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Guto Ferreira deve continuar como técnico do Inter? Jornalistas avaliam

Sob forte pressão da torcida e desamparada pelos resultados em campo, a diretoria colorada não encontrou outra alternativa fora a demissão do técnico Antônio Carlos Zago, contratado ainda no final do ano passado respaldado pelo bom trabalho no Juventude. No Inter, Zago, é bem verdade, teve de iniciar um trabalho praticamente do zero, mas não manteve a hegemonia colorada no Gauchão e teve um início irregular na Série B, o que abreviou sua passagem após uma derrota por 1×0 para o Paysandu, fora de casa.

Eduardo Caspary
Jornalista formado pela PUCRS em agosto de 2014. Dupla Gre-Nal.

Crédito: Foto: Ricardo Duarte/Inter

A diretoria, capitaneada pelo presidente Marcelo Medeiros e pelo vice-presidente de futebol Roberto Melo, não demorou a encontrar um substituto. Buscou Guto Ferreira, que vinha de acesso à Série A e título da Copa do Nordeste, pelo Bahia. Guto não era novidade. Já havia dirigido o Inter em duas ocasiões, uma delas como interino em 2008, e era um nome conhecido na “aldeia” gaúcha. Não sofreu rejeição quando da sua contratação.

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Mas, passados oitos jogos desde sua chegada, Guto ainda não deu ao Inter equilíbrio, resultados consistentes e tranquilidade dentro do G-4 da Série B. Com três vitórias, quatro empates e uma derrota – sofrida no último sábado, em casa, diante do Boa Esporte -, a campanha começa a levantar insatisfações quanto ao trabalho da comissão técnica. Por isso, o Torcedores.com foi ouvir os especialistas. Abaixo, veja o que pensam os jornalistas Luiz Carlos Reche, da UlbraTV, Leonardo Oliveira e Rafael Diverio, de Zero Hora e Rodrigo Oliveira, da Rádio Gaúcha.

Luiz Carlos Reche: “Pela primeira vez, o Internacional terá todos os titulares à disposição. Nunca teve a zaga, com Cuesta e Klaus. O Inter não podia mais escalar o Carlinhos, que está fadado ao fim de carreira. Na lateral, o Winck é ao menos uma tentativa, leva o time para frente. Se vai deixar espaço, a defesa que cubra. Desde que o técnico tenha competência para ver isso. E a situação do Guto passa por esse jogo do Criciúma. O Inter é melhor e vai ter todos os titulares. Terminaram todas as desculpas. E terminaram todas as garantias do Guto. Agora ou o Inter será um novo Inter, ou o Inter terá um novo técnico. O que eu acho de trocar de técnico é uma bobagem. Quantos técnicos trocou nos últimos tempos? Virou uma carnificina de treinadores o Internacional. Resumindo: com o Guto, sim, com desempenho, com controle de grupo, inteligência e jogadas. É um dos maiores clubes do mundo. Tem que ter tamanho para treinar o Inter. Não é lugar para quebra-galho. Então, que todos criem vergonha na cara para salvar a pele do Guto, desde que o Guto também crie condições de salvar a sua própria pele”.

Leonardo Oliveira: “Não creio que a melhor saída seja demitir Guto Ferreira. Aliás, não creio que a melhor saída seja a de demitir técnico para recolocar um time nos trilhos. Esse subterfúgio serve sempre para mascarar erros de dirigentes que contratam como torcedores numa função que deveria ser norteada pela razão. No caso do Inter, trocar de técnico como quem troca de bermuda foi uma das razões que levaram o time ao lugar em que está. Guto Ferreira tem um mês no cargo. E uma semana inteira apenas de treino. Para completar, assumiu um grupo desequilibrado e.que joga com uma tonelada nas costas pelo rebaixamento. A torcida também precisa entender o momento. Quebrar o estádio e ameaçar jogador a cada derrota só torna essa caminhada ainda mais perigosa”.

Rafael Diverio: “Sim, o Guto deve ser mantido. Trocar técnico não soluciona problemas históricos. O Inter de 2016 é a prova disso: quatro treinadores diferentes tentaram evitar a queda e nenhum deles conseguiu resultados expressivos. Isso já foi visto outras vezes. O Grêmio de 2004 também teve quatro treinadores e terminou em último naquele ano. Se há convicção na comissão técnica, é preciso bancá-la”.

Rodrigo Oliveira: “O Guto Ferreira deve seguir como técnico do Internacional, sim. O grande problema do Inter, aliás, um dos tantos problemas enfrentados pelo clube desde a saída do uruguaio Diego Aguirre, em 2015, é ficar toda hora trocando a comissão técnica. Está se trocando de treinador sem que isso faça parte de algum planejamento. Então é hora de dar continuidade – algo que nenhum tem conseguido ter. O Inter, depois do Aguirre, botou Argel, Falcão, Celso Roth, Lisca, Zago e agora o Guto. É muito choque de estilo, sabe. Isso faz muito mal para um time. Tem que dar continuidade ao Guto, porque os mesmos critérios que fizeram o Inter trazê-lo devem servir para segurá-lo no cargo”.

 

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