Natação

Natação: conheça a história do paratleta que recuperou a confiança no esporte

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Crédito: Crédito: Arquivo Pessoal

Hoje o texto aborda sobre: “natação para paratletas”. Conheçam a história e quais estilos os paratletas competem.

Desde a antiguidade, saber nadar era mais uma arma de que o homem dispunha para sobreviver. Os povos antigos eram exímios nadadores. O culto à beleza física dos gregos fez da natação um dos exercícios mais importantes, originando assim as primeiras competições da modalidade. A natação era um método de preparação física do povo romano.
Estava incluída entre as matérias do sistema educacional da época e era praticada nas termas, local onde ficavam as piscinas. Muitos dos estilos que conhecemos hoje são oriundos dos estilos de natação praticados pelos indígenas da América e da Austrália.

Competições

As competições são divididas em categorias masculinas e femininas. As baterias podem ser no individual ou por revezamento.
Existem disputas nos quatro estilos oficiais: peito, costas, crawl e borboleta. As distâncias vão de 50 a 800 metros. Participam atletas com vários tipos de deficiência. As regras são as mesmas da Federação Internacional de Natação Amadora-FINA, com adaptações – em especial, com relação às largadas, viradas e chegadas.
Os nadadores cegos recebem um aviso quando estão se aproximando das bordas da piscina, por meio de um bastão com ponta de espuma com o qual seus técnicos os tocam. Por ser uma modalidade que abrange competidores com diversos tipos de deficiência, cada uma das quatro grandes entidades esportivas internacionais – CP-ISRA (paralisados cerebrais), IBSA (deficientes visuais), INAS-FID (deficientes mentais), ISMWSF-ISOD (cadeirantes e amputados), estabelecem as adaptações específicas para seus atletas.
Quando as adaptações englobam as várias deficiências, a entidade responsável é o Comitê de Natação do Comitê Paralímpico Internacional.
As classes S1, S2 e S3 têm autorização para manter seu(s) pé(s) encostado(s) à parede até que seja dado o sinal de largada. Não é permitido dar impulso ao nadador no momento da largada, pois isso resultará em largada falsa;

No nado peito e borboleta, os nadadores com deficiência visual (S11 e S12) podem ter dificuldade de fazer o toque simultaneamente na virada e na chegada se estiverem muito próximos à raia. Desde que o nadador não ganhe vantagem injusta, o toque não simultâneo será permitido. O nadador não deve apoiar-se na raia para ganhar vantagem. O nadador irá mover-se, normalmente, para longe da raia com uma ou duas braçadas;
Atletas da classe S11 são obrigados a utilizar óculos opacos para que não passe a luz, assim como o auxílio dos tappers (batedores que tocam o atleta com um bastão para informar a proximidade da parede), um em cada extremidade da piscina.

A piscina olímpica, local onde se realizam as competições de natação, mede 50m x 22,8m e tem profundidade mínima de 1,98m. É dividida em oito raias de 2,5m de largura cada uma.
O controle de tempo é feito por equipamento eletrônico com precisão de centésimos de segundo. O sistema começa a funcionar automaticamente com o disparo do juiz de partida e marca o tempo decorrido e as parciais sempre que os nadadores tocam sensores instalados nas paredes das piscinas (placares eletrônicos).

Nado Crawl

06/05/2017 – Rio de Janeiro, RJ – Circuito Loterias Caixa – Etapa Rio-Su – Rodrigo Andre Menezes.©Daniel Zappe/MPIX/CPB

Crédito: Flickr/CPB

Este nado é o mais rápido. O nadador movimenta-se com o abdome voltado para a água (decúbito ventral ) , utilizando propulsão de perna movimentos alternados assim como os dos braços. Quando um dos braços está fora da água, o nadador pode virar a cabeça para respirar desse lado. Porém muitas adaptações são feitas para o nadador paraolímpico, dependendo da sua capacidade de realizar alguns movimentos. Mesmo com estas adaptações, o nado não deverá ser descaracterizado. Durante a competição, além da arbitragem oficial da competição, classificadores funcionais deverão estar presentes para observar detalhes do nado.

Nado de Costas

06/05/2017 – Rio de Janeiro, RJ – Circuito Loterias Caixa – Etapa Rio-Sul.©Daniel Zappe/MPIX/CPB

Crédito: Flickr/CPB

Neste nado, o nadador permanece todo o percurso com o abdome voltado para fora da água (decúbito dorsal). Também utiliza propulsão de pernas e o movimento alternado dos braços semelhante ao nado crawl. Porém, as classes baixas (S1, S2 e S3) poderão nadar com braços simultâneos, ou utilizando a ondulação da cabeça e tronco. Normalmente classes baixas nadam costas e crawl com a mesma técnica.

Nado de Peito

06/05/2017 – Rio de Janeiro, RJ – Circuito Loterias Caixa – Etapa Rio-Sul – Wesley Lourenço.©Daniel Zappe/MPIX/CPB

Crédito: Flickr/CPB

Este é o estilo mais lento da natação. As pernas são trazidas para junto do corpo com os joelhos dobrados e abertos (posição da rã), enquanto os braços abrem-se e recolhem-se à altura do peito, projetando o corpo para frente. Na sequência, as pernas são empurradas dando propulsão ao nadador, e os braços esticam na frente para a repetição do movimento. A inspiração de ar é feita no final da puxada do braço, quando se ergue a cabeça fora da água. Porém, como em todos os estilos, são feitas adaptações. Normalmente o nadador no estilo de peito é uma categoria inferior à de crawl, com mais bloqueios.

Nado Borboleta

06/05/2017 – Rio de Janeiro, RJ – Circuito Loterias Caixa – Etapa Rio-Sul – Jose Luiz Perdigao.©Daniel Zappe/MPIX/CPB

Crédito: Flickr/CPB

O estilo é oriundo do nado de peito; os braços passam a ser lançados à frente do corpo por sobre a água e o movimento de perna é simultâneo. Também chamado de golfinho, pela semelhança d e movimentos executados pelo animal.
A respiração, assim como no nado de peito, é frontal quando o nadador ergue a cabeça após puxar os braços, também podendo ser realizada lateralmente. Não é muito comum que as classes baixas nadem neste estilo que requer muita exigência física. Só a partir da classe S8 é oferecido o 100m Borboleta; antes disso, somente 50m Borboleta.
As classes são dividas em:
S1 / SB1 / SM1 a S10 / SB9 / SM10 (deficiente físico / motor)
S11 / SB11 / SM11 a S13 / SB13 / SM13 (deficiente visual)
S14 / SB14 / SM14 (deficiente mental)
Quanto menor o número dentro da classe, mais alto é o nível de comprometimento físico ou sensorial (visual) causado pela deficiência
Exemplos de padrões motores da classificação funcional da natação (Penafort, 2001, p.41):
S1 – Lesão medular completa abaixo de C4/5, ou pólio comparado, ou paralisia cerebral quadriplégico severo e muito complicado; S2 – Lesão medular completa abaixo de C6, ou pólio comparado, ou PC quadriplégico grave com grande limitação dos membros superiores; S3 – Lesão medular completa abaixo de C7, ou lesão medular incompleta abaixo de C6, ou pólio comparado, ou amputação dos quatro membros; S4 – Lesão medular completa abaixo de C8, ou lesão medular incompleta abaixo de C7, ou pólio comparado, ou amputação de três membros; S5 – Lesão medular completa abaixo de T1-8, ou lesão medular incompleta abaixo de C8, ou pólio comparado, ou acondroplasia de até 130 cm com problemas de propulsão, ou paralisia cerebral de hemiplegia severa S6 – Lesão medular completa abaixo de T9-L1, ou pólio comparado, ou acondroplasia de até 130cm, ou paralisia cerebral de hemiplegia moderada; S7 – Lesão medular abaixo de L2-3, ou pólio comparado, ou amputação dupla abaixo dos cotovelos, ou amputação dupla acima do joelho e acima do cotovelo em lados opostos; S8 – Lesão medular abaixo de L4-5, ou pólio comparado, ou amputação dupla acima dos joelhos, ou amputação dupla das mãos, ou paralisia cerebral de diplegia mínima; S9 – Lesão medular na altura de S1-2, ou pólio com uma perna não funcional, ou amputação simples acima do joelho, ou amputação abaixo do cotovelo; S10 – Pólio com prejuízo mínimo de membros inferiores, ou amputação dos dois pés, ou amputação simples de uma mão, ou restrição severa de uma das articulações coxofemoral.
As classes visuais reconhecidas pela IBSA e pelo IPC são as seguintes:
B1 ou S11 – De nenhuma percepção luminosa em ambos os olhos a percepção de luz, mas com incapacidade de reconhecer o formato de uma mão a qualquer distância ou direção. B2 ou S12 – Da capacidade em reconhecer a forma de uma mão acuidade visual de 2/60 e/ou campo visual inferior a cinco graus. B3 ou S13 – Da acuidade visual de 2/60 à acuidade visual de 6/60 e/ou campo visual de mais de cinco graus e menos de 20 graus.
Todas as classificações deverão considerar ambos os olhos, com melhor correção. Isto é, todos os atletas que usarem lente de contato ou lentes corretivas deverão usá-las para classificação, mesmo que pretendam ou não usá-las para competir.

Reginaldo Prado hoje com 46 anos, tem sua deficiência desde 2010, quando teve descolamento de retina no olho direito e ectasia corneana no olho esquerdo. Desde quando era muito jovem teve problemas com visão e sempre foi míope.
Quando jovem jogou vôlei e tênis, e a natação veio depois da deficiência como reabilitação e autoconfiança e mesmo nadando todos os quatro estilos, ele gosta mais dos 100 borboleta.


Crédito: Arquivo Pessoal

Reginaldo começou a natação em 2011, e o gosto de competir e conhecer novos amigos é um dos fatores que o fazem continuar no esporte. Isso sempre com o apoio da família.

Ele nunca foi convocado para as Paralimpíadas, mas já ficou na reserva do Parapan.
Reginaldo diz que daqui dois anos se aposentará.

Crédito: Arquivo Pessoal

“Quando eu fiquei deficiente visual, meu mundo desabou, pois de uma hora para outra me vi dependendo de outras pessoas para coisas simples do dia a dia. O esporte é uma ferramenta que une e agrega as pessoas, nele encontramos outras pessoas que estão passando ou já passaram pelos mesmos problemas e nesse clima de solidariedade acabamos nos encontrando como pessoas e cidadãos. O paradesporto é muito importante, independente se você chega na seleção ou não, pois na vida somos todos vencedores!”, diz Reginaldo

E, para finalizar, Reginaldo gravou um vídeo tanto para falar da dificuldade que ele tem sobre em ir nas competições quanto para pedir um patrocínio, veja abaixo:


Crédito: Arquivo Pessoal

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