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Eduardo Baptista injustiçado? Não. Números sozinhos não valem muito no futebol

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Colaborador do Torcedores

Eduardo Baptista

Crédito: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação - Eduardo Baptista (Palmeiras)

A bomba da noite da última quinta-feira foi a demissão do técnico Eduardo Baptista.

Contratado pelo Palmeiras no início da temporada, o ex-comandante da Ponte Preta declarou que o motivo de sua demissão teria sido a derrota para o Jorge Wilstermann na Bolívia. “Tenho um grande aproveitamento e deixo o time líder da competição. Perdi um jogo na altitude de paguei o pato”, afirmou Eduardo Baptista. Mas é claro que esse não foi o motivo para a demissão do treinador.

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É fato que os números de Baptista comandando o Palmeiras são positivos. Em quatro meses à frente do time paulista ele conseguiu um aproveitamento de 66,6%, com 14 vitórias, quatro empates e cinco derrotas. Números insuficientes para mante-lo no cargo? Não, mas pouco futebol apresentado pela equipe e falta de um padrão consistente de jogo.

A demissão de Eduardo é mais uma prova de que os números no futebol não garantem sequências de trabalho e nem sempre trazem resultados positivos. Em seu blog, “Rica Perrone”, do “UOL”, entende que a demissão do treinador é normal e diz que “a avaliação de desempenho não é incontestável. Pelo contrário, o Palmeiras rende menos do que poderia/deveria e tem conseguido resultados na base do drama, não do time bem organizado que controla os jogos”.

Outra garantia de que os números no futebol são apenas estatísticas, é a quantidade cada vez maior de equipes que jogam sem a posse de bola, como o Corinthians de Fábio Carille e a Juventus de Massimiliano Allegri. O Chelsea, de Antonio Conte, tem uma média de posse de pouco mais de 54%, número inferior aos de Tottenham, Liverpool, Manchester United, Manchester City e Arsenal. No caso dos líderes do campeonato inglês o ponto forte é a marcação firme e os ataques rápidos, assim como o Palmeiras de Cuca no campeonato brasileiro do ano passado. Já a Juventus, que encanta tanto no campeonato italiano como na UEFA Champions League, aposta em uma defesa sólida (talvez a melhor do mundo atualmente) e um ataque mortal, que deixam a equipe entre as grandes do velho continente. Na histórica vitória por três a zero contra o Barcelona, o time espanhol teve uma posse de bola de 66% contra 34% dos italianos, e o que isso influenciou no resultado? Nada. É claro que ter a posse é bom, se o time souber o que fazer com a bola. É tão bom como não ter a posse e saber aproveitar desse fator fazendo boas partidas, vencendo jogos e campeonatos.

No campeonato paulista, o Corinthians de Carille não encanta, não joga com a bola, não tem grandes talentos, mas surpreende porque consegue os resultados. Nesse caso ninguém espera o Corinthians jogando bonito, mas sim dentro de suas limitações e conseguindo manter uma boa sequência. Se isso vai dar certo até o final do ano, não há como saber, pois times com bons elencos têm mais chances de bons resultados. E é aí que voltamos à falar do Palmeiras, um time com um ótimo elenco, com números bons, mas com um futebol muito aquém do esperado. Ninguém sabe se Cuca, ou um outro técnico que assumir o alviverde paulista, vai conseguir bons resultados, mas é importante não se apegar apenas nos números, pois o que vale é ter padrão de jogo, bola na rede e troféus sendo erguidos.