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Canais de futebol viram “febre” no Youtube e conquistam público jovem

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Jornalista em formação pela FAPCOM. Repórter esportivo na Web Rádio Futgol Esportes. Setorista da Chapecoense no Torcedores.com. Fã de automobilismo

Youtube

Crédito: Arte Torcedores: Divulgação F4L - Cruzoeiro

Com a alta dos canais de Youtube, principalmente com os jovens, o futebol vem ganhando cada vez mais formas diferentes e a internet ocupa cada vez mais espaço em comparação à TV. As coberturas esportivas feitas pelos youtubers têm feito sucesso pela interatividade com seus seguidores, o que vai na contramão da mídia tradicional, que não se renova e, com isso, tem perdido seus adeptos para os novos concorrentes.

Atualmente, há cerca de 12 canais esportivos de grande relevância no Youtube, que juntos somam 6.776.000 seguidores – o equivalente ao Estado de Goiás (segundo dados do IBGE de 2016).

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Valdir Souza, popularmente conhecido como “Virjão”, disse acreditar que num período breve a internet estará com muito mais adeptos do que agora. Um ponto que Valdir vê como fundamental para isso é o fato de a televisão não se renovar e dar importância apenas aos times “de massa”, caso de Corinthians e Flamengo, deixando de lado as demais equipes muitas vezes, o que acaba tornando o produto monotemático, e até certo ponto entediante. “Como tem um maior público, um maior número de torcedores pra esses dois clubes, tem que ficar falando só deles”.

Virjão é membro do Canal Cruzoeiro. No Youtube, eles contam com o expressivo número de 81 mil inscritos, maior que o perfil oficial do próprio Cruzeiro, com cerca de 46 mil. “São três anos de trabalho, a maior rede social é o Facebook (123 mil curtidas) e depois o Instagram (92 mil)”,

Valdir mesmo admite que seu foco é o Youtube, tanto que foi um dos candidatos a apresentador do desimpedidos, canal da produtora NWB, que conta com quase 4 milhões de inscritos e com quatro anos de existência. Mas Virjão já tem destaque na plataforma, pois o Cruzoeiro tem quase o dobro de inscritos do que o canal oficial do Cruzeiro.

Outro caso de sucesso nas mídias online é o do Palmeiras Mil Grau. O projeto surgiu em um momento difícil da equipe alviverde, que havia acabado de ser rebaixada para a Série B pela segunda vez. A ideia inicial era apenas narrar os jogos do Verdão de forma descontraída para atrair um público que queria algo diferente do padrão das emissoras.

“A gente fala a língua do torcedor”, apontou Bruno Ramos, um dos idealizadores do canal que hoje conta com mais de 77 mil inscritos. E as mídias foram crescendo de maneira rápida pela identificação com o torcedor que a mídia “quadrada” não proporciona, pois não há o caráter 100% informativo, que para muitos tem se tornado algo burocrático.

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Palmeiras Mil Grau não tem muita pretensão em mudar a essência da página, desde o conteúdo até a linguagem utilizada em suas produções. Por causa disso, eles disseram abrir mão de convites de ampliar a divulgação de seu trabalho em lugares que não possuem liberdade de serem eles mesmos. O sucesso é tanto que hoje eles avaliam a possibilidade de fazer parceria com o time do Palmeiras. “A gente tá estudando uma proposta de narrar os jogos do Allianz Parque de uma forma descontraída, assim como era o RockGol”, explicou Bruno.

Futebol nas 4 Linhas

O Canal Futebol nas 4 Linhas, ou o F4L como é conhecido, nasceu de um trabalho de faculdade feito por Rafael Souto e o editor Léo Usui. Ambos se juntaram e tiveram a ideia de fazer um conteúdo, que não havia no segmento. O desimpedidos dava seus primeiros passos, mas com outros apresentadores.

Em 2013 teve a entrada de um colega de Rafael, Bruno – ou como é mais conhecido, Fred do Desimpedidos. Bruno foi quem teve a ideia de dar um “up” no canal. Junto com Léo Usui, eles idealizaram a marca para F4L. “A inspiração foi em Porta dos Fundos, Jacaré Banguela. Não tinha nada igual de futebol, e acabamos fazendo algumas coisas. Criamos alguns programas, com inspiração de quadros televisivos”, explicou Rafael, que falou como o fatídico 7 a 1 sofrido pela seleção brasileira na semifinal da Copa da Alemanha ajudou neste processo.

“Acredito que ajudou a transformar aquele episódio a algo humorado, sentir a dor que também sentimos. Mas, não só o 7 a 1. Como tava sendo feito e tava ficando muito chato. O jovem se distanciou muito e quem gostava e não tinha apelo e conteúdo para consumir, viu uma nova forma para o futebol. As emissoras que mudaram o modo de produzir conteúdo têm mais bom humor e menos coisas sisudas”, afirmou. Hoje o F4L, está com cerca de 84 mil inscritos.

Tanto Rafael Souto, Léo Usui, Valdir Souza e Bruno Ramos tem a mesma convicção que o futebol não se perdeu na cabeça, principalmente dos jovens, devido ao material que teve grande influência vindo do YouTube.

A rede fez com que grande parte do público não se perdesse após o fracasso da seleção frente à Alemanha. Deu voz e imagem a clubes brasileiros pouco valorizados, deu a jogadores como Paulo Baier status de ídolo do futebol. Começou a criar desafios para que entreter o público, além de programas voltados para esse nicho. Saíram do comum debate de esporte e variaram nos tipos e jeitos de se fazer um canal de futebol, que não fosse chato e que ao mesmo tempo cativasse o público.