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O Modelo ESTRELA – parte 4 – Os clubes sabem quem são seus torcedores, quem são seus consumidores, onde estão, o que fazem e como são vistos por eles?

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Gerente de Marketing e Relacionamento do Flamengo 2013/14/15. Atualmente Coordenador e Professor no MBA em Gestão e Marketing Esportivo Trevisan. Business Management, Marketing Emphasis, Universidade da Califórnia. MBA em Gestão Ibmec. Gestão Futebol CBF. Autor Blog A Bola nem sempre é redonda Fluente em 4 idiomas, bons conhecimentos em outros 2.

Cada clube, mesmo sem querer, construiu uma identidade de marca que veio se consolidando com o tempo. Não houve um trabalho com essa intenção. Nunca se pensou nisso. Sempre foi como o grande filósofo do samba carioca, Zeca Pagodinho, citava em uma de suas músicas, meio que deixa a vida me levar.
Dessa forma o torcedor ia se identificando com algum clube em particular.

A situação sócio, político, econômica e cultural influenciava na expansão dos mercados, às vezes com a ajuda direta ou indireta de governos ou mesmo com o surgimento por “geração espontânea” de grandes craques ou até pela sorte de ter um determinado dirigente que, mesmo sendo amador, tinha algum tino para o negócio, ou seja, até bem pouco tempo se criavam e desenvolviam novos mercados consumidores, quase por acaso, quase sem querer.

Situações históricas e de guerras de fronteiras, fizeram com que o povo gaúcho desenvolvesse um perfil muito particular, assim times como Inter e Grêmio criaram uma polarização local e uma força no estado praticamente hegemônica e, com a migração da soja para o centro-oeste e parte da Amazônia, passou a ter torcida nessas regiões.

Falando em migração, temos o desenvolvimento de mercado dos times de São Paulo pelo Nordeste, pois vários migrantes após morar e ajudar a desenvolver a cidade voltavam para suas cidades levando o amor pelos times da cidade.

No caso do Rio, por ser a capital do país e ter sua cultura e hábitos espalhados pelo Brasil graças a rádio Nacional influenciou o crescimento de torcidas em todos os estados que não tinham poder econômico ou político para equilibrar essa disputa.

Esses, entre vários outros fatores, poderia citar muitos mais, influenciaram no perfil dos torcedores.

Mas a pergunta no momento é: os clubes sabem quem são seus torcedores, qual o nível de engajamento, quantos são, onde estão, o que fazem e como são vistos por eles?

Posso dizer com total segurança que não tem a menor ideia. A grande maioria cita números aleatórios baseados em achismos e em pesquisas não muito confiáveis.

Claro que ultimamente temos visto alguns movimentos para identificar esses perfis. Alguns clubes começam a trabalhar suas bases de cadastro, que ainda são muito incipientes, mas a grande maioria vê esse tipo de investimento como uma despesa desnecessária.

Faz algum tempo a Ibope Repucom junto com o jornal Lance fez uma pesquisa, apresentada na figura abaixo, sobre os torcedores dos principais clubes do Brasil.

E, mais recentemente anunciaram que teriam alguns dados mais sólidos sobre o tamanho desse mercado.

Mas a questão é: algum grande time do Brasil sabe usar esses dados? Valorizam essas informações? Tomam conhecimento? Negociam para ter esses números em detalhe? Se interessam em aprofundar a pesquisa, buscando entender o perfil de consumo de seus torcedores e o real tamanho da sua base? Consegue dizer onde estão, quantos são, nível de consumo e grau de fidelidade que seus torcedores têm?

Afinal para que gastar dinheiro com isso se os apaixonados torcedores consomem de qualquer forma e se os patrocinadores sabem qual o endereço das entidades e fazem fila em suas portas para deixar os cheques, voltando apenas um ano depois para repetir a “doação”?

Alguns dirigentes citam que tem 5, 10, 20 milhões de torcedores, mas qual o nível de relacionamento, como melhorar o interesse e proximidade do clube com seus apaixonados fans?

Em síntese, sem esses dados, não há como conquistar bons patrocinadores que realmente se engajem, patrocinadores que tenham uma visão profissional e a longo prazo desse relacionamento entre clube, marca e torcida, que precisa ser construído com dedicação para trazer resultados palpáveis, e não apenas um investimento pontual, durante um ou dois anos apenas para mostrar sua logo, usando a camisa como um simples outdoor?

Pois é. Se você não sabe como você é visto, como o mercado te enxerga, como os consumidores e torcedores se relacionam com seu clube então, como conquistar patrocinadores e desenvolver o mercado???

O Modelo ESTRELA – parte 3 – Será que os clubes entendem o momento em que vivem?

O Modelo ESTRELA – parte 2 – Os clubes compreendem quem são?

O Modelo ESTRELA – parte 1 – Qual a credibilidade de nosso futebol? Patrocinadores querem se vincular? Como atraí-los?

Fred Mourão – Gerente de Marketing e Relacionamento do Clube de Regatas do Flamengo 2013/14/15. Coordenador e Professor do MBA em Gestão e Marketing Esportivo da Trevisan. Estudou Marketing na Universidade da Califórnia, tem MBA em Gestão pelo Ibmec, é graduado em Administração pela UERJ e cursou Gestão de Futebol na CBF