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Mudança de regras no judô deixou atletas ‘cabreiros’, admite brasileiro

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Jornalista, editor do Torcedores.com. Passagens pelos jornais Metro, O Estado de S. Paulo, Jornal da Tarde, Marca Brasil, Agora São Paulo, Diário de S. Paulo e Diário do Grande ABC.

Crédito: Rafal Burza/CBJ

Reclamar de arbitragem é algo bem comum no meio do futebol. Mas o mesmo tem acontecido no judô. O regulamento de competições do esporte japonês foi alterado para este ano, visando o próximo ciclo olímpico. E os atletas admitem: ficam apreensivos com isso.

As principais mudanças foram a redução do número de punições necessárias para desclassificar o judoca (três em vez de quatro) e a não acumulação de waza-aris, termo usado para a queda quase perfeita. Na regra antiga, dois waza-aris configuravam um ippon, o “nocaute” do judô.

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Em entrevista ao Torcedores.com, Charles Chibana admitiu que o novo regulamento é complicado. “Afeta um pouco porque, querendo ou não, se você está ganhando a luta, você fica meio apreensivo por causa das punições. Eu sou um cara que sempre busca a queda. Antes, eu dava duas quedas e acabava a luta. Hoje em dia é meio complicado chegar ao ippon, posso dar 50 quedas e ser waza-ari. E o cara só fica esperando e acaba vencendo em ippon. É uma diferença mínima, não sei, às vezes vai do árbitro”, falou o judoca, que está em Ecaterimburgo, na Rússia, onde disputará no sábado (20) o Grand Slam pela categoria dos meio-leves (até 66kg).

“Todo mundo fica meio ‘cabreiro’ com a arbitragem. Às vezes é bem subjetivo pela parte da arbitragem. O judô preza mais a queda, e não a punição. Perder por punição, por detalhe, é bem complicado”, completou.

VOLTA POR CIMA
Se por uma lado a arbitragem preocupa Chibana, por outro, o atleta está confiante para a competição. O motivo é a volta por cima que o judoca deu na carreira após os Jogos Olímpicos de 2016. No Rio, o atleta paulistano perdeu logo na estreia para o japonês Masashi Ebinuma, tricampeão mundial. Depois disso, as lesões ficaram para trás. Dois meses depois, ele conquistava a medalha de bronze no Grand Slam de Abu Dhabi.

Em 2017, Chibana só não subiu ao pódio na primeira competição que disputou, o Grand Prix de Dusseldorf, em fevereiro. A partir daí, foram três competições e três medalhas: prata no Aberto Pan-Americano de Santiago, ouro no Aberto Pan-Americano de Lima e bronze no Grand Prix de Tbilisi.

“Acredito que temos sempre de evoluir, melhorar. A gente tem de olhar para atrás, ver o que deu errado, o que aconteceu e não cometer os mesmos erros. Eu sempre busco evoluir. Satisfeito, satisfeito a gente nunca está. Mas tenho mudado algumas coisas e os resultados vão mostrando”, disse.

Na Rússia, ele espera que o bom desempenho seja mantido: “A expectativa, com certeza, é ir para o pódio. A cor da medalha é consequência, um detalhe.”