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Fotógrafo do Palmeiras relembra aventura para registrar imagem histórica de Marcos

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Dennys Carvalho é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdade Integradas Alcântara Machado) e apaixonado por esportes. Já trabalhou na Rádio Escuta/Produção da REDETV!, operador de TV de uma empresa de monitoramento de mídia e Pós-Graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte.

Crédito: Foto: Divulgação/César Greco

César Greco Júnior, 42 anos, é o fotógrafo oficial do Palmeiras que acompanha o futebol profissional em todos os compromissos da equipe. Palmeirense e torcedor de arquibancada, César não imaginava que em um dia, iria trabalhar no clube: “O que eu mais gosto são as fotos que contam histórias, nem sempre são as melhores fotos, não são tão espetaculares, mas dá no nosso coração”. 

O TORCEDORES.COM bateu um papo com o cara que tem registrado todos os momentos do Palmeiras nos últimos anos. César contou o início da sua carreira, como chegou no Verdão, algumas técnicas para bater uma boa foto e uma aventura que passou em uma Libertadores, com o “São Marcos” de personagem.

TORCEDORES.COM: César, sempre foi o seu sonho trabalhar como fotógrafo no Palmeiras?
CÉSAR: Eu sou apaixonado pelo Palmeiras, torcedor de arquibancada e jamais imaginei que um dia seria o fotógrafo oficial do Palmeiras. E a fotografia é algo que fazia parte da minha vida, que me faz muito a cabeça, porque tem uma linguagem, toda uma condição de você transpor, uma imagem visual né? e ai você usa a técnica, usa o bom-senso, usa uma porção de elementos que você transpõe, você consegue condensar a informação em uma imagem.

TORCEDORES.COM: Mas como foi o seu início? Por onde passou? O que estudou?
CÉSAR: Eu sou formado em jornalismo, me formei em 2003. Gosto muito de escrever, mas já na faculdade eu quis seguir o caminho do fotojornalismo, principalmente o fotojornalismo esportivo. E a fotografia é algo assim, que me fez a cabeça e então comecei a fotografar de forma amadora, fotografando o meu filho pequeno, e junto com a faculdade apareceu esse gosto pelo fotojornalismo. Eu trabalhei em pequenas publicações semanais, comecei bem lá de baixo, nos jornais pequenos, junto com a faculdade, praticando o fotojornalismo diário, buscando fazer esportes e ai, a coisa foi andando né?

TORCEDORES.COM: E a sua experiência?
CÉSAR: E a experiência foi algo que aprendi sozinho. Eu sou muito observador. E por ser observador, eu olhava os trabalhos dos outros fotógrafos, tentava entender o que eles faziam e com a leitura de fotografia é ver muita foto. Observar o que foi feito, como foi feito, tentar entender, tentar reproduzir e aí com o tempo, a prática, né? Fotografia é exatamente isso: fotografar, fotografar e fotografar.

TORCEDORES.COM: No Palmeiras, o que você cobre?
CÉSAR: No Palmeiras, eu cubro todo o futebol profissional, então tudo o que acontece nos jogos, nos treinos, nos vestiários, antes das partidas, as apresentações do jogadores…Enfim, tudo o que é relacionado ao futebol profissional, eu cubro. Mas, de vez em quando, a gente faz outras coisas em relação ao clube. Mas no Palmeiras tem outro fotógrafo que se chama Fábio Menotti, muito parceiro, muito amigo, que ele faz o clube social. Tudo o que acontece no clube e na base. Mas o que precisar fazer, a gente faz. E claro, o futebol ocupa todo o meu tempo e então fico sempre com o profissional.

TORCEDORES.COM: Como você chegou no Palmeiras?
CÉSAR: Eu cheguei no Palmeiras por ser palmeirense. Na época eu já trabalhava com futebol, cobria todos os campeonatos, times, treinos…Enfim, tudo relacionado a futebol e hardnews. Nunca escondi que eu era palmeirense e então, quando o Palmeiras fez uma restruturação do site e queria iniciar o trabalho de um fotógrafo oficial para acompanhar o futebol profissional, me indicaram e me chamaram para trabalhar. Foi uma coisa natural, aconteceu, ou seja, eu já tinha conquistado um espaço no futebol, porque já trabalhava no esporte à alguns anos.

TORCEDORES.COM: Existe uma fórmula para fazer uma boa fotografia? Tem alguma dica?
CÉSAR: O esporte ele demanda muita agilidade, muita percepção, muita observação, porque cada esporte tem um movimento, uma velocidade, um posicionamento para você captar as imagens, onde tem toda uma característica que o fotógrafo. O fotojornalista tem que entender e justamente para você captar a história a partir do esporte é. Se você vai fazer um motocross, um jogo de rugby, uma olimpíada…Cada esporte tem uma forma de você mostrar, uma velocidade, um movimento…então essas técnicas você tem que resolver ali onde acontece.

TORCEDORES.COM: Alguma fotografia te marcou muito? Alguma favorita?
CÉSAR: Na nossa carreira a gente faz uma fotos, que dá no nosso coração, né? Na verdade, as que eu mais gosto são as fotos que contam histórias, mas nem sempre são as melhores fotos, não são tão espetaculares. Os livros que eu já lancei, as capas tem bastante história. Por exemplo, o livro do Marcos. Foi um jogo de Libertadores contra o Sport, lá em Recife. Na época, eu trabalhava em agência e me deu na cabeça que era interessante fazer esse jogo. Eu saí de São Paulo, meio que por conta.

Foto: César Greco – Oitavas de final da Copa Libertadores 2009

Meu irmão trabalhava com companhia aérea e ele conseguiu uma passagem daquelas para parentes sabe? só que você não tem segurança nenhuma de ir e voltar… Enfim, mas eu consegui ir pra lá, peguei um voo de manhã, fiquei esperando o dia todo para o jogo e fiz a partida. O Marcos foi o homem do jogo e eu por um erro de cálculo, eu acabei perdendo aquela comemoração logo que ele pegou o terceiro pênalti e perdi.

E eu pensei comigo: “Poxa vida, fiz essa correria aqui, não sei se consigo voltar para casa, porque essa passagem você pode embarcar ou não. E perdi. Tô lascado!”

Na época, eu trabalhava em agência, então a coisa era vender as fotos do jogo. O homem do jogo era o Marcos e eu não tinha feito a comemoração específica, mas fui fazer uma foto do Marcos seja lá como for e eu fiquei lá, esperando ele dar a entrevista, vendo se eu conseguia fazer alguma coisa, até o momento de ele deixar o campo.

E fiquei ali perto dele, enquanto todos os profissionais iam trabalhando e enviando aquela foto da comemoração, que é uma foto muito bacana, mas eu tinha perdido. E então, ele virou as costas e estava indo embora, mas do nada ele virou, deu aquela vibração para torcida e eu estava em baixo dele e fiz uma foto exclusiva, que final das contas foi um material diferente de todo mundo. Foi muito bem publicada, deu várias capas, porque foi uma coisa de grande angular, porque foi o homem da partida.

E você vê, né? foi uma foto bacana e virou a capa do meu livro e que tem história, assim como a capa da Copa do Brasil de 2012 e 2015, todas elas tem histórias. Nem sempre estão tecnicamente perfeitas.

Foto: César Greco – Copa do Brasil 2012 e Copa do Brasil 2015