Atletismo

“O mundo tem a cor que a gente quer e o meu é colorido”, diz Terezinha ao explicar look

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Perfil especializado em paradesporto. Ou melhor: DESPORTO PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS. Queremos um Mundo Sem Limites!

Dona de oito medalhas paralímpicas – três de ouro, duas de prata e três de bronze -, a velocista mineira Terezinha Guilhermina nasceu com retinose pigmentar por ser filha de primos de primeiro grau. “Sou de uma família de 12 irmãos, dos quais cinco são deficientes visuais”, contou. Apesar disto, ela não perde o bom humor: “O mundo da gente tem a cor que a gente quer e o meu é colorido”, disse ao explicar o seu look chamativo.

 
Uma das atletas mais conhecidas e admiradas do Brasil, Terezinha quase trocou as pistas de atletismo pelas piscinas. “Em um primeiro momento, quando era criança, eu me inscrevi para fazer natação porque tinha maiô. Eu queria correr, mas não tinha tênis. Voltei para casa, contei para minha irmã e ela meu deu um par. Foi assim que comecei a correr”, revelou a atleta, que compete na classe T11*.

 
Apesar de não ter ganhado medalha na Paralimpíada Rio 2016, a velocista afirmou que foi gratificante ter participado do evento. “Fiquei muito feliz com o reconhecimento. Fiquei muito feliz de ser brasileira e de fazer parte deste momento da história do Brasil. Toda vez que entrava no Engenhão, a torcida inteira gritava meu nome. Foi muito bom receber o apoio do público e notar que houve uma grande repercussão na mídia”, ressaltou.

 
Além de se destacar pelos resultados esportivos, Terezinha também é famosa por ser carismática e irreverente. Ela sempre disputa as provas com uma venda estilizada e com uma flor colorida no cabelo. “Passei a usar este visual em 2011. Fui participar de uma competição mundial e levei óculos vendados. A organização me deu uma venda que as pessoas geralmente usam para dormir em avião. Eu disse que fui lá para correr e não para dormir. Então comecei a fazer as minhas vendas”, disse. “Virou uma marca, um marketing. Para combinar, uso meias, flores no cabelo”, completou.

 
A velocista ainda revelou que saiu da Rio 2016 já com o pensamento em Tóquio, que receberá a Paralimpíada de 2020. “Sei que há escalas. Neste ano, por exemplo, tem o Mundial de Londres. A preparação já começou. Agora é focar para melhorar os resultados. Entre Londres 2012 e Rio 2016, eu tive alguns impasses que não quero ter até Tóquio. Vou sanar todos os incidentes que tiveram no Rio para que não aconteçam mais”.

 
Para chegar bem ao Japão, Terezinha conta com uma equipe extensa. Além do guia que a orienta nas provas, ela trabalha com três fisioterapeutas, nutricionista, psicóloga, equipe de marketing e empresário. “E primeiramente tenho a Deus que proporciona tudo isso”.

 
Por fim, a atleta comentou a polêmica com a britânica Libby Clegg, que chegou a ser desclassificada na semifinal dos 100m da classe T11 na última Paralimpíada, mas recorreu, disputou a final e ganhou a medalha de ouro.
A desclassificação ocorreu porque, supostamente, o guia de Libby, Chris Clarke, teria passado e puxado a britânica durante a prova, algo que não é permitido. Pelo mesmo motivo, Terezinha foi desclassificada. No entanto, diferentemente da britânica, a brasileira ficou de fora da decisão.

 
“A regra de o guia poder puxar a competidora só valeu para esta Paralimpíada. Não estava preparada para isto. Não vou jogar este jogo. Vou treinar mais. Se for para eu me preparar para correr contra homem, farei isto”, desabafou.

 

*Nas competições de pista do atletismo, os deficientes visuais são divididos entre as classes T11, T12 e T13. Quanto menor o número, maior o grau da deficiência.