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Ex-joia do Flamengo fala sobre a experiência no futebol coreano e conta fatos inusitados

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Rafael Alaby é jornalista diplomado pela FIAM (Faculdades Integradas Alcântara Machado), com passagens pela Chefia de Reportagem de Esportes, da TV Bandeirantes, em São Paulo e site KiGOL. Pós-graduado em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte (FMU)

Crédito: Foto: Divulgação

Tratado como joia das categorias de base do Flamengo, o atacante Paulo Sérgio subiu ao elenco profissional rubro-negro em 2007 com apenas 17 anos. Fez gol em clássico contra o Botafogo. Porém, acabou perdendo espaço e foi emprestado a Figueirense, Estoril de Portugal e Náutico. O seu vínculo com o clube carioca se encerrou em 2013. Desde 2016, o atleta atua no futebol sul-coreano. A sua primeira experiência no país asiático ocorreu no Daegu. No início de 2017, recebeu oferta atraente e assinou contrato com o Seongnam.

Em entrevista ao Torcedores.com, Paulo Sérgio, hoje com 28 anos, contou um pouco sobre a sua experiência na Coreia, falou sobre as principais diferenças do futebol de lá em relação ao futebol brasileiro e deu sugestões para que a Liga Coreana fique forte como em outros países asiáticos.

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“O nível técnico do futebol do nosso país é bem melhor que o daqui, mesmo eles trazendo estrangeiros para reforçarem a liga local. Os árbitros sul-coreanos também são inferiores, param muito o jogo e pegam no pé dos jogadores que vêm de fora. Acredito que eles precisam abrir espaço para comissões técnicas estrangeiras, que ajudariam a evoluir e profissionalizar ainda mais o futebol local, como já ocorre em outros países asiáticos. O principal esporte aqui segue sendo o beisebol, e em segundo o futebol, o que é chato pra gente”, comentou o carioca, que fez 17 gols em 33 jogos pelo Daegu.

O atacante ainda elogiou o país e disse que antes de tomar a decisão de mudar de ares fez algumas consultas.

“Com relação a qualidade de vida, acho aqui melhor, já que tudo funciona. Busquei informações antes de vir pra cá e obtive as melhores possíveis. Além disso, havia outros brasileiros no meu time, e isso facilitou a minha adaptação. E tudo isso, felizmente, culminou com o título ao fim da temporada”, comentou.

Foto: Divulgação

Assim como muitos brasileiros que vão para a Coreia, Paulo Sérgio enfrentou dificuldades com o idioma, mas destacou que vem o assimilando com a ajuda de intérprete.

“O idioma realmente é muito difícil, mas sou curioso e pergunto tudo! E trabalhando todos os dias com eles, acaba-se aprendendo bastante coisa. Temos um intérprete que facilita muito o nosso aprendizado. Quando o treinador fala, ele faz o trabalho de tradução e nos passa o que deve ser feito”, explicou.

Por estar num país com características diferentes em relação ao Brasil, Paulo Sérgio já passou por alguns momentos inusitados.

A situação mais inusitada que passei foi ano passado, quando ocorreram alguns terremotos. Além disso, num grau de importância bem menor, lembro que aqui os atletas recebem a programação de treino somente na noite da véspera, através de uma mensagem do intérprete”, contou.

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Passagem pelo Daegu em 2016

Minha passagem no Daegu foi maravilhosa. Ainda mais se considerarmos que foi a minha primeira temporada no futebol coreano. Fiquei em terceiro na artilharia geral do campeonato com 17 gols, dei cinco assistências e fomos campeões. Isso me abriu um ótimo mercado no país, recebi uma proposta muito vantajosa e acabei não permanecendo.

Adaptação ao Seongnam e relação com o brasileiro Danilo Neco

Estou adaptado ao meu novo clube, porém vinha jogando fora de posição e isso me prejudicou um pouco. Também tive uma lesão e isso foi mais um fator que me atrapalhou. Sobre o Danilo Neco, nos demos muito bem no período em que ele esteve aqui, mas acabou se machucando e voltou ao Brasil. Foi mais um amigo que fiz no mundo do futebol e desejo todo sucesso do mundo a ele.

Diferenças de tratamento dos torcedores coreanos para os brasileiros

O tratamento dos torcedores aqui é diferente. São mais contidos, não têm aquele calor da torcida brasileira. Mas às vezes alguns abordam na rua e pedem uma foto ou autógrafo. Mas inegavelmente, aqui é bem mais tranquilo em relação a isso.

Possível volta ao futebol brasileiro. Daria preferência ao Flamengo?

Nunca descarto uma volta ao meu país e sei que em breve estarei aí. Mas no momento só voltaria se fosse algo muito bom. Enquanto isso, vou seguindo minha vida aqui fora. Não tenho preferência por time num possível retorno, pois sou profissional e tenho que olhar o melhor para minha família.