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Lendário camisa 9 santista, Coutinho foi o entrevistado desta semana do “Bola da Vez”

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Colaborador do Torcedores

Crédito: Foto: Reprodução/ESPN

Na noite desta terça-feira (04), o lendário atacante Coutinho que fez história no Santos dos anos 60, foi o entrevistado do Programa “Bola da Vez” dos canais ESPN.

Com 370 gols em 357 jogos, Coutinho se despediu de Piracicaba para se tornar fenômeno atuando na Vila Belmiro. O ex-atacante diz que nunca se importou em fazer gols bonitos, pois a bola na rede era o que importava. “Nunca fiz questão de fazer gols, pois me importava em ganhar o jogo”, destaca Coutinho.

Com história diferente das demais conhecidas no mundo do futebol, Coutinho relata que fugiu de Piracicaba com 14 anos, pois o seu pai era contrário ele partir. “O Santos foi fazer um amistoso em Piracicaba, me viram atuar e chamaram para ir para Santos, mas eu disse que meu pai não deixava”, relembra Coutinho.

Durante a entrevista se destacou a parceria fantástica entre Pelé e Coutinho, relembrando um lance em que os dois santistas tabelaram de cabeça do meio campo até a área do Grêmio, tornando fácil um lance complicado.

Coutinho relembra a violência do futebol sul-americano em sua época, onde os rivais provocavam e agrediam escancaradamente. “Eles batiam e provocavam para nos incomodar, podendo causar uma expulsão”, relata Coutinho.

Uma grande frustração na vida de Coutinho foi a Copa de 1962, no Chile, quando não pode atuar por lesão, relembrando um momento em que se tornou memorável onde o banco da seleção tinha Pelé, Pepe e ele.

 

Atual momento do Santos

Sobre o momento em que vive o Santos, Coutinho tem conselhos e alguns comentários sobre situações que ocorreram no time da baixada santista.

No início do Campeonato brasileiro, o Santos mandou embora o então treinador Dotival Júnior, causando opiniões divididas entre a torcida do peixe. Durante a entrevista, Coutinho deu o seu posicionamento sobre o tema. “Achei a demissão do Dorival precipitada, mas ele poderia ser mais atento na relação com o time.”

Nos últimos dias o meio-campo Lucas Lima, do Santos, teve nome sondado pelo Barcelona e Coutinho deu o seu posicionamento sobre o assunto. “Acho que o jogador deve ir para onde vai jogar. Bater palmas para o Messi não adianta.”

Coutinho acredita que o meio-campo Paulo Henrique Ganso tem lances de efeito que ajudam, mas não colabora com a equipe na retomada da bola.“O problema do Ganso para mim é que ele é um meia que não rouba bola. Ele tem um jogo bonito, sabe driblar, lançar, mas a equipe acaba ficando com menos um para recuperar a bola.”

Falecido no ano de 2016, Zito foi lembrado por Coutinho durante a entrevista, onde o ex-atacante destacou o respeito que o capitão do Santos tinha com a equipe. “Zito era o nosso Capitão e por isso mostrava respeito. Mesmo com Pelé ele tinha voz, pois ele era valente e queria sempre um resultado melhor”.

Um grande tema debatido entre a torcida santista é a necessidade de um novo estádio. Uns acreditam que a Vila Belmiro é suficiente e outros enxergam a necessidade de outro lugar. Coutinho deu o seu posicionamento sobre o tema. “Pela quantidade de pessoas que vão aos jogos, não vale a pena a construção de uma arena em Santos”.

 

Lembranças do tempo de jogador

Um fato muito lembrado pela torcida santista foi a ocasião em que o Santos parou uma guerra na África em 1969. “Jogamos e assim que terminou o jogo fomos embora sem nem tomar banho, pois eles estavam loucos para voltar a guerrear”.

Perguntado sobre referências que teve no meio do futebol, Coutinho lembra de Pagão, que foi um grande conselheiro nos temos de Santos. “Eu cheguei um pouco perdido e ele me aconselhou, ajudando muito na minha chegada ao Santos. Eu era muito acostumado a dar chutão e o Pagão me ensinou a tratar bem a bola”, diz Coutinho.

 

Seleção brasileira

Sobre a atual seleção brasileira, o posicionamento de Coutinho é que Tite foi crucial na reconstrução. “O Tite abriu diálogo, conversou com os jogadores e acertou os erros, isso deveria ter acontecido no Santos”.

 

No término da entrevista, Coutinho relembra um acontecimento triste de sua vida. “Perdi um filho e isso foi um acontecimento triste na minha vida. Ainda tenho duas filhas e isso me entristeceu demais, mas o homem lá de cima é que resolve esses assuntos”.

Coutinho faz parte de um belo capítulo na história do Santos e do futebol brasileiro, de forma que o seu legado será levado para a eternidade.