Automobilismo

Opinião: GP da Hungria mantém Vettel na liderança e mostra o “jogo de equipes” muito vivo na F1 2017

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Vocação jornalística e esportiva desde a infância. Colaborador desde 2015 com matérias/artigos, principalmente nas coberturas do automobilismo, futebol americano e esportes eletrônicos.

GP da Hungria tem poucas ultrapassagens e muito movimento nos bastidores de Ferrari e Mercedes. No fim, mais uma vitória de Vettel na F1 2017.

O Grande Prêmio da Hungria teve uma corrida com poucas ultrapassagens, em comparação com as melhores etapas disputadas até então, mas assim mesmo rendeu momentos interessantes e que merecem atenção, na última corrida disputada antes do período de descanso da temporada 2017 da F1.

O maior desafio da corrida novamente tinha sobrado pra Lewis Hamilton. Na “caçada” à Sebastian Vettel pela liderança do campeonato, Hamilton teve que alargar uma P4 no grid de largada após sentir-se desconfortável com o carro no treino qualificatório do sábado (29). O inglês tinha a missão de aproximar-se o mais rápido possível das Ferrari’s para ter alguma chance de vitória.

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Na largada, ambos pilotos da Ferrari foram consistentes, inclusive com Raikkonen servindo de “escudo” para Vettel, protegendo a liderança do alemão. Enquanto isso, Hamilton acabou optando por um traçado ruim, perdendo a posição para as Red Bull’s. A sorte do inglês foi o encontro entre Verstappen e Ricciardo. O jovem piloto acabou saindo demais da pista na primeira curva e, acidentalmente, acertou o carro de Ricciardo, cujo chamou o jovem piloto de “imaturo”. Os comissários da FIA também acharam isso, e aplicaram acréscimo de 10seg para Verstappen. Interessante foi a falta de padrão em critérios utilizados pelos comissários, que acabaram inocentando Sainz em movimento semelhante voltas depois.

Após a saída do safety car, a sorte do Hamilton parecia estar transformando-se em azar. O piloto inglês novamente teve problemas com o traçado da curva 1, perdeu rendimento, e acabou deixando Verstappen ultrapassá-lo, assumindo a P4. O traçado da pista não favorece ultrapassagens, fazendo Hamilton ultrapassar o finlandês apenas com o pit stop, várias voltas depois.

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Outro problema que atormentou Hamilton durante até a metade da corrida foi a falta de comunicação com a equipe. Um problema mecânico fez os computadores da Mercedes ficarem travados, impossibilitando assim a conversação com Lewis Hamilton e Valtteri Bottas. O botão de rádio era acionado, mas a conversação entre piloto e equipe não era registrada. Sendo assim, Hamilton foi o primeiro piloto do pelotão principal a entrar no pit stop e utilizar pneus médios.

A corrida era muito tranquila para ambos pilotos da Ferrari, na 1ª metade da corrida, inclusive com direito a “jogo de equipe”. Raikkonen já tinha protegido Vettel nas voltas iniciais, e após a parada no pit stop, não fez questão alguma de tentar ultrapassar o piloto alemão enquanto teve oportunidade. Porém, na parte final da corrida, tivemos um momento de tensão com a melhora de rendimento dos carros Mercedes.

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A tensão aumentou quando Bottas foi ordenado pela Mercedes a ceder ultrapassagem para Lewis Hamilton, para o inglês ter a oportunidade de ultrapassar Raikkonen e pressionar Vettel, faltando 15 voltas para o encerramento da corrida. Mas, o “jogo de equipes” é recíproco, e a Ferrari acabou adotando uma inteligente estratégia, ao fazer Vettel reduzir a diferença com o finlandês para menos de 1seg, permitindo assim Raikkonen utilizar da asa móvel de seu carro e defender-se da aproximação do inglês.

As voltas finais resumiram-se com a defesa de posições das Ferrari’s e tentativas sem sucesso de Hamilton. No final da corrida, a Mercedes deu outra ordem para ser “justo” com Bottas, fazendo Hamilton devolver a P3 ao companheiro de equipe na linha de chegada.

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Destaques individuais

Grosjean: Falando em pit stop, foi este motivo que tirou Grosjean da corrida, após um mecânico liberar o carro para sair antes da roda traseira ter sido totalmente acoplada ao carro. Além de ter amargado uma P19, Grosjean ainda será investigado (e punido) depois da corrida por estar dirigindo com carro sob “condições inseguras”.

Alonso: Protagonizou uma batalha árdua contra o compatriota Carlos Sainz em muitos momentos na primeira metade da corrida, aproximando-se em diversas oportunidades, mas enfrentando dificuldades de ultrapassar no travado traçado do GP da Hungria. Quando conseguiu ultrapassar na reta principal, Alonso saiu do traçado e tomou o chamado “x”. Mas, Alonso é aquele piloto que consegue movimentos incríveis, e assim sendo, ultrapassou Sainz por fora numa curva extremamente fechada, inventando um ponto de ultrapassagem no traçado. Espetacular.

Hulkenberg: Outro piloto que acabou tendo problemas, aos montes, durante a corrida; este parecia estar com azar durante todo o final de semana. Foi ultrapassado em muitos momentos, teve problemas no pit stop, no rendimento do carro e ainda foi “jogado” para fora da pista por Magnussen, sem terminar a corrida, abandonando nas voltas finais.

Paul di Resta: Foi o piloto que substitui o brasileiro Felipe Massa, que teve mal estar na sexta-feira (28) e acabou retirando-se da corrida para recuperar-se. Massa assistiu a corrida de sua casa, em Mônaco, e disse estar sentido-se melhor. Paul di Resta foi muito discreto, ganhando duas posições na largada, e abandonando a corrida antes do final, na P18.


O GP da Hungria deste final de semana deu à Vettel o simbólico “título” da meia-temporada, passando o período de descanso na liderança do campeonato mundial, mas serviu mesmo para evidenciar que o “jogo de equipes” está muito vivo na F1, e sempre estará, em todas as categorias do automobilismo.

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A F1 2017 retorna no último fim de semana do mês de agosto, na Bélgica.