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PAPO TÁTICO: As facetas do “Special One” em mais um título europeu do Manchester United

O português José Mourinho já é uma das figuras mais folclóricas do futebol mundial. Dono de personalidade forte e de uma língua afiada, “The Special One” já havia conquistado três títulos continentais (a antiga Copa da UEFA e uma Liga dos Campeões com o Porto e mais uma Champions com a Internazionale de Milão). E nesta quarta-feira, em Estocolmo, o velho Mou mostrou mais um pouco das suas muitas facetas na conquista de mais uma taça, a Liga Europa. A vitória por dois a zero sobre o jovem time do Ajax teve participação direta de José Mourinho, desde os encaixes individuais, a formação mais cautelosa e passando pelo estilo de jogo mais pragmático e pautado no erro do adversário. “The Special One conquista a Europa pela quarta vez, cala os críticos que o acusavam de ultrapassado, escreve seu nome na história dos Red Devils e mostra que ainda tem muito a fazer no futebol mundial. Goste dele ou não, o velho Mou está por cima mais uma vez.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Facebook / UEFA Europa League

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De um lado tínhamos um Manchester United recheado de grandes estrelas e armado no bom e velho 4-2-3-1 de Mourinho. Do outro, um Ajax jovem e organizado no 4-1-4-1 do holandês Peter Bosz. E o português começou a ganhar o duelo tático em Estocolmo quando travou a saída de bola do seu adversário. Com Ander Herrera em cima de Ziyech, Pobga marcando Klaassen, Fellaini incomodando o volante Schone, os pontas Mata e Mkhitaryan acompanhando os laterais Veltman e Riedewald e Rashford de olho no zagueiro De Ligt, a bola sobrava no pé do zagueiro colombiano Davinson Sánchez. Com a dificuldade clara na saída de bola, o Manchester United teve como controlar o jogo e abriu o placar num chute de Pogba que desviou na zaga e enganou o goleiro Onana. Com a vantagem no placar, José Mourinho fechou as linhas da sua equipe enquanto os jovens comandados de Peter Bosz ficavam ainda mais tensos na Friends Arena.

O Manchester United controlou o jogo a partir de encaixes individuais que aproveitavam a falta de movimentação do jovem time do Ajax. Apesar de não ter a bola na maioria do tempo, os Rede Devils controlavam o jogo com firmeza e sem muitos sustos.

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O gol marcado por Mkhitaryan após desvio de Smalling (em nova falha da defesa do Ajax na bola parada) ajudou a tranquilizar o Manchester e a deixar o caminho rumo a mais um título mais tranquilo. O técnico Peter Bosz tentou abrir a excelente marcação dos Red Devils com a entrada do brasileiro David Neres e o deslocamento de Bertrand Traoré para o comando do ataque, na tentativa de quebrar as linhas da equipe inglesa através da velocidade e dos dribles desses dois jogadores. Deu certo até certo ponto. Mas Mourinho respondeu ao melhor estilo “Special One”: abandonou a marcação individual, posicionou Herrera na frente da zaga, fechou os lados do campo com Martial e Lingrad (substitutos de Rashford e Mkhitaryan) e ainda encontrou tempo para mandar Rooney a campo como capitão para que o ídolo dos Red Devils levantasse a Liga Europa como capitão. Com o nervosismo do outro lado e com a partida controlada (Lingard ainda perderia um gol incrível no final da partida), o Manchester United conquistou mais um título e o velho Mou aumentava ainda mais a sua coleção de troféus.

Peter Bosz tentou “bagunçar” a defesa adversária com a entrada do brasileiro David Neres e o deslocamento de Traoré para o comando do ataque, mas a boa marcação do United e as mexidas de Mourinho frearam o ímpeto do Ajax. Com o jogo controlado e o nervosismo do lado holandês, os Red Devils administraram o resultado após o gol de Mkhitaryan no início da segunda etapa.

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O primeiro título internacional depois da aposentadoria de Alex Ferguson, a terceira conquista em apenas uma temporada (além da Copa da Liga Inglesa e da Supercopa da Inglaterra) e a capacidade de manter o nível da equipe mesmo com a lesão do sueco Ibrahimovic devem dar ainda mais moral a José Mourinho, que deve ter todos os recursos necessários para montar um time ainda mais forte para o retorno à Liga dos Campeões da Europa. Pelo que se viu na Friends Arena, os jogadores já compraram as ideias do “Special One” e cumprem exatamente aquilo que é pedido, alterando os momentos dos encaixes individuais com a marcação por zona num desenho tático mais nítido em campo. Sobre o Ajax, o vice-campeonato na Liga Europa e o título holandês do rival Feyenoord devem provocar algumas mudanças. Mas é preciso manter o bom trabalho de Peter Bosz e dar mais experiência a esse time recheado de jovens valores. Ainda é possível recuperar os bons tempos.

José Mourinho vai com tudo para conquistar mais uma Liga dos Campeões da Europa (a terceira da sua carreira). O português conseguiu implementar seu estilo mais pragmático no Manchester United, estilo esse que pode ser considerado “feio” e “retranqueiro” por muita gente, mas que funcionou muito bem em Estocolmo diante de uma equipe mais jovem e mais rápida. Para Mourinho, existem outras maneiras de se chegar ao gol além do passe curto e das tabelas. Existem as jogadas aéreas e a diminuição dos espaços que provocam os erros do adversário. Feio? Não. Apenas eficiente. Esse é o estilo do “Special One”.