delegação do Barcelona (no caso, de Ángel Mur) e disse: “hoje vocês vão perder aqui.”. O time catalão percebeu que a situação era incomum após Benito García ter sido expulso após uma falta “completamente normal”, segundo relatos de Mur, e o pensamento do Barcelona foi de protesto.

No intervalo de jogo, 8-0 Real Madrid, a equipe do Barcelona havia decidido não retornar para o campo. Mas, segundo relatos de Calvet, um general adentrou os vestiários da equipe catalã afirmando que todos seriam presos caso não retornassem para o jogo. Apesar de jogar sem intensidade, a equipe acabou marcando um gol, o que foi considerado um desrespeito para as mídias de Madrid. O goleiro do Barcelona, Fernando Argila, disse em entrevista pós-jogo que a rivalidade entre as duas equipes começou naquele momento.

Depois deste episódios, outros jogos e até transferências de jogadores (como as de Luís Figo e Di Stéfano) tornaram-se palco de grandes polêmicas. A rivalidade voltou aos níveis passados no futebol atual, quando os embates entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, e entre José Mourinho e Pep Guardiola, fez dos ânimos das torcidas voltar a ficar intenso.

Em jogos oficiais, o histórico de 232 partidas aponta 93-90 para o Real Madrid, com 49 empates. Atualmente, o Barcelona marca pelo menos um gol no El Clásico há 22 partidas, desde 27 de abril de 2011. O artilheiro do confronto é Lionel Messi, com 14 gols na Liga e 5 gols na Supercopa. Em 2° na lista dos artilheiros, o lendário Alfredo Di Stéfano, com 14 gols na Liga e 2 na Supercopa. Cristiano Ronaldo aparece na P3, com 8 gols na Liga, 5 gols na Copa e 3 gols na Supercopa. Na lista de outros jogadores que fizeram história no El Clásico estão Puskas, Hugo Sanchez, Francisco Gento, Raúl, César, Lazcano, Benzema, dentre outros.

Este texto contou um pouco da rica e tensa história sobre a maior rivalidade do futebol mundial, que transcende as quatro linhas em uma inimizada quase centenária. Ao longo de toda a semana, outros textos serão publicados para aquecer o clássico do próximo domingo (23), que ocorrerá as 15h45, pelo horário de Brasília, direto do Santiago Bernabéu.