Opinião: os motivos pelos quais o Palmeiras não (con)vence, mesmo com Cuca

Quando o ano começou com Eduardo Baptista no comando técnico, muitos disseram que o Palmeiras seria um “boeing pilotado por um piloto de teco-teco”. Daí o Cuca chegou e o time segue sem convencer dentro de campo. Então, afinal, o que acontece com o Verdão de 2017?

Rogério Lagos
Colaborador do Torcedores.com e palmeirense.

Crédito: Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação

Talvez com exceção do primeiro jogo diante do Vasco da Gama, além de outros dois ou três bons momentos em partidas aleatórias (como no gol de jogada ensaiada diante do Atlético Tucumán, pela Libertadores), o que se vê dentro de campo é mais do mesmo. Um time nervoso, alguns jogadores errando muito e menos disposição do que em 2016.

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MEIO CAMPO

Mas talvez a análise seja mais simples do que pode parecer. Para começar, alguns jogadores fundamentais mudaram. No meio campo, Moisés deu lugar a Felipe Melo. Ou seja, no desenho tático atual, Tchê Tchê não flutua como antes invertendo posições. O volante que veio da Europa joga mais fixo.

Além disso, Felipe Melo jogava na Europa marcando por zona na maioria das vezes. Com Cuca, a marcação é individual, o que “prejudica” um pouco o futebol do camisa 30. Seu reserva, Thiago Santos, por exemplo, se dá melhor nesse tipo de situação. Mas, com ambos, o Palmeiras perde na mobilidade característica do ano anterior.

ATAQUE

No ataque, Gabriel Jesus faz muita falta. Além do poder de finalização, mais uma vez a movimentação é bastante sentida. O jogador era o primeiro a marcar o adversário, coisa que Miguel Borja não faz nem de longe. E, quando faz, é ineficiente, sobrecarregando o meio-campo.

CUCA

Claro que isso acontece porque estamos analisando a forma que o Cuca jogava em 2016. Então aí entra outro ponto: será que não chegou o momento do próprio treinador se reinventar? Conhecido como um dos poucos estrategistas do futebol, o homem da calça vinho tem o dever de mexer no time. Tentou contra o São Paulo, é verdade, mas não deu certo.

ALVO

Taí mais um ponto importante: o Palmeiras atual virou uma espécie de “time a ser batido”, referência no cenário nacional. Não é pra menos: atual campeão brasileiro e clube com mais dinheiro em caixa, cheio de reforços, alarde da mídia… É prazeroso para os rivais ganhar de um time assim.

Tudo isso faz com que os adversários estudem mais os esquemas táticos do Verdão e suas possibilidades, quanto entrem em campo para se doarem ao máximo, como se fossem uma final. Ou alguém dúvida que o Atlético/GO, sério candidato ao rebaixamento, não vai jogar feito o Real Madrid contra o Palmeiras?

PRESSÃO

A cereja do bolo para esse momento instável do time, no entanto, é o próprio Palmeiras. A pressão fora do normal da imprensa e torcida está atrapalhando. Tá certo que jogar em time grande é isso mesmo, mas há um exagero que beira à maldade por parte de alguns.

O Verdão precisa, portanto, colocar a cabeça no lugar e ajustar alguns pontos: definir o melhor posicionamento para alguns jogadores-chave dentro do esquema tático antigo ou pensar em um novo; contornar o ímpeto adversário e minimizar o impacto negativo que a pressão está provocando no time.

O Palmeiras está vivo na Copa do Brasil, Copa Libertadores e Brasileirão. Tem um time com excelentes jogadores. Um treinador excelente. Torcida incrível que apoia muito. Ainda dá tempo.

Foto: Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação