Com espetáculo e entretenimento, Gracie Pro resgata o glamour do jiu-jitsu no Brasil

“Estou muito emocionada”, disse Kyra Gracie à reportagem do Torcedores.com após o encerramento da primeira edição do Gracie Pro, no Rio de Janeiro. Neste domingo, a Arena Carioca 1 ficou lotada para ver a histórica vitória de Roger Gracie sobre Marcus Buchecha na superluta de jiu-jitsu do evento idealizado pela tetracampeã mundial e hoje comentarista do canal Combate.

Redação Torcedores
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Crédito: Kyra, idealizadora do Gracie Pro, entre os protagonistas da superluta, Roger e Buchecha (Foto: Renato Senna/Torcedores.com)

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“É incrível poder assistir a isso, poder ver a história sendo escrita aqui no Brasil. Essa luta vai ficar para sempre”, comemorou a idealizadora do Gracie Pro.

Nos últimos anos, o Brasil deixou de ser o palco das principais competições de jiu-jitsu. Com a transferência do Mundial para os EUA, o país, berço do jiu-jitsu, acabou ficando carente de grandes competições. Foi então que Kyra surgiu com a ideia do Gracie Pro.

“A ideia do Gracie Pro foi de elevar as competições de jiu-jitsu. Eu sinto que o povo do Brasil é um povo carente de grandes eventos. E poder assistir aos nossos maiores ídolos no tatame. Hoje, os maiores eventos estão fora do Brasil”, afirmou a tetracampeã mundial.

Aposta em entretenimento, diversas atividades, sem esquecer do espetáculo principal

Talvez o evento que melhor consiga unir o esporte com entretenimento seja o Super Bowl (a final da liga norte-americana de futebol americano). Com shows históricos no intervalo e outras tantas atrações para o público que vai ao estádio, o evento é visto por cerca de 163 milhões de pessoas no mundo e é o segundo evento esportivo anual (desconsiderando eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas que não ocorrem todo ano) com mais audiência, atrás apenas da final da Liga dos Campeões da UEFA, que tem audiência de pouco mais de 200 milhões de espectadores. Foi pensando no bem estar do público que Kyra resolveu unir espetáculo e entretenimento no Gracie Pro.

“Eu já me incomodava na época que eu era atleta. Era difícil levar minhas amigas que não eram do meio da luta. Minha família ia porque é Gracie (risos). Às vezes eu chegava 10h e acabava às 22h. Nem minha mãe aguentava ir. Aqui a gente um público de crianças, mães, avós, eu trouxe minha filha de oito meses… É um ambiente com muito entretenimento, com boas lutas e que você pode estar aqui confortável. Tem lugar para deixar seus filhos brincando, tem uma área com foodtrucks, lojas especializadas, uma área de seminários” avaliou Kyra.

Porém, de nada adiantaria ter tantas atividades, se as lutas também não fossem atrativas. Para isso, além das categorias habituais, Kyra apostou na realização de uma superluta com os dois maiores campeões mundiais do jiu-jitsu, Roger Gracie e Marcus Buchecha, para fazer o tira-teima.

“Essa luta era a mais aguardada pelos fãs. Sempre tinha aquela dúvida. Os dois ganharam dez títulos, quem é o melhor? Então, essa luta foi pra realmente ver quem é o melhor de todos os tempos”, revelou a idealizadora do evento.

Apoio da televisão

O evento teve cara de UFC. Durante toda a semana, os personagens principais inundaram a programação do principal canal de televisão especializado em lutas do Brasil, o canal Combate. Na sexta-feira, houve uma entrevista coletiva com a participação de Roger, Buchecha, Kyra e das lendas do jiu-jitsu, Robson e Renzo Gracie. Os dois atletas fizeram a famosa encarada. No sábado houve lutas infantis e da faixa branca à marrom, além das eliminatórias da faixa preta. No domingo, as finais da faixa preta foram transmitidas ao vivo pelo Combate, assim como a superluta.

Roger Gracie e Marcus Buchecha fazem a encarada do Gracie Pro em Copacabana, com o Pão de Açúcar ao fundo

Roger Gracie e Marcus Buchecha fazem a encarada do Gracie Pro em Copacabana, com o Pão de Açúcar ao fundo (Foto: Divulgação/Felipe Fiorito)

“Para mim foi o evento mais bem organizado, um sucesso de mídia. Nunca vi um evento com peso tão grande quanto esse. Estou no esporte desde que eu nasci e fiquei super impressionado com a organização, com a mídia. Quando você vê o jiu-jitsu ao vivo na TV, no Brasil? Fazer parte disso e fechar com chave de ouro, não tem sensação melhor. Os bons tempos do jiu-jitsu voltaram com força total”, elogiou Roger Gracie.

Kyra também destacou a importância da televisão na captação de patrocinadores para apoiarem o evento.

“Evento de jiu-jitsu tem que ter transmissão. Como é que a gente vai evoluir o esporte se ele não passa na televisão? Como é que a gente vai ter um bom patrocinador se ninguém te vê? Eu quero que empresas grandes apoiem o jiu-jitsu e vejam esse show aqui”, disse a idealizadora do evento.

Planos para o futuro

A tetracampeã mundial definiu o Gracie Pro como ‘um evento que chegou para ficar’. A ideia é fazer uma edição por ano e sempre com superlutas. Para a edição de 2018, a comentarista já pensa em mais uma grande revanche.

“O objetivo é ter o Gracie Pro todo ano. Eu pensei em tudo que eu gostaria de ter tido quando eu era atleta. Eu quero valorizar os atletas. A gente ainda tem muita coisa pra queimar, os melhores atletas são do Brasil. Então, por que não ter um grande show todo ano? Para o ano que vem, eu pensei Renzo e De La Riva, mas eu to pensando ainda, o cachê é caro (risos)”, revelou Kyra Gracie, que terminou avaliando a primeira edição do Gracie Pro como ‘um evento nota 10’.

Com esse sobrenome de peso, o Gracie Pro promete trazer de volta o glamour das competições de jiu-jitsu ao Brasil.