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Futebol Italiano: Passado de ouro, presente sombrio e futuro incerto

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Colaborador do Torcedores

Há muitos anos o futebol italiano está em decadência.

Foi-se o tempo em que as esquadras do país tetracampeão mundial eram as maiores potências da Europa. Hoje vemos a Juventus como única representante do futebol italiano com chances reais de conquistar títulos no continente europeu. Mas por quê essa queda de nível?

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O principal motivo é a questão financeira, atrelada à baixa qualidade de jogadores e interesse de patrocinadores. Mas por quê o campeonato que teve seu ápice nos anos 80 e 90 deixou de atrair esses patrocinadores? Com a globalização e com o futebol se tornando cada vez mais um negócio, ter um campeonato que não atrai investidores é decadência na certa.

A época de ouro do futebol italiano

Mas para entender essa decadência é preciso conhecer o auge do calcio. Desde a primeira UEFA Champions League, os clubes italianos já eram protagonistas. Na edição de estréia do torneio europeu em 1955-56, o Milan foi semifinalista e nas duas edições seguintes, Fiorentina e Milan ficaram com o vice-campeonato. Em 1962, 63 e 64, Milan e Internazionale (duas vezes) levaram três troféus para a Itália, colocando de vez o nome do país entre os grandes praticantes de futebol da Europa e do mundo. Desde então os clubes italianos já conquistaram a Europa 12 vezes, além de 14 vice-campeonatos, ficando atrás somente da Espanha (16 títulos e 11 vices) no ranking de países com clubes mais vitoriosos na UEFA Champions League.

A Serie A Italiana (primeira divisão de futebol do país) teve seu auge nas décadas de 80 e 90, e chegou a ser transmitida para o Brasil pela Rede Globo e pela Rede Bandeirantes. Inclusive um clube italiano foi o finalista da primeira transmissão de uma final da UEFA Champions League no Brasil, no ano de 1984, realizada pela emissora carioca.

Nessas duas décadas brilhantes do futebol italiano, craques de renome mundial, como Careca e Maradona (Napoli), Platini e Baggio (Juventus), Brehme, Matthäus e Klinsmann (Internazionale), Falcão (Roma) e Toninho Cerezo (Sampdoria) encantavam o mundo atuando no então ‘melhor campeonato do planeta’.

A decadência na Itália

A partir dos anos 2000 entra em jogo a supracitada globalização no futebol. Campeonatos como o espanhol, o alemão e principalmente o inglês, atingem um nível de mercado maior do que o italiano, atraindo melhores jogadores e consequentemente melhores patrocinadores Um fator puxando o outro.

E se a concorrência pelos holofotes se torna cada vez maior, os próprios homens-fortes do campeonato italiano trataram de piorar a situação com a polêmica do Calciopoli em 2006. Na época o tradicional jornal “Gazzetta dello Sport” divulgou escutas telefônicas de Luciano Moggi, então diretor-geral da Juventus. Nos áudios, Moggi reclamava dos erros de arbitragem em uma partida do clube de Turim. Na sequência mais escutas foram divulgadas e o resultado disso foi um escândalo sem precedentes que terminou com o rebaixamento da Juventus e punições de pontos para Fiorentina, Milan e Lazio, que permaneceriam na Serie A. Oito dirigentes de clubes, incluindo Moggi, também foram punidos, além do árbitro Massimo De Santis e quatro dirigentes da Federação Italiana.

Com a queda do maior campeão italiano aliada ao escândalo e à moral baixa, o futebol no país desceu vários degraus. A partir deste momento, o calcio não era visto com bons olhos por investidores do futebol. Com menos dinheiro, os clubes perderam muitos craques e não conseguiram atrair outros de nível semelhante.

No mesmo ano, a seleção do país conseguiu ser campeã do mundo, mas também entrou em decadência nos anos seguintes. Inclusive a squadra azzurra foi eliminada na primeira fase da Copa do Mundo seguinte, ficando na última colocação e sem vencer nenhum jogo em um grupo com Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia. O ano de 2006 também ficou marcado pela conquista da UEFA Champions League por um clube italiano, com o Milan vencendo o Liverpool. Desde então, somente a Internazionale (campeã em 2009-10) e a Juventus, finalista na temporada atual e em 2014-15, conseguiram passar das quartas de final do torneio.

E se não há dinheiro para contratar grandes craques, os times de base italianos também não relevam tantos talentos como no passado. Em alguns jogos do campeonato, equipes do país entram em campo sem nenhum jogador italiano.

A verdade é que o futebol evoluiu, se globalizou e a Itália ficou parada no tempo. Escândalos continuam (no ano passado mais 10 pessoas foram presas por envolvimento na manipulação de resultados), baixo orçamento e modernização do estilo de jogo contribuem com a falta de atrativos para os investidores. É preciso uma renovação completa, de gestão e de pensamento, para a Itália voltar ao topo do futebol europeu. Resta torcer e esperar.