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PAPO TÁTICO: Falta de intensidade, o grande problema do Palmeiras em 2017

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Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Cesar Greco / Ag. Palmeiras / Divulgação

O Palmeiras segue a sua sina em 2017. Mesmo contando com grandes estrelas em seu elenco, o técnico Eduardo Baptista ainda não conseguiu dar uma “cara” ao time alviverde. E nesta quarta-feira, diante de um Jorge Wilstermann bem organizado e muito mais aplicado taticamente, o Verdão mostrou que a falta de intensidade é um dos seus grandes problemas na atual temporada. É bem verdade que jogadores como Dudu, Roger Guedes, Vitor Hugo e Jean rendem muito menos do que renderam na campanha do título brasileiro de 2016. Se isso é resultado da pressão da torcida e da diretoria por mais títulos ou da dificuldade de adaptação a um novo estilo de jogo com a chegada de Eduardo Baptista, só o tempo irá dizer. Mas, seja qual for a resposta, o Palmeiras segue acumulando maus resultados em 2017. A vaga nas oitavas de final da Libertadores ainda está próxima. Mas o comandante alviverde terá que resolver os problemas da sua equipe e recolocá-la nos eixos antes que seja tarde.

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É bom que se diga que o Palmeiras começou melhor o jogo em Cochabamba. O time não ligava para a altitude e criou algumas boas chances de gol, com Roger Guedes (que teve um belo gol anulado corretamente pela arbitragem) e com o venezuelano Guerra (que quase marcou um gol antológico no Estádio Félix Capriles). Bastou que o Jorge Wilstermann abrisse o placar com Omar Morales para que a equipe alviverde desandasse. Thiago Santos não conseguia proteger a zaga e Tchê Tchê e Guerra davam espaços generosos no meio-campo. O belo gol marcado por Cristhian Machado é a prova de que o time segue sem intensidade e com linhas espaçadas. Aliás, os dois volantes do “Hercules Aviador” foram os principais nomes da partida, organizando o jogo, qualificando o passe na saída de bola e chegando no ataque com bastante eficiência. O gol de Guerra deu um certo alento e a esperança de que o filme de Montevidéu fosse se repetir. Mas eram os erros do time que se repetiam.

O bem organizado 4-2-3-1 do Jorge Wilstermann e proposto pelo técnico Roberto Mosquera explorou as deficiências do 4-1-4-1 de Eduardo Bapstista: a falta de compactação no meio-campo e de intensidade nas transições ofensivas no Palmeiras. Destaque para a boa dupla de volantes formada por Cristhian Machado e Fernando Saucedo.

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Eduardo Baptista tentou dar mais movimentação ao Palmeiras com a entrada de Borja no lugar de Willian Bigode. O colombiano, no entanto, teve apenas uma chance de balançar as redes e acabou chutando pra fora. Keno também entrou e melhorou o time, mas muito mais na base das jogadas individuais do que num âmbito coletivo, grande problema do Verdão na noite dessa quarta-feira e na temporada. Com o Alviverde Imponente se lançando ao ataque desordenadamente, o técnico Roberto Mosquera fechou sua equipe na defesa para explorar os contra-ataques. E foi assim que o terceiro gol do Jorge Wilstermann nasceu. Jean errou o tempo de bola e Fernando Prass derrubou seu Saucedo dentro da área. Pênalti que Rudy Cardozo cobrou bem. Nem mesmo o gol contra marcado por Luis Cabezas fez com que o Palmeiras tivesse ânimo e força para reagir e tentar o empate que garantiria a classificação antecipada para as oitavas de final. O 4-1-4-1 foi mantido (mesmo com a entrada de Raphael Veiga), mas a falta de intensidade e de compactação continuavam. para desespero do torcedor palmeirense.

Eduardo Baptista manteve o 4-1-4-1 com as mudanças no segundo tempo, mas o Palmeiras seguia sem incomodar muito. Enquanto isso, Roberto Mosquera fechava o Jorge Wilstermann na defesa e esperava o apito final para comemorar a vitória justa em Cochabamba.

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O técnico Eduardo Baptista até tem uma certa razão quando reclama do gramado do Estádio Félix Capriles. De fato, o Verdão tem jogadores que gostam de colocar a bola no chão. Aliás, o que tem de gramado ruim nesses estádios da Libertadores da América é uma grandeza. No entanto, o grande X da questão é que o Palmeiras não conseguiu impôr seu ritmo na partida e acabou se transformando numa presa fácil para o Jorge Wilstermann. Baptista tem três grandes missões até o início do Brasileirão e a partida contra o Atlético Tucumán, no dia 24 de maio, na Allianz Parque: resolver os problemas da defesa alviverde (que cansa de tomar gols de bola parada), trabalhar mais a compactação da equipe no meio-campo e tentar encontrar um meio de deixar o time mais intenso nas tramas ofensivas e nas transições da defesa para o ataque. Felipe Melo fez muita falta ao Palmeiras. Mas é preciso reconhecer que o Palmeiras foi um time apático e que baixou a cabeça no primeiro revés. E essa postura pode ser fatal na Libertadores.

Em tempo: assino embaixo quando Eduardo Baptista afirmou que é preciso se falar mais de campo e bola e parar de tentar transformar a crônica esportiva numa espécie de “revista de fofocas”. Que tenhamos discussões mais sérias sobre o esporte e a sua gestão e mais voltadas para aquilo que realmente interessa. Deixemos o papo de “quem brigou com quem” para segundo plano. Antes que o futebol morra de vez. Antes que tudo se transforme em areia.