PAPO TÁTICO: A superioridade incontestável do Real Madrid na conquista de “La Duodecima”

Este que vos escreve havia falado anteriormente que a Juventus estaria um degrau acima do Real Madrid na decisão da Liga dos Campeões da UEFA (relembre aqui). Mas este mesmo que vos escreve também lembrou que não era muito saudável duvidar da qualidade de Cristiano Ronaldo, Benzema, Modric e companhia. A vitória por quatro a um neste sábado, em Cardiff, deixou clara a superioridade da equipe comandada por Zinedine Zidane no cenário internacional. Um título incontestável que teve a marca do franco-argelino no duelo tático com Massimiliano Allegri, a fibra, a força mental e uma atuação impressionante dos Merengues no setor ofensivo. “La Duodecima” veio com um sabor especialíssimo para CR7, Casemiro, Sergio Ramos, Modric (um dos melhores em campo), Benzema e Keylor Navas. Mais uma taça para a extensa coleção do Real Madrid.

Luiz Ferreira
Produtor executivo da equipe de esportes da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, jornalista e radialista formado pela ECO/UFRJ, operador de áudio, sonoplasta e grande amante de esportes, Rock and Roll e um belo papo de boteco.

Crédito: Crédito da foto: Reprodução / Facebook / Real Madrid C.F.

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As duas equipes entraram em campo sem surpresas na escalação. Zidane manteve Isco na ponta do seu losango no 4-3-1-2 e Massimiliano Allegri não mexeu no seu 4-2-3-1 costumeiro. A Juventus começou melhor o jogo, marcando em cima a saída de bola do adversário e obrigando Keilor Navas a trabalhar duas vezes. Mas se “La Vecchia Signora” dominava os espaços, o Real Madrid dominava a posse de bola e dava uma verdadeira aula nas viradas de jogo, recurso fundamental para quebrar as linhas de um adversário bem postado. O time espanhol também era superior nas finalizações a gol: oito a cinco. Além disso, Isco, Modrid, Kroos, Marcelo e Carvajal ajudaram os Merengues a equilibrar as ações no meio com bons passes e ótimas transições. E foi do camisa dois a assistência perfeita para CR7 abrir o placar. Pouco tempo depois, em (mais um) cochilo da zaga madrilenha, Higuaín “ajeitou” para Mandzukic acertar um belo chute e empatar a partida em Cardiff. Resultado justo até aquele momento.

Panorama inicial da decisão em Cardiff. O Real Madrid abusava das transições e das viradas de jogo no 4-3-1-2 de Zidane. Enquanto isso, a Juventus de Massimiliano Allegri tentava encurtar os espaços e forçar o jogo pelos lados com Daniel Alves e Alex Sandro.

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Na volta do intervalo, o Real Madrid mostrou porque ainda é o time a ser batido no cenário mundial. Uma pressão avassaladora com ótimas trocas de passe no meio-campo e verdadeiras aulas táticas dentro de campo. A pressão era tamanha que os Merengues marcaram dois gols em menos de cinco minutos, com Casemiro em chute de fora da área (que contou com desvio em Khedira) e com Cristiano Ronaldo aproveitando belo cruzamento de Modric. Massimiliano Allegri mandou Cuadrado (que seria expulso de maneira injusta no final da partida), Lemina e Marchisio a campo nos lugares de Barzagli, Dybala e Pjanic, desfazendo o esquema híbrido com três zagueiros e avançando ainda mais as linhas do seu 4-2-3-1 mais definido. Zidane respondeu sacando Isco, Kroos e Benzema para as entradas de Asensio, Morata e Bale espelhando o desenho tático do adversário e mantendo o toque de bola, a transição rápida e aproveitando os espaços deixados por uma Juventus em frangalhos emocionalmente.

Panorama final da partida em Cardiff. A expulsão (injusta) de Cuadrado e as substituições de Zidane facilitaram ainda mais a vida do Real Madrid. Uma verdadeira aula de tática e estratégia de jogo com o toque magistral de CR7.

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Ainda haveria tempo para Asensio aproveitar bela jogada de Marcelo pela esquerda e marcar o quarto gol do Real Madrid, coroando a belíssima atuação coletiva da equipe e todo o trabalho feito por Zinedine Zidane à frente da equipe merengue e se superando a cada dia, seja com os problemas de lesões ou com adversários de respeito na caminhada rumo a “la duodecima”. A Juventus foi valente, superou adversários de respeito (vide o Barcelona do Trio MSN) e ainda mostrou que o futebol italiano não está morto como alguns gostam de repetir. O trabalho de Massimiliano Allegri merece aplausos, assim como a dedicação de Buffon, a fibra de Chiellini, a categoria de Daniel Alves e a qualidade de Dybala. No entanto, mesmo com todas essas qualidades, “La Vecchia Signora” não conseguiu segurar o ímpeto ofensivo do Real Madrid. E piscar os olhos diante de jogadores como Isco, Modric, Tony Kroos e Cristiano Ronaldo é quase sempre mortal.

Crédito da foto: Reprodução / Facebook / UEFA Champions League

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E o que falar de Cristiano Ronaldo além do que já foi falado no mundo todo? O português vem se reinventando a cada partida, a cada temporada. Se CR7 era um jogador que atuava aberto no Manchester United de Alex Ferguson, ele foi se tornando mais goleador e cada vez mais decisivo ao longo dos anos. Com os dois gols marcados em Cardif, Cristiano Ronaldo alcançou a marca de incríveis seiscentos gols marcados em 855 partidas oficiais. E não é só isso. CR7 se tornou o primeiro jogador do Real Madrid a marcar dois em uma decisão de Liga dos Campeões da UEFA desde 1962, superou Lionel Messi na briga pela artilharia da competição com 12 gols e se tornou o goleador máximo da UCL pela quinta temporada consecutiva. E olha que o português já declarou que quer disputar a Copa das Confederações. Parece que Cristiano Ronaldo não tem fim. Me arrisco a dizer que a Bola de Ouro e o prêmio de Melhor do Mundo já é de CR7.

A temporada europeia chegou ao fim com a certeza de que ainda se joga futebol de muita qualidade no Velho Continente. O Real ainda é o time a ser batido. São três títulos da Liga dos Campeões da UEFA em quatro anos e o primeiro bicampeonato desde 1990 (com o histórico Milan de Arrigo Sachi). A pergunta que fica para os demais clubes europeus é: quem será capaz de superar a equipe merengue?