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PAPO TÁTICO: As boas sacadas de Zé Ricardo na vitória do Flamengo sobre o Atlético-PR

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Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Gilvan de Souza / flamengo.com.br

Começo esta humilde análise dizendo que essa vitória (importantíssima) do Flamengo sobre o Atlético-PR nesta quarta-feira, pela Copa Libertadores da América, teve o dedo de Zé Ricardo. Sim, muitos torcedores flamenguistas não andam vendo o treinador rubro-negro com bons olhos. Mas o fato é que ele foi muito feliz nas suas escolhas. A lesão de Everton, as circunstâncias da partida em si e o desfalque de última hora do argentino Mancuello fizeram com que Zé Ricardo apostasse numa formação que ainda não havia sido utilizada nesse ano, mas que funcionou muito bem na primeira etapa da partida no Maracanã, mesmo com o desentrosamento natural da equipe. A vitória no Maracanã e o empate entre Universidad Católica e San Lorenzo devolvem o Flamengo para a liderança do seu grupo na Libertadores e dão o alívio que o elenco precisava para se concentrar para os próximos jogos decisivos da temporada. Tudo graças ao “dedo” do treinador.

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A insistência de Zé Ricardo na escalação de Mancuello aberto pela direita é bem compreensível. Falta ao Flamengo um jogador que feche o meio por ali e que ainda auxilie Diego na construção das jogadas. Além disso, ainda existe a expectativa pela estreia de Darío Conca no time (talvez) no próximo mês. Por outro lado, a entrada do lateral Miguel Trauco alinhado a Diego e Gabriel acabou sendo fundamental para que o Mais Querido do Brasil apresentasse um futebol bastante elétrico e envolvente nos primeiros quarenta e cinco minutos. Além de fechar bem o meio-campo, o peruano ainda descolou um belo lançamento para Guerrero abrir o placar aos seis minutos. Com a exceção de Renê (que sentiu o peso da partida e vacilou no gol de honra do Atlético-PR), o Flamengo aproveitou a atmosfera criada pelos mais de 60 mil pagantes no Maracanã e os vacilos da defesa do Furacão para balançar as redes duas vezes ainda no primeiro tempo. O Flamengo mostrava equilíbrio e uma maturidade ainda não vistas nessa temporada.

A atmosfera criada pela torcida, a entrada de Trauco no meio-campo a boa atuação de Diego foram os trunfos do 4-2-3-1 de Zé Ricardo. Já o Atlético-PR sofreu com os desfalques e tentava acelerar pela esquerda com Sidcley e Douglas Coutinho.

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Paulo Autuori entendeu que sua equipe precisava de mais intensidade e apostou na entrada de Grafite no lugar de Eduardo da Silva. O gol marcado pelo ótimo Nikão (em posição de impedimento) nasceu de uma falha de Renê e de bela jogada de Jonathan pela direita. Mesmo assim, o Atlético-PR sentia (e muito) as ausências de Felipe Gedoz e Otávio. Do mesmo modo que o Flamengo sentiu a saída de Diego por lesão na metade do segundo tempo. O garoto Matheus Sávio entrou e tentou dar sequências aos contra-ataques sem muito sucesso. E foi aí que Zé Ricardo apareceu novamente com a entrada de Marcelo Cirino no lugar de Gabriel. Depois de quase sair do Flamengo, o camisa 29 aproveitou bem as chances que teve e teve uma boa participação como válvula de escape pela direita num momento em que o Atlético-PR estava melhor na partida. Apesar do Furacão ter melhorado com as entradas de Luiz Otávio e João Pedro nas vagas de Deivid e Lucho González, o Flamengo teve maturidade para gastar o tempo, esperar o apito final e garantir mais uma vitória para o Mais Querido do Brasil.

As entradas de Luiz Otávio, Grafite e João Pedro melhoraram o desempenho do Atlético-PR que seguia jogando no 4-2-3-1 de Paulo Autuori. No entanto, o time ainda sentia a falta de Felipe Gedoz e Otávio. No outro lado, a saída de Diego enfraqueceu bastante o Flamengo que só se reencontrou quando Zé Ricardo mandou Marcelo Cirino pro jogo.

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A vitória no Maracanã serviu para que Zé Ricardo reencontrasse a paz para trabalhar e preparar o time do Flamengo para as partidas decisivas no Campeonato Carioca e na própria Libertadores da América. A lesão de Diego, no entanto, preocupa bastante pelo fato do camisa dez ser o único com capacidade de desequilibrar no elenco rubro-negro. A preocupação do jogador após a sua saída de campo mostra que o problema pode ser mais sério do que se pensa. Sem ele em campo, o Flamengo suou para criar jogadas de ataque e só melhorou quando todos em campo perceberam que era preciso gastar o tempo e fechar a marcação, negando os espaços que o Atlético-PR tanto queria para chegar ao ataque. Matheus Sávio ainda está muito “verde” para realizar essa função numa Libertadores. Mancuello poderia ser utilizado num 4-1-4-1 alinhado a Willian Arão. Mas nenhum deles tem a qualidade no passe e a visão de jogo de Diego. É por isso que a sua lesão preocupa. E muito.

A tendência é que o jogo de volta (em Curitiba) seja ainda mais pegado e muito mais complicado para o Flamengo, já que Felipe Gedoz e Otávio devem estar à disposição de Paulo Autuori. Além disso, jogar na Arena da Baixada sempre foi uma pedra no sapato do Mais Querido do Brasil. Na terceira posição do Grupo 4, o Furacão já sente falta dos pontos desperdiçados no empate contra a Universidad Católica, na abertura dessa fase da Libertadores da América. E é por isso que o trabalho e as análises de Zé Ricardo serão importantíssimas. Tanto na escalação do time que vai entrar em campo no dia 26 de abril como a proposta de jogo que o Flamengo vai adotar.

Em tempo: que camisa feia essa do Atlético-PR hein?