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Medalhista paralímpica supera até quimioterapia para ser campeã no tênis de mesa

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Dennys Carvalho é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdade Integradas Alcântara Machado) e apaixonado por esportes. Já trabalhou na Rádio Escuta/Produção da REDETV!, operador de TV de uma empresa de monitoramento de mídia e Pós-Graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte.

Danielle Rauen

Crédito: Foto: Divulgação

Danielle Rauen, medalhista de bronze de tênis de mesa nos Jogos Paralímpicos de Verão de 2016 no Rio de Janeiro, representando o Brasil na categoria Classes 6-10 por equipes, tem 19 anos e é um dos destaques da modalidade para o futuro do esporte. 

A atleta conversou com o TORCEDORES.COM e contou um pouco da sua carreira. Dani destacou as suas dificuldades no inicio, a doença que foi descoberta logo aos 3 anos, as sessões de quimioterapia biológica que precisa fazer a cada 28 dias e o quanto o tênis de mesa ajudou a ser uma pessoa saudável, podendo realizar todos os seus desejos.

CONFIRA A ENTREVISTA:

TORCEDORES.COM: Dani, você começou no tênis de mesa com quantos anos? qual é a doença que você sente para ser paralímpica?

DANI:Comecei a jogar com 10 anos, jogava no olímpico e há 3 anos jogo no paralímpico. Eu tenho artrite e reumatoide, então, se não for tratada corretamente, é uma doença que atrofia os músculos e degenera as articulações. Eu tinha quatro anos quando foi descoberta e desde lá venho tratando com uma quimioterapia biológica, que faço a cada 28 dias na minha cidade em São Bento do Sul-

TORCEDORES.COM: Você precisa de medicamentos ou só a quimioterapia ajuda na recuperação?
DANI: Antes eu tomava medicamentos, mas atualmente a quimioterapia substitui eles, é o medicamento que mais me ajuda entre todos que já tomei.

TORCEDORES.COM: E porque você escolheu tênis de mesa? é uma forma de você fazer fisioterapia?
DANI: Antes do tênis de mesa eu fazia natação. Conheci o tênis de mesa na escola e foi apaixonante (risos). Após isso, eu me dediquei inteiramente a esse esporte. E também, graças ao tênis que estou na minha melhor forma física, podendo realizar exercícios físicos sem dores e muitas limitações. Faço tudo o que uma pessoa sem a doença faz. O esporte, além de me trazer conquistas profissionalmente, me faz ser melhor a cada dia, talvez, se não fosse o tênis de mesa, poderia estar inteiramente atrofiada e não podendo realizar coisas que faço no dia a dia.

TORCEDORES.COM: E disputar uma olimpíada, acredito que foi uma realização de um sonho né?
DANI: Sim, foi mágico ! É o sonho de qualquer atleta estar na maior competição do mundo. Estar no meu país, com a torcida brasileira, com alguns familiares e todas as pessoas que contribuíram para o meu crescimento profissional, para que meu sonho se realizasse e eles estarem lá, gritando o meu nome, e o nome do meu país enquanto jogava. Foi emocionante! É o momento em que jamais esquecerei no esporte e pra minha vida.

Foto: Reprodução/Instagram

TORCEDORES.COM: Que demais! E aonde pretende chegar com o tênis de mesa, além da medalha de ouro, claro?
DANI: O esporte pra mim não é somente feito de conquistas, mas sim do que ele foi e é na minha vida. Além de medalhas, troféu e reconhecimento das pessoas, a ideia é poder de alguma forma motivar as pessoas ir atrás dos seus sonhos e que nenhuma limitação por mais difícil que seja e capaz de barrar os seus objetivos. Poder motivar alguém que supostamente tenha a mesma doença que a minha e que ela veja um mundo melhor, com oportunidades gigantes e chegarem a lugares extremos como eu cheguei.

TORCEDORES.COM: Mas voltando um pouco no passado, no início, você teve muita dificuldade? adaptação? e por parte do CPB (Comitê Paralímpico Brasileiro), eles apoiam o esporte no país?

DANI: Todo início de carreira de um atleta é complicado. Eu tive que sair da minha cidade natal, em Santa Catarina, com 15 anos pra Piracicaba – SP, onde era centro de tênis de mesa paralímpico. No início senti muito, a falta da minha família, dos amigos… mas sempre coloquei um propósito na minha cabeça que nada vem fácil, e realmente não foi.

E o esforço foi recompensado desde o primeiro ano em que estive me dedicando. Tive vitórias muito importantes e medalhas em eventos internacionais, e assim, finalizando esse ciclo sensacional em 2016. Mas confesso que tive que deixar muita coisa para trás que eu jamais imaginei, mas tudo valeu muito a pena!

Foto: Reprodução/Instagram

Hoje o Centro Paralímpico Brasileiro mudou para São Paulo e na cidade que eu resido atualmente. O CPB é sensacional e fundamental para o crescimento dos atletas. Todas as pessoas que trabalham nessa organização são sensacionais. A todo momento eles estão juntos com nós, participando do nosso crescimento e evoluindo junto conosco. Ainda mais agora, com a construção desse centro, que é de altíssima excelência, especialmente preparado para os atletas, então me sinto em casa e bem animada para fazer a minha evolução ser ainda maior a cada dia.

TORCEDORES.COM: Dani, você disse que teve que deixar muita coisa para trás, que jamais imaginou que iria ficar sem. Você pode dizer o que seria?
DANI: Ah, não é fácil uma ” criança ” com 15 anos de idade sair de uma cidade pequena, para uma cidade bem maior, sozinha, e precisando fazer tudo o que uma pessoa de 19,20 anos faz (risos). Eu tive que aprender muita coisa, mas o que eu mais senti falta era da minha família, até hoje eu sofro com isso, de ter meus pais por perto. Mas graças ao esporte eu me tornei uma pessoa independente, além de poder crescer profissionalmente.

TORCEDORES.COM: Acompanhamos você nas suas redes sociais, Instagram e os seus vídeos, e percebemos que você gosta muito de estar com os seus amigos. Fora o esporte, o que você mais gosta de fazer?
DANI: Pra falar a verdade, não sobra muito tempo para outras atividades (risos). Meus treinos são de segunda a sábado e feriados. O tempo que sobra uso para estar com eles ou com a minha família. Gosto muito de viajar, e quando sobra algum tempo, eu me junto a eles .. e outras atividades divertidas!

TORCEDORES.COM: Torce para algum time de futebol?
DANI: Fluminense! hahahaha

TORCEDORES.COM:(risos) e tem um porquê torcer para o Fluminense? já que nasceu em Santa Catarina e mora em São Paulo?
DANI: Na verdade quando pequena, meus tios eram apaixonados pelo Flu e viviam vindo para o Rio de Janeiro para assistir os jogos e então, desde pequena eu vivia na casa deles, peguei essa paixão.