Fórmula 1: 500 milhas de Indianápolis tem como destaque Fernando Alonso

Na Fórmula 1 de 28 de maio tivemos a 101ª prova das 500 milhas de Indianápolis. Sem dúvida, muito mais emocionante, importante e envolvente do que a centésima prova do ano passado, vencida pelo americano Alexander Rossi – que, diga-se de passagem, provou nesse ano que, se não é um fora de série, mereceu vencer e não ser chamado de “zebra”.

Redação Torcedores
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Crédito: Reprodução: Facebook Oficial Fórmula 1

Muito da emoção e importância se deve a uma só pessoa – Fernando Alonso. Bicampeão da Fórmula 1, considerado um dos melhores pilotos da atualidade – ainda que hoje não tenha um carro à altura de suas qualidades – decidiu levar a sério o seu ideal de ter em mãos a “Tríplice Coroa do Automobilismo”, ou seja, vencer Mônaco, Indy e Le Mans.

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Tudo começou com uma ideia em tom de piada, na brincadeira, que foi ficando séria ao longo do tempo, acabou sendo incentivada pela nova Mclaren e abraçada pelo “coração de mãe” Michael Andretti e sua equipe que leva o seu mítico sobrenome – coração de mãe porque sempre cabe mais um, foram seis carros esse ano – e acabou culminando com uma notícia que foi uma verdadeira bomba atômica no automobilismo. Fernando iria abdicar do tradicionalíssimo GP de Mônaco para tentar a sorte de levantar o Troféu Borg Warner na não menos tradicionalíssima 500 milhas de Indianápolis.

Parecia simples. Um piloto fora de série, amparado por sua equipe atual, recebido como estrela por uma nova equipe, competitiva, a mídia extasiada com a notícia. Mas… Bem… Fernando nunca tinha andado num oval na carreira. E iria começar logo num “superspeedway”, o mítico Indianápolis, com seu “brickyard” e um peso de mais de cem anos de tradição.

Mas Fernando contou, além da ajuda da equipe e de seus companheiros, com a ajuda, digamos, mais próxima, de um brasileiro, que, a despeito de sua carreira, infelizmente não é tão ilustre por aqui: Gil de Ferran. Com larga e vitoriosa carreira na Indy, coube a ele ser o “professor” de Fernando Alonso nessa empreitada. E, ao que foi visto, tanto professor quanto aluno foram muito bem sucedidos…

Fernando sempre andou bem, desde o obrigatório “rookie test”, ou seja, um teste para todos os pilotos que andam pela primeira vez em Indianápolis, os treinos livres, mostrando um aprendizado contínuo, e, sim, dando a entender que o sonho da segunda parte da Tríplice Coroa seria possível. E no treino oficial ele fez chover: Se classificou para o “fast nine”, um equivalente ao Q3 da Fórmula 1, e nesse treino especial de classificação, fez um sólido e honroso quinto tempo.

Largando pela primeira vez em uma fila de três carros, como é padrão na Indy, Fernando foi extremamente conservador, e de quinto caiu para nono. Absolutamente normal, até porque, numa corrida de 200 voltas, a primeira volta nunca diz quem é o ganhador, mas pode dizer quem é o perdedor num eventual acidente. E a corrida se transcorreu, e nem o impressionante acidente de Scott Dixon – que, à essa altura, já considera 28 de maio seu segundo aniversário – abalou a confiança de Fernando, que, cada vez mais consistente, liderou por 29 voltas, dando a entender a todos que, sim, era um nome a ser cogitado seriamente para vencer.

O sonho acabou quando ele vinha buscando escalar posições para um possível ataque, faltando menos de trinta voltas para o final. Mais uma vez o seu arqui-inimigo atual – o motor Honda – o deixou na mão em plena reta. Mas Fernando foi ovacionado pela imprensa e pelo público quase como se tivesse ganho a prova. E ele retribuiu à altura, mostrando uma faceta diferente da criada nos anos de Fórmula 1. Um Fernando feliz, motivado, interessado, humilde, disposto a aprender, solícito e – novamente – competitivo.

Mas nem tudo foi tristeza. Além do quase 1 milhão de dólares de prêmio, e o título de novato do ano, ele terá seu próprio troféu. O McLaren Andretti laranja que ele usou na corrida será de sua propriedade. Mais uma lembrança palpável para uma corrida inesquecível…