Extra-campo

Opinião: O que aprendi com Montillo

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Amo escrever e entrei no Jornalismo desde o início com a intenção de fazer esporte e levar a presença feminina para um meio tão masculino. Amo futebol mas descobri nos últimos anos um amor enorme pelas lutas.

Crédito: Foto: Divulgação/Twitter Oficial Botafogo

O discurso de aposentadoria do talentosíssimo Walter Montillo continua se repetindo em minha cabeça. Talvez seja porque foi do meu time que ele saiu. Talvez seja porque também me preocupo muito com o meu desempenho no trabalho. Talvez seja porque, como ele, acredito que tenho que dar o meu melhor e, quando isso não é possível, não faz sentido continuar. Independente do motivo que fez o discurso de Montillo ficar se repetindo, senti que precisava falar sobre isso.

Montillo falou claramente triste por abandonar a coisa que ele mais ama. Acredito que foi uma perda recíproca. Se Montillo perdeu parte de sua alegria se aposentando, com toda certeza a qualidade e a beleza do futebol perdeu (muito) com essa saída. Montillo foi um jogador que, além de saber o que fazer em campo, sabia como se comportar. Ele não se envolveu em conflitos com colegas de elenco, com festas e outras situações extra-campo.

A saída dele não poderia deixar a desejar perto de seu trabalho. Com muita emoção, Montillo mostrou mais uma vez que tem caráter. Ele não precisava deixar o time. Ele não precisava se aposentar. Mas ele honrou seus valores, defendeu aquilo que acredita e, mais que isso, ensinou a postura que qualquer pessoa deve ter. Esse texto não é só sobre futebol ou sobre um jogador famoso. Esse texto é sobre um homem tendo uma atitude que qualquer pessoa deveria ter quando sente que não dá mais conta.

Toda mudança causa medo e estranhamento. É normal. Mas a gente sabe que precisa mudar. A gente precisa aprender a enxergar a hora de parar. A sociedade está se tornando muito individualista. Atitudes como a de Montillo mostram o quanto ainda é preciso pensar em equipe e, mais que isso, trabalhar em equipe. A atitude de se aposentar foi extremamente altruísta. Antes de pensar em si e nas suas vontades, ele pensou no clube e no time a quem ele não conseguia ajudar de outra forma. Dentro de campo era impossível com tantas lesões.

Levo desse discurso um lembrete de que todo trabalho é em equipe. Levo a certeza de que não se chega a lugar nenhum sozinho, não se conquista nada sozinho, principalmente no futebol e no esporte em geral. Levo também a sabedoria de que é preciso ter coragem para mudar e, mais que isso, é preciso saber reconhecer seus limites.

Obrigado Montillo, por me ensinar tudo isso e por chegar até o seu limite para honrar o Botafogo.