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Opinião: Eduardo, sem desculpas, você ainda não achou o time do Palmeiras!

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Esportista de hobby, mas jornalista de profissão. Trabalhou como repórter do O Estado de S. Paulo, Revista TÊNIS. Tênis Virtual e CurtaTÊNIS em coberturas nacionais e internacionais de grandes eventos.

Eduardo Baptista

Crédito: Cesar Greco / Ag. Palmeiras

Quem me conhece sabe que tenho tentado defender o trabalho do estudioso Eduardo Baptista no Palmeiras, mas a paciência e, acima de tudo, os argumentos estão se esgotando. Estado ruim do gramado na Bolívia, da altitude, da arbitragem caseira, da catimba uruguaia ou da perseguição da imprensa são atitudes de que o atual técnico do Palmeiras não pode reclamar.

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Afinal, Eduardo tinha consciência de que o Palmeiras versão 2017 seria cheio de cobranças. 1) Porque conquistou o Campeonato Brasileiro. 2) Por a torcida querer a permanência de Cuca. 3) Pelo elenco que não se deteriorou com as propostas do exterior. 4) Pela cobrança de mais títulos, principalmente da Libertadores. 5) Pelo esforço da diretoria e da Crefisa em trazer Miguel Borja.

Nada disso era surpresa para o técnico palmeirense. Também não pode falar que teve pouco tempo para conhecer todo elenco. Teve 20 dias de férias na virada para 2017 e quase um mês de pré-temporada, isso sem contar os jogos-treinos e amistosos contra Chapecoense e Ponte.

Professor Eduardo, o Palmeiras de 2017 não convence. Foram pouquíssimos jogos em que o time manteve uma consistência em toda partida. Dá para contar nos dedos. De uma mão. Pegue as cinco partidas da Libertadores. Em todos os duelos, o Verdão teve que praticamente correr atrás do resultados. Vale lembrar – em um grupo com o modesto Atlético Tucumán (estreante na competição), o limitado Jorge Wilstermann e o jovem time do Peñarol que só tem o peso da camisa e nada mais.

TIME SEM IDENTIDADE

O Palmeiras levou, nesse grupo teoricamente tranquilo, OITO gols em cinco jogos. Ficou apenas 10% do tempo na frente do placar contra esse trio. Apesar de estar praticamente classificado para as oitavas, o que se pode esperar desse time? Aliás qual é hoje o time do Palmeiras?

Concordo que, com um elenco tão vasto, precisa dar oportunidade para todos, ou para a maioria. Mas já se passaram quatro meses (no total, 140 dias desde sua chegada). Não dá para ficar trocando a formação no mesmo jogo. Não é toda vez que vai dar certo, assim como foi contra o Peñarol.

Em 2017, Eduardo já mostrou de tudo em campo – esquemas que vão de 3-6-1 a 4-2-4, ora apostando em três zagueiros, ora com dois no meio, ora com quatro, jogo com quatro atacantes buscando um gol chorado… O Palmeiras ainda não tem uma espinha dorsal. Tem Prass, tem Mina, tem Jean, tem Felipe Melo, tem Dudu. Mas e o resto?

Já passou da hora de entrar com uma mesma escalação nas partidas, e variar mostrando convicção tática. Não é morrer abraçado com um esquema, mas usar o que tem de melhor. Um exemplo, vai: Borja e Willian não são concorrentes, mas correspondentes. O Bigode pode jogar de centroavante no lugar do camisa 12? Sim, mas rende mais aberto com o colombiano fazendo o pivô. Ponha os dois, e não apenas um!

Pronto, te ajudei. Agora trate de fazer o resto, e rápido, porque o Palmeiras não tem mais margem de erro para testes cardíacos. As oitavas da Libertadores já estão aí, assim como o início do Brasileirão e o mata-mata da Copa do Brasil. Novos erros serão fatais e podem custar a temporada.

Não venha com conversinha de “ter paciência”. O Palmeiras será o centro das atenções o ano todo, seja nas vitórias ou nas derrotas, portanto se acostume de vez ou vá embora!