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Flamengo: na Libertadores, é a coragem que entra em campo

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Gilvan de Souza/Flamengo

É claro para qualquer um que acompanha o futebol brasileiro que o time do Flamengo é melhor que as equipes do Santos e do Atlético Paranaense. Depois do clube carioca ser campeão carioca com certa tranquilidade, as expectativas em relação ao rubro negro para a Libertadores cresceram consideravelmente.

Sem problemas financeiros, com um bom número de contratações fortes para a temporada, o Flamengo se preparou para grandes conquistas em 2017. O grande objetivo da diretoria era o mesmo que o de tantos outros clubes: a Copa Libertadores da América, a competição mais cobiçada do continente.

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No entanto, para a surpresa de todos os amantes de futebol, na última quarta-feira, 17, enquanto a política brasileira pegava fogo, uma combinação de resultados fez com que o Flamengo fosse eliminado da Libertadores de forma precoce. Quem poderia imaginar que um elenco tão bom deixaria a competição na fase de grupos?

Enquanto isso, times claramente mais fracos, como Santos e Atlético Paranaense conseguiram a classificação. Como? Quem acompanha futebol sabe: a Libertadores é diferente de qualquer outro campeonato. Não é só sobre ter um bom elenco, uma boa ideia de jogo, é sobre entrega. É sobre não ter medo, não se apequenar diante de um bom adversário, de uma torcida fanática, da altitude de certos países.

O Flamengo, assustado depois de um empate, recuou todo o seu time, em vez de mostrar seu poder ofensivo. Claramente a estratégia não funcionou: o segundo gol, o da virada do San Lorenzo, veio nos acréscimos. Em vez de acreditar, o rubro negro teve medo. E, na Libertadores, temer não funciona.

Enquanto isso, no Chile, o Atlético Paranaense deu tudo e mais um pouco do que tinha. Até os 31 do segundo tempo, o clube do Paraná perdia por 1 a 0. Só nos últimos 15 minutos conseguiu empatar e, mesmo assim, mesmo que fosse difícil, se entregou em campo, como todo torcedor gosta de ver. Douglas Coutinho virou, a Universidad Católica empatou. Em uma noite iluminada de Carlos Alberto, que em nenhum momento deixou de acreditar, o terceiro gol veio aos 41 do segundo tempo. O gol da classificação, o gol da eliminação do Flamengo – o time que não acreditou tanto assim.

O Santos, também tecnicamente muito pior que o clube carioca, conseguiu a classificação quase de maneira heróica. É claro que o torcedor preferiria uma vitória, mas a expulsão boba de Bruno Henrique (e o gol no fim do primeiro tempo) dificultaram a situação do time. Poucos santistas acreditavam que a equipe conseguiria arrancar um pontinho na altitude de La Paz.

A diferença é que os jogadores acreditaram. Com um a menos, o Santos cresceu. Acreditou. Pressionada, a equipe conseguiu se segurar (com a ajuda do pênalti perdido por Pablo Escobar) e, ainda, marcar um gol aos 23 minutos do segundo tempo. Tudo isso porque teve vontade. Porque acreditou.

E na Libertadores é isso que mais conta: a garra, a vontade, a coragem de conquistar o resultado. Na competição mais visada da América, a melhor defesa é, sem dúvidas, um bom ataque.